O primeiro 1.º de Maio (1974) Foi a primeira vez que a liberdade desceu à rua nesse dia, o primeiro feriado que nem o atual Governo, pusilânime e vingativo, teve coragem de extinguir. Nesse dia, em Lisboa, um milhão de pessoas, talvez mais, não se sabe de onde vieram, foram tantas, algumas transportadas pela massa compacta que não lhes deixava espaço para pisar o chão, dirigiram-se ao estádio que logo tomou do dia o nome. O feriado do 1.º de Maio nasceu ali, tardio, exuberante, no rescaldo da ditadura fascista, com abril fresco de cravos e maio florido de sonhos. Nesse dia não ousaram escancarar as portas da provocação os ressentidos, não estiveram lá, certamente, Cavaco, Marcelo ou Ricardo Salgado. Era um ambiente assético, feito de emoção e fraternidade, onde cabia o sonho por entre cravos que floriam nas lapelas e discursos de sindicalistas a que se seguiram Francisco Pereira de Moura, Nuno Teotónio Pereira, Mário Soares e Álvaro Cunhal. De onde vinha a força que nos impulsi...