Mundial de futebol 2018


Que na euforia do futebol e na loucura pelo ídolo nacional se esqueçam os pés de barro que abateram o colosso no campo da ética e do exemplo que devia ser, é a atitude que se compreende quando o coração manda mais do que o cérebro, e a virtude está nos pés.

Que o PR, que tudo comenta, não se comprometa com uma simples frase que pode pôr em risco a própria popularidade, laboriosamente construída, incêndio a incêndio, missa a missa, beijo a beijo, abraço a abraço, na explosão de afetos que prodigaliza, é natural. Há um segundo mandato à espera e o coração dos portugueses a pulsar ao mesmo ritmo, com extrassístoles sentimentais sincronizadas com as do PR dos afetos.

Que a beleza de um desporto e o sortilégio da sua execução nos arrebatem e transportem para a euforia, a que nem os mais calmos resistem, compreende-se. Perdoam-se pecados mortais no êxtase de irrepetíveis alegrias.

Difícil é entender que o virtuosismo dos pontapés na bola possa ser contaminado pelos pontapés na ortografia, num desvario que assusta os incautos e estarrece os humanistas.

Numa viagem por murais do Faceboock encontrei muitos amigos a arriscar o pescoço numa moldura que me levou a pensar no regresso da pena de morte, de cuja abolição Portugal foi pioneiro. Era o meu orgulho ferido, a deceção com excelentes amigos, uma angústia cuja relação com o desporto não compreendia.

Era apenas a falta da cedilha a transformar o ânimo que, no íntimo, se queria transmitir, num aparente apelo troglodita a um passado de barbárie.

Felizmente é só uma prevaricação ortográfica em que até os mais zelosos se deixaram cair. Não está sujeita a multa nem pena de prisão. Fiquei mais descansado.

Força, Portugal!

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