O 4.º Pastorinho e o Pacote da Ministra do Trabalho

O 4.º Pastorinho e o Pacote da Ministra do Trabalho

Nunca pensei que o 4.º Pastorinho fosse capaz de enganar toda a gente, os comentadores e a Intersindical, os financiadores e os indefetíveis apoiantes, os partidos de esquerda e a IL, 56 dos seus deputados e, de forma particularmente cruel, o PSD e o defunto CDS.

A traição serve-se fria, e, quanto mais tarde, mais sangra a vítima. A Ministra Ramalho, o triunfante Hugo Soares, o sonso PM e a IL, já se gabavam do êxito, do mal que faziam aos trabalhadores, de irem além do que pediam as associações patronais, e passaram a sessão parlamentar a humilhar os partidos à sua esquerda, e a manifestar desprezo pelas associações sindicais, a Intersindical e a UGT.

Eis que o 4.º Pastorinho, que acompanhara os ataques à esquerda e se regozijara com as cedências a que obrigara o PSD, soube das sondagens que o colocavam à frente do Luís e da impopularidade dos desvarios do Governo, com os custos eleitorais que lhe trariam.

Há de ter-se lembrado da popularidade de Mussolini entre os trabalhadores, antes de ter chegado à divina presença sem ser chamado, e, confiante na sua gente, que vota tudo e o seu contrário à voz do Duce de Algueirão, resolveu estragar o Congresso para o qual o Luís tinha desafiado Passos Coelho, o Pedro.

Foi patético ver um Congresso com vastas parecenças com um velório, onde as vedetas ovacionadas foram as duas ministras mais tóxicas, Saúde e Trabalho, não por serem as mais populares, por serem as que mais castigam os portugueses, acompanhadas de Santana Lopes que regressa depois de ter falhado criar um partido contra o PSD.

Quando se pensava no sacrifício da ministra do Trabalho, assistiu-se à vingança contra os sindicalistas que se recusaram apoiar as malfeitorias do PSD, no seio da UGT. Foram afastados dos órgãos dirigentes.

Os trabalhadores não têm de agradecer ao Pastorinho, este é que lhes deve a cambalhota a que a ânsia de poder o obrigou, indiferente às palhaçadas e ao ridículo em que colocou os 56 acéfalos e indefetíveis seguidores, sempre prontos a agradecerem-lhe o emprego.

E, se o alívio fizesse barulho, ter-se-ia ouvido um estrondo no Palácio de Belém.

Após a derrota, até se sentirem os efeitos de quem governou desde o primeiro dia para eleições, o Luís vai ter de identificar melhor os problemas do País em vez de executar a política do Chega e de seduzir agora o PS, que tem usado como suplente, para o apoiar.

Comentários

Albino Manuel disse…
Não só. Enganou também o PS e a esquerda em geral. Como é que agora vão poder continuar a dizer que o PSD está feito com a extrema-direita?

No estado em que as coisas estão o PSD está num aperto: o Chega a tentar comê-lo - é ler Pacheco de Amorim - e o PS em sonso a tentar recuperar terreno.
O PSD estava feito com a extrema-direita. Esta é que o traiu.

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Non, ou a Vã Glória de Mandar…[*]