A contrarrevolução permanente

A contrarrevolução permanente

O golpe de 7 de novembro de 2023, urdido em Belém com a PGR, Lucília Gago, levou à demissão do PM António Costa. E a contrarrevolução nunca mais parou.

As dissoluções sucessivas da AR, a desilusão com a política e o cansaço dos eleitores, a que o ativismo político do Ministério Público não foi alheio, alteraram profundamente a geometria eleitoral. E a contrarrevolução sofreu a aceleração a que assistimos.

Não fora a eleição de António José Seguro, cuja determinação na defesa da Constituição ainda está por provar, o regresso a um regime autoritário e neoliberal estaria garantido com o contubérnio do PSD e Chega cada vez mais sólido.

Espera-se que não tenha consequências a carta ao PR do juiz Ivo Rosa, juiz perseguido, durante anos, pelo Ministério Público e a quem continua negado o acesso aos processos de que foi alvo. Urge apurar as responsabilidades do PGR, Amadeu Guerra, amigo que o PM foi buscar à reforma, do juiz Carlos Alexandre, premiado com um cargo de poder no Min. da Saúde, e do procurador Rosário Teixeira, de idoneidade duvidosa. Foi o mais grave atentado à autonomia judicial, pós-25 de Abril, e um golpe no Estado de Direito.

Com o PM acossado com o caso Spinumviva e pelo antecessor Passos Coelho, a volúpia do poder leva-o a todas as cedências ao Chega, traficando no mesmo pacote, com André Ventura, as leis laborais, a Constituição da República e outras eventuais cedências.

É assustador o que se passa entre estes dois homens, com os partidos submissos, quanto a compromissos. A contrarrevolução permanente, uma espécie de trotsquismo de direita, naturalmente extremista, está em marcha. E só tem Belém como derradeira trincheira.

O que terá levado o PSD e o Chega a apresentarem um requerimento conjunto para a suspensão do prazo de entrega de projetos de revisão constitucional até 30 de dezembro e declararem vontade de concluir o processo até ao final da próxima sessão legislativa? Pior, o que levou o presidente da AR, Aguiar Branco, a optar por coonestar a negociata política, de forma tão grosseiramente inconstitucional?

A contrarrevolução passou a ser ungida por Aguiar Branco cujas funções lhe exigem a defesa da CRP. E está em part-time como deputado! Do que seria capaz em dedicação exclusiva um político tão pusilânime?!

Convém recordar que foi eleito PAR à 3. ª tentativa por generosidade do PS, depois de o Chega ter rompido o acordo, e não tardou a dizer de Pedro Nuno Santos, a quem ficou a dever o cargo, que «fez pior à democracia em 6 dias do que Ventura em 6 anos».

É com estes políticos pusilânimes e videirinhos, Montenegro e Aguiar-Branco, que está em curso a contrarrevolução, a reboque de André Ventura.

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