Passos Coelho, o Desejado para substituir Montenegro.
Passos Coelho, o Desejado para substituir Montenegro.
Antes de ser
PM, pensei que Passos Coelho era ignaro, a roçar o analfabeto. Ignorava o currículo
de gestor, como paquete de Ângelo Correia, e não adivinhava no cantor lírico,
que Filipe La Féria enjeitou, mais do que a criação de Miguel Relvas e Marco
António, treinado na madraça da JSD.
Não vi o
génio do criador da escola de técnicos de aeródromos e heliportos da Região
Centro, para formar mais de mil especialistas, escola que, após a concessão das
verbas pelo Secretário de Estado, Relvas, não certificou um único. E o apego à
Tecnoforma e à AR, esta em dedicação exclusiva e simultânea, fê-lo esquecer as obrigações
fiscais.
Passos
Coelho, entre 1999 e 2004 fintou a Segurança Social, invocando que «ignorava
que era para pagar» e, de 2002 a 2007, foi acossado com, pelo menos, cinco
processos de contraordenação e de execução fiscal.
Os
inimigos políticos de Passos Coelho pretendem apresentá-lo como delinquente
fiscal e marginal, como se as fugas ao pagamento à Segurança Social e a
eventual omissão de 150 mil euros ao fisco, alegadamente recebidos da
Tecnoforma, não fossem distrações de um génio.
Passos
Coelho disse que não era um cidadão perfeito, mas que nunca encontrariam nele «alguém
que, como primeiro-ministro, tenha usado o lugar para disfarçar ou esconder
qualquer tratamento que não fosse exatamente igual ao de qualquer outro
cidadão». Tinha-o feito antes.
Como os eleitores
esquecem e perdoam depressa, viram no prolongado silêncio do ex- PM, o fulgor
do génio e a estatura de Estadista para fazer a síntese da direita e
extrema-direita, ideal para substituir Montenegro, mas o retiro académico não
lhe acrescentou virtude, discernimento ou competência, apenas dissimulação e
perversidade.
Há dias,
nesta caminhada de regresso ao poder, apareceu a condenar o Chega, porque o
André, por tática, exigia reduzir um ano à idade para aprovar a reforma
laboral que une os piores patrões, o PM, a IL e o Chega no desprezo pelos
direitos dos trabalhadores.
Podia ficar
pelo óbvio, pela impossibilidade de baixar a idade de reforma sem destruir a
sustentabilidade da Segurança Social, mas, por demagogia e perversidade, designou
o oportunismo de André Ventura como medida socialista, leia-se, do PS, e
acrescentou com desfaçatez, «nem os socialistas têm a coragem de baixar a idade
de reforma».
O que o
governante, de quem já se esqueceu a fúria com que privatizou o património do
Estado, omitiu perversamente que foi o PS, apesar dos muitos defeitos comuns ao
PSD, foi sempre rigoroso na gestão da Segurança Social e que foi o PS, em
diálogo com os trabalhadores, que introduziu o fator de sustentabilidade que
faz variar a idade da reforma de acordo com a esperança de vida.
Mas a honestidade e a decência não são atributos de Passos Coelho!

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