Guerra na Ucrânia

Um mapa que peca por defeito para ajudar à sua compreensão.
Guerra entre a NATO/UE ea Rússia

 

Comentários

Carlos Antunes disse…
A questão que contrario é a argumentação, geralmente apresentada a coberto de grandes raciocínios estratégicos e geopolíticos, para justificar a invasão da Ucrânia como o direito da Rússia de se defender do cerco da NATO, que, imponderadamente, teria levado demasiado longe as suas fronteiras (os mapas por si só não conseguem explicam a realidade).
Trata-se de uma posição que carece de argumentos consistentes e bem fundamentados sobre a NATO e o sistema de defesa da Europa. Para entender o sistema de defesa da Europa Ocidental, será bom lembrar que os países do antigo espaço de influência soviética (Pacto de Varsóvia) que aderiram à NATO no final dos anos 90 e já neste século, poderiam ter soberanamente optado por uma aliança com a Rússia.
Com efeito, Moscovo havia criado uma estrutura militar paralela à NATO, em 1992, conhecida pelas iniciais CSTO - Organização do Tratado de Segurança Colectiva. Ora, na parte europeia, apenas a Bielorrússia e a Arménia fizeram essa opção, aos quais se juntaram apenas três países da Ásia Central, as antigas repúblicas soviéticas do Cazaquistão, Quirguistão e Tajiquistão.
Os outros países, e são vários, ou ficaram de fora (Suécia, Finlândia, que apenas aderiram no pós-invasão da Ucrânia) ou preferiram a Aliança Atlântica, pelo que o chamado alargamento da NATO foi, na realidade, o resultado de uma série de decisões democráticas nacionais soberanas.
Que autoridade, têm aqueles que são contrários ao alargamento da NATO para dizer aos povos polaco, letão, romeno ou búlgaro, que não deveriam ter feito a escolha que fizeram?
A verdade é que estes países com fronteiras encostadas à Rússia (países Bálticos, Polónia, Eslováquia, Hungria, Roménia, Bulgária), reconheceram que precisavam de uma defesa sólida, não tendo alternativa para essa defesa vital da sua soberania (como Estados independentes e democráticos) que não fosse a adesão à NATO, à qual entretanto aderiram e de que fazem parte integrante. Tal foi fundamental para garantir a consolidação dos regimes pluralistas democráticos destas jovens democracias europeias e resolveu o dilema de segurança destes países face ao imperialismo russo de Putin.
Outros países como a Geórgia e a Ucrânia porque não conseguiram aderir à NATO – é bom lembrar que na Cimeira da NATO de Bucareste de 2008, a Geórgia e a Ucrânia que tinham manifestado a intenção de aderir à NATO viram os seus pedidos recusados – voltaram a ser vítimas do imperialismo russo e de agressões à sua integralidade territorial, a Geórgia com as independência das autoproclamadas repúblicas da Ossétia do Sul e da Abecásia, e a Ucrânia com as das regiões separatistas de Donetsk e Luganssk e a anexação da Crimeia em 2014, e em 2022 com a invasão da própria Ucrânia.

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