Ministério da Saúde
Ministério da Saúde
A mais injusta acusação que pode fazer-se a Ana Paula Martins
é a de incompetência. A ministra está a fazer o que dela espera o PM, a
satisfação dos interesses que aguardam a falência do SNS para saciar a gula
privada.
Quem perde é a generalidade dos portugueses, com uma
medicina para ricos e outra para pobres.
Quem se recorda da criação do SNS, sabe que uma parte do PS
e todos os partidos à sua direita, especialmente entre os médicos, não gostaram
do SNS gratuito e universal.
Desde que Cavaco Silva introduziu e integrou formalmente na
base legislativa do SNS o setor privado, o assalto ao orçamento da Saúde e a sua
parasitação pelos privados nunca mais parou, muitas vezes com a cumplicidade do
PS.
Já poucos se lembram do então comentador Marcelo Rebelo de
Sousa a afirmar que não era justo que ele, que podia pagar a sua saúde,
beneficiasse da gratuitidade dos cuidados que o SNS dispensava a todos os
portugueses. A ideologia é tramada!
Foi assim que sub-repticiamente chegámos aqui, com o país
abúlico e os portugueses a deixarem-se vencer pela ansiedade e pelo medo.
A qualidade do SNS ainda não se degradou, mas a escassez da
resposta e a dificuldade de acesso não param de agravar-se.
A aceleração da transferência de recursos para os privados e
Misericórdias acentua-se. O governo persiste na execução de um programa escondido
para o desmantelamento sistemático do Estado social, enquanto executa projetos megalómanos
de armamento e amplia a submissão nacional a interesses alheios aos
portugueses.
A revisão da Constituição, já acordada com o Chega, é o
golpe final que se prepara para o ajuste de contas com o 25 de Abril. O PR é o
único órgão que pode opor-se, mas o seu silêncio violento, perante os desmandos
em curso, cria perplexidade e angústia.
Não é apenas o Estado social que está em perigo, é a própria
democracia que se esvazia se o povo não acordar desta letargia que tem
permitido o empobrecimento dos direitos, liberdades e garantias que a Constituição
consagra.
Acredito que surja um sobressalto cívico para travar a
deriva neoliberal do governo e a submissão à agenda das forças à sua direita,
com as quais se confunde.
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