Passos Coelho e o mito sebastiânico
Passos Coelho e o mito sebastiânico
Por mais inexplicável que seja a sedução sebastiânica, não
há dúvida de que o fanatismo e o comportamento severo do rei, que tinha aversão
ao casamento e obsessão demencial pela dilatação da fé católica, se impregnaram
no inconsciente português.
Surpreende ver em Passos Coelho um salvador da Pátria, mais capaz
de se precipitar em qualquer Alcácer Quibir onde desbarate o resto do património
que não pôde privatizar do que ter uma única ideia sobre os desafios
económicos, políticos e ambientais que nos esperam.
Ontem, o medíocre cidadão e péssimo governante saído da
madraça da JSD, produto de Miguel Relvas e Marco António, emergiu de Massamá e do
mundo académico para apresentar um livro, onde se encontrou com a mais
mediática das suas crias, o inefável André Ventura.
Os média foram ouvi-lo com a ansiedade e desvelo com que
outrora as meninas de Vila Real, por entre suspiros, anunciavam o presidente da
JSD, está cá o Pedro!
Do livro e da exegese do conteúdo não há notícias, apenas o
fino recorte da linguagem do apresentador e a ansiedade pelo regresso ao poder em
parcas palavras para os média.
Quando o Professor Passos Coelho se referiu aos «políticos
postiços que ficam como prostitutos» quem o ouvia julgou que se referia a André
Ventura, e quem viu com quem estava acompanhado, ficou sem dúvidas de que
chamou prostituto a Luís Montenegro.
Ora, sendo o Luís, o líder parlamentar do PSD que defendeu as
decisões trágicas do seu governo, o Pedro designou retroativamente como bordel o
antigo grupo parlamentar e confessou que foi ele o proxeneta que lançou o Luís
na prostituição e o manteve até que Cavaco foi coagido a retirar-lhe o alvará, impotente
face à imposição da geringonça.
Prostitutos sem carácter! Estamos perante um empate a três.
E quanto a populistas postiços (Luís) e populistas naturais (André), o Pedro prefere o segundo. Quanto ao carácter dos três, venha o Diabo e escolha.

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