As eleições no Reino Unido (RU)

A grande surpresa das eleições, com que a senhora May desejava reforçar a maioria do Partido Conservador, não foi o seu tropeção, foi a subida do Partido Trabalhista, com Corbyn, um republicano da ala esquerda.

Depois da reconquista da liderança do PSOE, em Espanha, por Pedro Sánchez, contra o aparelho partidário e os barões, e do fulgurante desempenho governamental de António Costa, em Portugal, a morte anunciada da social-democracia parece precipitada.

No Reino Unido, a senhora May, que procurava reforçar o seu poder, tem agora o ajuste de contas dos barões conservadores a complicar-lhe a vida, por ter convocado eleições indesejadas, e, possivelmente, a tentar afastá-la das negociações do Brexit.

As consequências do divórcio entre o RU e a UE são imprevisíveis e adversas para as duas partes, numa altura em que dos EUA se passou a esperar o pior, ou pior ainda, a não se saber o que pode esperar-se.

Garantidamente, estamos a assistir ao Réquiem pela Terceira Via, a essa conivência da social-democracia com a direita que não para de deslizar para cada vez mais direita.

Para já, segue-se a exótica liturgia autóctone: a senhora May vai pedir autorização à rainha para formar governo.

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