Reflexões sobre um mundo em guerra
Reflexões sobre um mundo em guerra
Há nos atuais líderes europeus uma tal insensibilidade
perante o sofrimento dos povos e tanta duplicidade nas emoções, segundo a
geografia, religião ou barricada dos algozes, que o abismo é o único destino.
O desprezo pela rápida degradação do ambiente, pela exaustão
de recursos e pelo futuro das gerações futuras é uma constante que a anestesia
coletiva consente. É incrível como se esqueceu tão depressa a guerra de 1939/45
e como se alimentaram velhos ódios e se aceitaram e estimulam nacionalismos
emergentes.
Enquanto a informação vai sendo substituída pela propaganda
e o maniqueísmo alastra, o belicismo domina os povos europeus, incapazes de se
revoltarem com a substituição das despesas com a Saúde, Educação e Segurança
Social por armas contra inimigos que a cada momento podem passar a ser outros.
A propaganda e desumanização transformam pessoas,
aparentemente normais, em seres amorais e cruéis. As vítimas são diferentes se
forem caucasianas europeias ou do Sudão, se nasceram em Gaza ou em Israel, se
são russas ou ucranianas, se pertencem aos países bons ou aos maus, consoante preconceitos
ideológicos, as perceções e a memória que a propaganda incute, ao ponto de se
regozijarem com a morte dos que odeiam.
Enquanto aguardamos a ampliação da tragédia que se desenrola
no Médio Oriente, com a civilização a soçobrar em sucessivas iniquidades, a
arte de matar ganha novos avanços para gáudio dos complexos militares da
indústria da guerra, arrastando o Planeta para o desastre e a vida humana para
a extinção. A paz é a única opção não equacionada.
Na melancólica reflexão sobre o Mundo, que parece girar numa
orgia de morte, surgem duas entidades que parecem transportar um módico de
sensatez e humanidade, apesar do aparente desprezo a que são votadas, a ONU e o
Vaticano.
António Guterres, pelos esforços desesperados a favor da paz,
e Leão XIV pela lúcida e empenhada análise na encíclica, Magnifica Humanitas,
sobre a Inteligência Artificial, o trabalho, a ética e as novas escravidões
merecem entrar no devocionário de quem ama a paz e não quer pertencer à última
geração do Planeta.
Estes homens não provam a existência de Deus, a mais absurda
das criações humanas, mas trazem uma réstia de esperança para repelir o Diabo
que nos espera, a outra criação que nos esforçamos por tornar real.
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