Ninguém defende Cavaco Silva e Passos Coelho

Ontem a SIC foi cruel para com o casal Aníbal/Maria Cavaco. Não é justo explorar a decadência física e intelectual, com imagens de primeiro plano e frases de medíocre qualidade. A televisão tem obrigação, não de negar a informação, mas de, na esteira de Isabel Jonet, se dicar à caridade. Aquele casal de agricultores foi um erro de casting que não pode repetir-se para preservar um módico de dignidade da função presidencial.

Até Rafael Trujillo, o despótico ditador, que exerceu o poder na República Dominicana, de 1930 a 1961, diretamente ou por intermédio de um títere seu, numa sangrenta tirania apoiada pela ditadura militar, teve quem o defendesse. Trujillo foi um dos mais sinistros ditadores de sempre e, mesmo assim, o presidente Truman defendeu-o.

Um dia, perante a defesa que Harry S. Truman, o 33º presidente dos EUA, fez de Rafael Trujillo, um dos seus colaboradores, lembrou-lhe que o seu protegido era um filho da puta, ao que o presidente americano respondeu: «mas é o nosso filho da puta.»

Até Trujillo teve quem o defendesse. Em Portugal, sem que Cavaco e Passos Coelho se possam comparar a ditadores ou tenham cometido qualquer atrocidade, ninguém surge a defendê-los. Podem ser maus, mas era justo que, pelo menos os beneficiários, dissessem como Truman: «é o nosso presidente» e «é o nosso primeiro-ministro».

Calam-se.  

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