Salazar, o governante sério
Salazar, o
governante sério
Uma
mentira pode ser repetida até ao infinito, e não se torna verdade. Há quem
chame ao abutre de Santa Comba, estadista; incorruptível, ao verme de S. Bento;
honesto, ao infame que a censura, a Pide e a Legião permitiram que a cadeira
resgatasse a honra que os portugueses não puderam.
O ex-dirigente
do CADC não tratou da vida, mas tirou-a a muitos. O ódio à liberdade, aleitado
no seminário e assanhado no poder, fez dele uma referência fascista europeia, o
delinquente que conduziu o País a uma guerra colonial, durante 13 anos, o facínora
que demitiu insignes professores, prendeu democratas e assassinou adversários.
Já poucos recordam
as eleições de Humberto Delgado, onde foi defraudada a vontade popular e enxovalhada
a honra do país.
Em 1958,
durante a campanha eleitoral, publicou o decreto-lei que proibiu a oposição de
fiscalizar o funcionamento das mesas de voto. Foi assim que Américo Tomás, o
fascista que indigitou, foi declarado vencedor nas eleições contra Humberto
Delgado.
Quando já nenhum país tinha colónias, a ditadura impediu a descolonização, e preferiu a derrota que inviabilizou uma negociação que evitasse a tragédia.


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