ANTÓNIO GUTERRES, Israel e a Palestina
ANTÓNIO GUTERRES, Israel e a Palestina
À medida que a ONU perde influência com o ataque sistemático
de líderes que veem no direito internacional e no cumprimento de regras o
entrave às suas ambições, agiganta-se a dimensão ética e humanista do seu secretário-geral,
António Guterres.
Guterres foi rápido a condenar o ataque criminoso do Hamas
de 7 de outubro de 2023 e, a seguir, justo e firme a condenar a política de
extermínio do povo palestiniano quando a retaliação prenunciava um genocídio.
Em outubro de 2024, Israel atacou as missões da ONU no
Líbano, bombardeou áreas de grande densidade populacional e, de novo, condenou
Guterres pela firme indignação manifestada. Perante o silêncio cúmplice de
numerosos países, incluindo Portugal, foi Joseph Borrel, o chefe da política
externa da UE que precedeu o atual clamoroso erro de casting, Kaja
Kallas, que condenou os ataques israelitas contra as missões da ONU e exigiu
que deixassem de culpar António Guterres.
Só depois de Borrel ter condenado Israel pelos desvairados ataques
a Guterres o MNE português se atreveu a condenar o genocida Benjamin Netanyahu.
Atualmente, após os desvarios de Netanyahu e Trump na
desastrada aventura iraniana, com que comprometem a honra das democracias
europeias, Israel suspende as relações com Guterres até ao fim do seu mandato
depois deste lhe ter anunciado que Israel seria incluído numa lista negra
relacionada com a violência sexual em conflitos, uma nódoa que o exército
sionista acrescentou ao seu longo cadastro.
Para vergonha nossa, o Governo português, o mais implicado
na aventura de Netanyahu e Trump, é incapaz de um gesto de dignidade, de solidariedade
com o sec.-geral da ONU.
Nem a ameaça do embaixador de Israel, de que, se Portugal
defendesse a suspensão do acordo de comércio da UE com Israel, passaria a ser
considerado um país extremista, como Espanha e Irlanda, levou o MNE, Paulo
Rangel, a pedir explicações.
Perante a “apagada e vil tristeza” do governo português, a
conduta de António Guterres é um refrigério. Devo-lhe um testemunho de
solidariedade e o repúdio pelas declarações dos embaixadores de Israel na ONU e
em Portugal.
A guerra entre Israel e o Irão não é uma luta entre uma
democracia e uma ditadura, é um duelo entre teocracias de dois regimes párias.
Apostila – Continuo a ser firme opositor do antissemitismo e a defender o direito de Israel a ser respeitado no território que legalmente lhe cabe. É ocioso referir a náusea que me merecem quer o sionismo israelita quer a abjeta teocracia iraniana.

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