O Governo e a peregrinação pia a Alcobaça


O efémero e funesto Governo de Santana Lopes foi o primeiro que teve o nomadismo como projeto e a anarquia como modelo de funcionamento.

A sementeira de secretarias de Estado, distribuídas  pelo País, era a exótica novidade do governo PSD/CDS que entendia assim a descentralização administrativa. O sucessor do fugitivo Durão Barroso criou seis secretarias de Estado, de Braga a Faro, passando por Aveiro e Coimbra e acabando na improvável Golegã, por falta de instalações na cidade de Santarém para onde o delírio governamental a destinara.

Nessa altura havia um Presidente da República e os desvarios tiveram rápido epílogo. E Santana Lopes, com a prestimosa ajuda de Paulo Portas, conseguiu a primeira maioria absoluta… para o PS.

Agora, à rédea solta, não se sabe se para fugir aos banhos de multidão ou para expiação dos pecados, o Governo, em cortejo automóvel, fez um retiro espiritual no Convento de Alcobaça, que designou por reunião do Conselho de Ministros.

Não terá sido a beleza do gótico que atraiu a comitiva que, segundo relatos, aturdiu uma noiva que ensaiou a fuga, quiçá, inquieta com tantos guarda-costas. Foi talvez a devoção e a suposição de que o espaço pio desse aos ministros a sabedoria de que carecem que lá os levou. Esperava-se, pois, que do conclave saísse o milagre para reduzir o desemprego ou a solução para pôr termo ao naufrágio em curso, mas, a avaliar pelas declarações de Poiares Maduro, o substituto de Relvas, com mais habilitações académicas, nem sequer uma resolução foi tomada, nem um rumo se vislumbrou ou um plano se acordou.

No fundo, não foi a política que ali levou aqueles sábios, talvez o remorso das mentiras com que Passos Coelho ganhou eleições. Eles não se recolheram para tomar resoluções, limitaram-se a rezar em grupo e a pedir que a paciência do povo português não expluda.

Ponte Europa / Sorumbático

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