O Novo Banco e a pesada herança

Há quem recorde a ministra Maria Luís, uma promoção do aluno, ora catedrático, que exasperou Paulo Portas e o obrigou à provisória demissão irrevogável, a dizer que a resolução do BES não custaria um cêntimo aos contribuintes, o que a Dr.ª Cristas, de férias, logo apoiou, a partir da praia, pela confiança que lhe merecia a ansiosa amiga.

Claro que foi uma afirmação tão irresponsável com a do maior economista português, e um dos maiores de Boliqueime, a confirmar a solidez do banco de Ricardo Salgado, em cuja vivenda a sua primeira candidatura vitoriosa a PR foi gizada, durante um modesto jantar para quatro casais. Além do anfitrião e do protocandidato a PR Marcelo e Durão Barroso eram as cabeças pensantes que urdiram a infeliz candidatura vencedora.

O Dr. Carlos Costa, do Banco de Portugal, responsável pela venda, incumbiu, por cerca de 30 mil euros mensais, o Dr. Sérgio Monteiro, conhecido por secretário de Estado das Privatizações, com cadastro na matéria (ANA, CTT, TAP e CP Carga), para proceder à venda. O resultado foi a escolha do fundo Lone Star para tomar 75% do Novo Banco, a custo zero, com o Fundo de Resolução a assumir um “mecanismo contingente” que cobre até 3,9 mil milhões de euros em potenciais perdas com determinados ativos do ex-BES.
Parece que o fundo abutre comprador, se agarra ao “mecanismo contingente” como as carraças aos cães.

Compreende-se que o PSD faça questão de chamar o ministro das Finanças à AR e diga que Mário Centeno tem que se "responsabilizar pela situação".

Na impossibilidade de punir os carrascos, pagam as vítimas. E vítimas somos todos nós.

Comentários

e-pá! disse…
As audições parlamentares de antigos governantes tornaram-se num penoso processo de diversão. Ou não se lembram ou não foram eles. Não passam de fait divers.

Na realidade, a situação do Novo Banco está a tornar-se insuportável para o País e ameaça esgotar a paciência de qualquer um (cidadão).

Urgente será reverter a 'solução' encontrada (que não precisa de audições para ser classificada de infame) e estancar - desde já - o tal 'mecanismo de contingência' - um autêntico poço sem fundo.

Ainda não percebi o que aconteceria se perante o ultimatum da Administração do Novo Banco (da confiança da Lone Star) o nosso governo afirmasse (como o fez recentemente em relação a outros assuntos): não há dinheiro!

Sobre 'novas' soluções ficamos à espera dos alvitres da Direita que, em devido tempo (quando governava), recusou a nacionalização do ex-BES.
A Direita tem a oportunidade de demonstrar que sabe fazer mais alguma coisa do que privatizar (com os custos e os riscos para o erário público).
Espero que a Direita tenha chamado o Ministro das Finanças ao Parlamento para lhe comunicar a 'solução' (outra que não a 'resolução' de 2014). A ver vamos o que diz a Srª. Cristas...
Jaime Santos disse…
Bom, o problema da falência dos Bancos é que nunca sabemos o que vem atrás. Bush e Co. deixaram o Lehmann Brothers falir e depois foi preciso acorrer ao sistema financeiro inteiro. Tivessem eles inundado aquilo de dinheiro e talvez não estivéssemos no sarilho presente (ou talvez as coisas estourassem mais tarde de forma ainda mais gravosa). O mesmo se pode dizer de Merkel e Sarkozy. Tivessem eles beneficiado o infrator (a Grécia) e se calhar estaríamos bastante melhor do que o que estamos.

Os Profs, Enfermeiros, etc, etc, se não forem aumentados, não são causa de risco dito sistémico. Os bancos têm uma arma apontadas às nossas cabeças, pura e simplesmente...

É isto iníquo? Claro que é. Só que fazer o que está certo pode não ser a atitude mais inteligente...
e-pá! disse…
Um outro problema é que hoje menos de 10% da banca existente no nosso País é portuguesa - em franco contrate com o que acontecia antes de 2008 (da crise financeira).
Vamos ver o que sucede se acaso - longe vá o agoiro! - acontecer outra crise financeira e em que medida os portugueses vão continuar a ter de 'salvar' bancos (estrangeiros).
Ou existirá na UE uma União Económica e Monetária capaz de proteger universalmente (sem descriminação de Estados) os cidadãos europeus carreando a(s) responsabilidade(s) para o Banco Central Europeu (BCE)?
Em tempos falou-se de uma 'União Bancária' que entre outros atributos teria o objetivo de: "evitar situações em que o dinheiro dos contribuintes é utilizado para salvar bancos em situação de insolvência..."

Será que a resolução gizada em 2014 em relação ao BES, supervisionada pelo BdP, BCE e governo de Passos Coelho, foi desenhada neste contexto?
Se assim foi o que falhou?
Ou terão falhado, mais uma vez, os bancos que não capitalizaram suficientemente o redentor 'Fundo de Resolução' para ocorrer às insolvências? Será o dito Fundo 'um faz de conta'?
Ou o Fundo de Resolução é o novo mecanismo para os contribuintes 'salvarem' os bancos iludidos que estão a salvaguardar putativos 'interesses públicos'?

Uma UE capaz de - a partir de Bruxelas, Estrasburgo ou Frankfurt - emitir normativos que regulam os mais ínfimos aspetos da vida quotidiana será incapaz de edificar uma União Económica e Monetária que sirva os interesses dos cidadãos?
Não será necessário 'inverter a lógica'?.
Colocar as instituições (financeiras, p. exº.) a protegerem os cidadãos e não o inverso?

Não seria este um bom assunto para (re)discutir na campanha eleitoral para o Parlamento Europeu?
Jaime Santos disse…
Segundo julgo saber, o BES foi o primeiro banco na UE objeto de resolução. Eu não percebo nada do assunto, mas digo muito claramente o que teria preferido, um aumento de capital por parte do Estado que tivesse promovido um 'squeeze-out' da família Espírito Santo e depois deveria ter-se dado tempo e recursos suficientes a Vítor Bento para recuperar o banco e tentar depois vendê-lo, de preferência com o retorno de algum do capital investido ao Estado.

Sem subterfúgios, com a fatura dos 11.000 milhões à cabeça e sem tretas de que a 'resolução iria custar zero aos contribuintes' quando o fundo bancário não tem cheta (Costa ainda anda a dizer isto!!)...

Se tenho que pagar pelo menos não tentem fazer de mim parvo...

Obrigaria tal coisa a assumir todas as dívidas e disparates do BES? Sim, mas é preciso não esquecer que o Estado foi processado pelos lesados, grandes e pequenos, e que a Blackrock simplesmente deixou de comprar dívida pública portuguesa até lhe resolverem o problema dos seus créditos. Eu teria feito exatamente o mesmo, faltas à palavra, não levas nem mais um chavo.

Isso teria mostrado que o Estado tem a dita palavra, depois das múltiplas declarações de políticos sobre a solidez do BES, a começar pelas do Sr. Silva, que um infortúnio (leia-se a estupidez pegada da nossa Direita) fez PR por duas vezes...

Quanto ao facto de agora a maioria dos bancos já não serem Portugueses, com franqueza, é para o lado que durmo melhor. O capitalismo rentista nacional dos Salgados e quejandos que vive à sombra do Estado é tão mau que venham os estrangeiros (já me preocupa o facto da REN ou a ANA estarem em mãos de estrangeiros, em particular a primeira, dado que o seu dono é uma empresa estatal chinesa).

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