Do Diário da Diana – 14 anos – escola C+S da Musgueira
Do Diário da Diana – 14 anos – escola C+S da Musgueira
O mundo é um local perigoso e mal frequentado, mas Portugal é
um sítio divertido. A Musgueira é um oásis de sossego, comparado com a Casa
Branca onde, em vez da nova sala de baile anunciada por Trump, surgiu uma
carreira de tiro regularmente usada.
A fúria épica de Trump está em vias de capitulação épica, no
Irão. Depois de um acordo maravilhoso onde os aiatolas fazem tudo o que ele quer,
deixa o País mais perigoso, a teocracia mais sólida e um estreito portajado. Hei
de falar disto noutro dia. Até lá, Paulo Rangel ainda há de vender ao Irão
pórticos desativados das vias rápidas, para o Estreito de Ormuz, onde os
petroleiros podem usar a via verde no alto-mar. É só rir!
Há tantas coisas divertidas! A declaração do PM, “o povo e
as empresas estão do nosso lado”, referindo-se às leis laborais, sem se rir nem
dizer onde viu o povo, foi hilariante. Superou o Rangel, que garantiu “o
compromisso firme dos EUA com a Nato”, como se fosse ele o chefe do Pentágono. Depois
de amachucado com o elogio de Marco Rubio, na cumplicidade com a invasão do
Irão, «Disseram que sim antes de perguntarmos o que quer que fosse», quis ressarcir-se
da vergonha. E o PM ultrapassou-o de novo no humor, “hoje o País está melhor e
os portugueses também”. É o delírio!
O País alheia-se da perseguição a um juiz pelo Ministério
Público, do arquivamento das provas do delito, da conspiração contra a
democracia e não confronta o PR com os seus deveres constitucionais?! O povo
distraiu-se com o jogo da Seleção e a transferência de um popular treinador de
futebol. E a conspiração continua, com a tentativa de impedir a sua
investigação e o julgamento dos implicados!
Eu gostava de ter vivido no tempo da minha mãe, quando se
ouviam notícias sem que as explicassem legiões de comentadores. Eu dispensava a
propaganda. É deprimente ver a Helena Ferro Gouveia a defender os crimes de
Israel e a dizer que não há fome em Gaza ou o coronel Carmo a defender a
invasão do Irão! Até as sevícias do ministro Ben Gvir não passam, para o sagaz
coronel, de exagero que o próprio Netanyahu condenou!
Depois admiram-se que surjam pândegos que julgam democracias
de direito divino as teocracias, e mártires da liberdade quem se explode com cintos
de bombas no meio de uma multidão ou numa sinagoga, por simples perversidade,
para maior glória divina.
Não há democracias confessionais, nem constituições
democráticas segundo a vontade divina, porque não há, nem pode haver,
democracias islâmicas, budistas, xintoístas, sionistas, cristãs ou adventistas
do sétimo dia. Não são democracias, são oxímoros.
O PS agora não conta, e as televisões vão buscar os que deviam
estar no PSD e IL para que haja pluralismo, direita e extrema-direita. De
Francisco Assis a Sérgio Sousa Pinto, de Adalberto C. Fernandes a Álvaro Beleza
são designados como social-democratas ou até socialistas. E arranjaram lugar
para o Ascenso Simões, uma sólida reencarnação do Conde d’Abranhos, apetecível pelas
asneiras que diz e convicção com que as profere.
Musgueira, 26 de maio de 2026 – Diana
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