Israel e a violência


Israel e a violência

Se não fosse a exibição gratuita e ofensiva do vídeo pelo ministro de Israel, Itamar Ben-Gvir, com prisioneiros de joelhos, agrilhoados e agredidos, o governo português fingiria que nada tinha sabido.

Se fossem apenas dezenas de milhares de mortos, estropiados e famélicos de Gaza que Israel massacra, homens, mulheres e crianças, e expulsa do território, o ministro Paulo Rangel limitar-se-ia a dizer, como o fez o anterior PR, que foram eles que começaram. A referência ao covarde e cruel massacre do Hamas servirá de desculpa perpétua.

Se Israel se limitasse à limpeza étnica dos territórios que julga seus, por direito divino, o Governo português, que desistiu de ter política externa própria, limitar-se-ia a dizer que está sempre ao lado das democracias contra as ditaduras.

Mas desta vez foram dois médicos, portugueses e caucasianos, os cidadãos de coragem. Sabem que também se salvam vidas não deixando cair no olvido o drama dos palestinos e que é preciso arriscar para manter presente na opinião pública o drama do povo que se extingue à fome, ao frio e com doenças epidémicas, expulso de onde nasceu e onde dificilmente voltará.

E não tinham o rótulo de políticos, como sucedeu no ataque a uma deputada do BE, que teve igual coragem e determinação, Mariana Mortágua! Desta vez a coragem não foi objeto de chacota e as redes sociais não se transformaram em sarjetas do ódio a bolçar impropérios.

O destrambelhamento do ministro fascista e a exibição gratuita da humilhação grotesca aos prisioneiros seviciados levaram o PM a condenar o ato e o ministro Paulo Rangel a pedir explicações, o mínimo para salvarem a face depois de numerosas manifestações de subserviência a Israel e aos EUA de Trump.

Gonçalo Reis e Beatriz Bartilotti, os médicos cuja coragem contribuiu para reavivar na opinião pública o drama palestino, honraram a profissão e o nosso país.

Desta vez, por mais que se cubram de opróbrio na defesa de Israel as avençadas, Helena Ferro Gouveio e Helena Matos, Israel não fica impune na opinião pública.

E até o PM e o MNE foram obrigados a manifestar um módico de decência enquanto na Base das Lajes continua a cumplicidade deste governo nos crimes dos EUA, na senda da passagem de presos e voos da CIA especialmente entre 2002 e 2006, na transferência para a prisão de Guantánamo.

Esses crimes começaram quando era PM Durão Barroso, o Presidente não executivo do Banco Goldman Sachs International. Os crimes compensam.

Se Montenegro tivesse a coluna vertebral de Pedro Sanchéz!

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