O Ministério Público (MP) e a dissolução do regime democrático

As exceções criam generalizações abusivas, mas é ingenuidade pensar que a democracia sobrevive aos reiterados abusos do MP, ao corporativismo, ativismo sindical e partidário de alguns procuradores e à eventual infiltração de extremistas.

Desde a promiscuidade com os média à violação do segredo de justiça, dos julgamentos na praça pública, sem que alguma vez seja deduzida acusação, à difamação de políticos, que veem as suas carreiras interrompidas ou destruídas, acontece tudo.

Às vezes, um autarca vê confiscado o telemóvel, vasculhado o gabinete e devassada a vida privada na sequência de uma nomeação absolutamente legal ou de um normal ato administrativo, por ignorância do direito administrativo de um procurador; outras, é a fuga de informação de uma carta anónima sem qualquer indício relevante de crime.

A enorme quantidade de políticos sob suspeita, durante longos anos, sem acusação ou arquivamento, devia sobressaltar a PGR, que tutela a instituição.

Quantas eleições foram perturbadas ou políticos desistiram de candidaturas por fugas de informação de crimes inexistentes?! E quando julgávamos que nada podia ultrapassar a queda de um governo de maioria absoluta, urdida pelo PR e a PGR, depois de anos de escutas a atos de gestão, dos seus membros e do próprio PM, sem explicações, acusação ou arquivamento, faltava a perseguição a um juiz cujas decisões desagradaram ao MP.

Que poderá pensar-se da abertura de 8 (oito) inquéritos-crime para a sindicância de atos legítimos do juiz, em vez do recurso do MP para instâncias superiores? E da ocultação do insólito procedimento ao Conselho Superior da Magistratura?  E, depois de policiado vários anos, com telefonemas escutados, contas bancárias devassadas e a vida particular vigiada, a lembrar a Pide, o que significa a ocultação dos que decidiram a perseguição e o arquivamento à sorrelfa do gravíssimo atropelo ao regime democrático?

Falo do juiz Ivo Rosa cuja entrevista ao Expresso assusta qualquer democrata. É total a impunidade dos conspiradores do MP contra o juiz e a democracia. Quem se lembra dos ataques, nos média, ao carácter do juiz Ivo Rosa e das suspeitas de corrupção não pode conformar-se com a impunidade dos perseguidores e a ocultação dos seus nomes.

A carta que Ivo Rosa escreveu ao PR não é uma simples denúncia da perseguição a um juiz, é a história de uma conspiração contra o Estado de Direito, a reintrodução da Pide através de magistrados, procuradores e juízes de instrução que permitiram durante anos a prorrogação de escutas, acesso a contas bancárias e vigilância de deslocações, durante 6 (seis) anos, e acesso a dados de 98 pessoas com quem manteve contactos telefónicos.

Há nomes que nos vêm à memória e magistrados de quem podemos estar injustamente a desconfiar! E a ausência de averiguação aos inquéritos-crime conta o juiz configura uma tentativa de ocultação dos desmandos do MP e de encobrimento dos conspiradores. 




   

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