O Ministério Público e a democracia
O Ministério Público e a democracia
Há 47 dias, 14 de maio, o juiz Ivo Rosa enviou uma carta de
42 páginas ao PR, PGR e Provedor de Justiça com acusações que, a provarem-se,
mostram a subversão do Estado de Direito. O juiz acusa, sem subterfúgios, que
foi perseguido, difamado e constrangido, por retaliação às suas decisões
judiciais. E refere nomes!
Ser alvo de oito inquéritos-crime, escutado ao longo de
vários anos, vigiado e devassado na vida pessoal e com contas bancárias
esmiuçadas, sem se confirmar um único indício delituoso, revela que a
perseguição não resultou de um combate contra o crime, mas da atitude deliberada
de perseguir o visado, como a Pide fazia na ditadura.
É difícil imaginar que tão grosseiro ataque ao Estado de
Direito fosse levado a cabo sem o desatino da PGR Lucília Gago, o zelo de
procuradores e a cumplicidade dos juízes de instrução que permitiram e prorrogaram
sucessivamente as escutas e a perseguição.
Como é possível que, sob tutela do atual PGR, que Montenegro
foi buscar à reforma, se tentasse arquivar os inquéritos, negando o acesso ao juiz
Ivo Rosa, enquanto o principal suspeito da perseguição, o juiz Carlos
Alexandre, foi contemplado pelo Governo com um cargo, que lhe satisfaz o ego,
no Ministério da Saúde?
O desrespeito pelo Estado de Direito foi recentemente
manifestado pelo juiz Alexandre, que assumiu preferências, criticou políticos
do PS, António Costa incluído, sendo até sarcástico com António José Seguro,
por continuar a viver nas Caldas da Rainha. Que atrevimento!
Do presidente da AR, de quem não se espera grande coisa,
sabe-se que enviou a carta de Ivo Rosa à Comissão de Assuntos Constitucionais,
Direitos, Liberdades e Garantias, ou seja, para morrer aí. E do PR, o principal
responsável pela defesa da CRP e do Estado de Direito, ignora-se qualquer
decisão ou, sequer, a exigência de satisfações ao PGR!
António José Seguro não tem a perfídia nem o ativismo
partidário que caracterizaram o anterior PR. Por isso se lhe exige, na
magistratura presidencial, a assepsia que não podia esperar-se do irrequieto
Marcelo.
Não há guerras, terramotos ou vicissitudes da Seleção
Nacional de Futebol que possam adiar uma tomada de posição pública do PR, para
esclarecer as perseguições ao juiz Ivo Rosa, não só por ele, na defesa do
Estado de Direito, ferido pelo poder discricionário de alguns Procuradores e dos
seus cúmplices.
Finalmente, torna-se suspeito o silêncio da exótica
Associação Sindical de Juízes (ASJ), tantas vezes injusta e
desmesuradamente ruidosa, agora alheia à perseguição a um juiz e à defesa das
decisões judiciais sem coações, ultrajes que configuram um réquiem pela
democracia e a morte do Estado de Direito.
A democracia confiou a António José Seguro o seu seguro de vida. Não pode ser traída.

Comentários
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