Queremos terminar o trabalho”

Por Onofre Varela

Foi há um ano. A imprensa do dia 26 de Agosto de 2025 reportou o trágico acontecimento perpetrado por Israel em Gaza. Por duas vezes consecutivas o exército israelita atacou com drones-bomba o Hospital Nasser situado na Franja de Gaza, provocando 20 mortos, dos quais cinco eram jornalistas.

A táctica era essa: a primeira bomba produzia vítimas que, de imediato, eram socorridas por para-médicos e tinham a presença de jornalistas. A segunda bomba tinha a missão de assassinar os socorristas e os técnicos de informação.

Vídeos mostraram claramente os socorristas a ocorrerem ao primeiro ataque na tentativa de salvarem feridos, e a segunda bomba israelita a cair sobre o mesmo local na intenção de liquidar os salvadores e os jornalistas que acorreram para reportarem o facto. As imagens deram a volta ao mundo chocando todos quantos viram o assassinato premeditado pelo exército judeu.

Então, Benjamin Netanyahu emitiu um comunicado de imprensa apresentando desculpas pelo sucedido… pedido patético!… Falso pedido de desculpas rotulando de “trágico acidente” o acto terrorista acabado de ser praticado com propósito pelo exército israelita contra o povo palestino, dessa vez tendo como alvo um hospital. No seu pedido de desculpas Netanyahu reiterava que Israel “valoriza o trabalho dos jornalistas e do pessoal médico e de todos os civis”… como se o mundo não percebesse a mentira do chefe dos assassinos fardados de soldados.

Com tal comunicado Netanyahu não fez mais do que sublinhar a sua crueldade, pois ninguém acredita na franqueza das palavras de quem está apostado em fazer aos palestinos aquilo que Hitler não conseguiu fazer aos judeus: a sua extinção através de genocídio.

Hoje, um ano passado, Gaza está destruída e os colonatos israelitas na Cisjordânia são ninhos de víboras para os palestinos que são visitados em suas casas durante a noite (como fazia a Pide) para serem pilhados, agredidos e mortos. “Queremos terminar o trabalho”, dizem os militares israelitas que protegem os colonos na pilhagem que fazem do povo palestino.

Há um ano o discurso dos chefes de Estado sobre o acontecimento foi igual ao que hoje o mundo continua a debitar perante Israel agressor de um povo desarmado. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a agressão israelita é intolerável. Alemanha e Espanha condenaram Israel, mas já lá vai um ano e as agressões continuam. E Trump (a maior anedota da colecção de cromos dos idiotas mundiais) disse algo como: “temos que terminar com este pesadelo”… mas apoia Israel na sua prática assassina.

As violações ao Direito Internacional são constantes, o que nos diz que em matéria de Direito não há organização mundial que obrigue ao respeito pelos povos, por muitas leis que sejam redigidas nesse sentido, mas que nunca são cumpridas.

Um ano após este atentado, o caso não está desactualizado. Está mais actual que nunca porque ele continua a ser repetido diariamente em teatros de guerra por esse mundo fora, com os seus autores impunes. 

Este mundo não é para ser habitado por pessoas de bem...



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