As próximas eleições presidenciais – Uma postura eticamente reprovável

Quem acha sublime rezar o terço a nadar no mar, já devia ter rezado umas ave-marias à Sr.ª de Fátima a pedir às TVs para darem a outros candidatos o tempo de antena que lhe consagram ou, no mínimo, dividirem por todos o seu tempo, para evitarem o ostracismo dos adversários onde só aquela coisa repugnante tem também direito a fatia grossa.

À estrela pop todas as excentricidades lhe são perdoadas, todos os pecados remidos, todo o passado branqueado. Há de andar por aí a rezar o credo, em latim, com a direita dos negócios a persuadir os eleitores de que é chique, é moderno, é a “Nova Esperança”.

Ao anunciar a recandidatura, no dia 7 de dezembro de 2020, Marcelo afirmou que iria prescindir do “direito de antena” tanto na televisão como na rádio, mas não sai do ecrã de nenhum noticiário, como PR ou comentador de amplo espetro.

O tempo de antena do PR torna mais obscenas as discriminações dos outros candidatos, em contexto de pandemia, sem campanhas de rua, contactos com eleitores e divulgação das atividades de campanha com igual tempo de antena.

Todos os atos do PR são agora atos de propaganda eleitoral do recandidato Marcelo no palco em que é o único e, no intervalo de mais de 80 testes à Covid-19, em obsessivos impulsos hipocondríacos, é notícia permanente, é um cartaz sonoro em movimento.

O PR merece a maior reprovação pela sua conduta beata, que fere a laicidade do Estado e a dignidade da instituição uninominal que há cinco anos ocupa, com as lambidelas aos anelões episcopais e genuflexões que lhe vergam a coluna e reduzem o valor simbólico de primeira figura do Estado.

Quem pensa que o PR vale mais do que um bispo e o beija-mão diminui a dignidade do cargo, não pode aprovar o exibicionismo beato do candidato Marcelo Rebelo de Sousa.

Na imagem, o recandidato, entre duas figuras poucos estimáveis, lambe gulosamente a mão do que não bate na mulher, mas aconselhou nas legislativas o voto no CDS ou no partido fascista, por serem os únicos compatíveis com a doutrina social da Igreja.


Comentários

SCarvalho disse…
Um pulha, é um pulha, é um pulha!
E disto nunca há-de passar.
Jaime Santos disse…
Agora, felizmente, não pode lamber nada que mesmo a Igreja já se convenceu de que dar beijos a anéis e a santinhos é uma grande porcaria...

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