Montenegro (Luís), o PSD e a Festa do Pontal /2026
Montenegro (Luís), o PSD e a Festa do Pontal /2026
A Festa do Pontal foi um ritual vazio de conteúdo que
Montenegro, ferido na ética e na governação, não pôde preencher para o tornar o
momento alto de propaganda do PSD e galvanizar os militantes.
Sem as figuras emblemáticas, Leonor Beleza e Marcelo, e vedetas
mediáticas, Cavaco Silva, Alberto João Jardim e Santana Lopes, e sem Passos
Coelho, putativo sucessor de Montenegro, foram inúteis os ministros,
secretários de Estado, deputados e a tralha que lhe deve os cargos para animar
as hostes desiludidas com o seu governo. Nem as críticas agressivas à oposição,
outrora momentos de euforia coletiva, lograram animar a malta.
Há muito que a Festa do Pontal é uma espécie de Tea Party
português, sem as finíssimas tias de Cascais e figuras relevantes da cultura,
ciência ou negócios. Tinha momentos de êxtase quando o poder se avizinhava ou
havia êxitos do Governo para celebrar. Agora já estão exauridas a folga
orçamental e as cativações deixadas pelo PS. Esgotados o brilho que o Orçamento
Medina permitiu em 2024 e no ano seguinte, restam suspeitas, más decisões,
batizadas de reformas estruturais, e desorientação. Nem os ataques à oposição
tiveram brilho e animaram as hostes que ali foram aplaudir o Luís.
Chamou censura à liberdade de imprensa, enalteceu
involuntariamente a privatização da TAP, que agora recupera boa parte do
capital investido para a salvar e manter empregos, em tardia e involuntária
homenagem a Pedro Nuno Santos. Dos saltinhos de Moedas ou dos braços abertos
das ministras, para baterem palmas, que caíam sem oportunidade, só restarão as
imagens na gravação vídeo do evento.
Quarenta e oito horas depois já foram esquecidos os quarenta
e oito minutos do discurso a reprometer o Hospital do Algarve, o regresso da
Fórmula 1 e a corrida de motos entre magros anúncios de pouca coisa e espesso
silêncio de grandes e perigosas decisões para o futuro do País, sobre fragatas,
aviões militares, Saúde e Segurança Social.
O ministro da Educação e o MAI foram afastados, e os média esqueceram
os programas perniciosos das ministras do Trabalho e da Saúde e as gravíssimas
suspeitas sobre o ministro das Infraestruturas e privatizações cujos despachos,
como vereador de Cascais, estão sob o escrutínio do
Ministério Público e a interessada
proteção do Hotel Hilton.
O Luís não zurziu as oposições com o fulgor do primeiro ano
de governo. O PSD dorme agora com o Chega, e todos sabem que foi ele o
proxeneta! Na Quarteira, viveu o sonho de governar durante uma década sem
perceber que é a estrela cadente que se apagou.
O Luís julgava-se líder nacional, capaz de brilhar na Europa
e no mundo, e regressou à dimensão de Espinho. Queria ser um novo Sá Carneiro do
PSD e durar como Cavaco, e acabou como Miguel Albuquerque da República, na
ética, na suspeição e nos negócios, a prometer um surpreendente fundo soberano
sem recursos, explicações e coerência.
As palmas só vieram no fim. Não foram aplausos, foram uma
manifestação de alívio.

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