Luís Montenegro (Luís), um tartufo na Cova da Iria
Luís Montenegro (Luís), um tartufo na Cova da Iria
Nada tenho quanto à fé que leva os peregrinos a Fátima,
cabe-me apenas respeitar quem acredita que o Sol bailou ali ao meio-dia e uma
senhora de branco saltitou de azinheira em azinheira, para dar recados a três crianças
analfabetas, uma que a via e ouvia, outra que via e não a ouvia e a terceira
que não a ouvia nem via, e também acreditava.
O negócio da fé católica da mais lucrativa sucursal portuguesa
prospera no local que o cónego Manuel N. Formigão, o Quarto Pastorzinho,
transformou de local de pastoreio em lucrativo segmento do sector terciário com
a criativa atualização dos milagres de Lourdes. Hoje já não é o espaço de luta
contra a República, primeiro, e o comunismo, depois, é agora um dos grandes
destinos do turismo pio e o local onde rumam angústias e ansiedades dos que
sofrem, para levar oferendas e orações.
Misturados com os crentes, anónimos e discretos, fazem-se
fotografar tartufos e outros oportunistas. Não sei se o Peregrino Luís foi ali rezar
pelo sucesso da Spinumviva, pelo fim das investigações à nebulosa imobiliária com
que fintou o fisco e recebeu avenças ou por qualquer outro milagre que Amadeu
Guerra não consegue obrar.
O CEO da Spinumviva, a implorar a proteção do Céu no Mariódromo
de Fátima, pode ter estado a pedir à Senhora que interceda junto do seu divino
filho para ser servido de chamar o rival, Passos Coelho, à divina presença, mas
não é crível que o Peregrino Luís se deixasse contagiar pela fé como se deixou deslumbrar
pelo poder.
A desfaçatez de se fotografar em Fátima, de vela na mão, com
a consorte e sócia, é um ultraje à laicidade por quem não tem escrúpulos. O
Luís, por milagre ou perfídia de Marcelo e insensatez Lucília Gago, é PM de um
País laico, que lhe permite ter a fé que quiser, e não lhe permite a exibição
pública para as televisões.
O Luís pode saber rezar, pode ser devoto do anjo que poisou
no anjódromo onde ontem esteve de vela na mão, mas o que o País espera dele não
é que reze, é que resolva o que prometeu, que governe como se soubesse, que
substitua as ave-marias e a propaganda por decisões acertadas de governo e pela
decência.
Para sacristão bastou-nos o anterior PR.

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