Portugal, as bancarrotas e a direita

Portugal, as bancarrotas e a direita

Quando à iliteracia financeira se junta a maldade e o interesse das elites não vale a pena desmentir a gritaria designada por voz popular. Ninguém ouve o que não quer ouvir.

Dizer que em Portugal houve oito (8) bancarrotas ao longo da sua História e que todas, repito, todas, ocorreram na monarquia, não surpreende as cabeças pensantes da direita, e deixa estupefacta a turba de ignorantes que leu, ouviu e repetiu a mentira que usa como arma de arremesso contra a esquerda.

A primeira bancarrota aconteceu em 1560, durante a regência de D. Catarina, viúva de D. João III, e a última em 1892 no reinado de D. Carlos, resultante do endividamento do Fontismo, o período em que Fontes Pereira de Melo, que dá o nome a uma avenida de Lisboa, procedeu a vultuosas despesas em obras públicas.

O primeiro orçamento sem défice aconteceu na República, pasme-se, no ano económico de 1913-1914, com Afonso Costa como chefe do Governo e ministro das Finanças. Não interessa se essa é mais uma razão para a direita odiar esse grande vulto da República.

Em ditadura é mais fácil conseguir Orçamentos equilibrados. A polícia encarrega-se de reprimir quem reclame da fome, da doença e do sofrimento.

Em democracia, o que aconteceu em Portugal foi a necessidade de recorrer três vezes à assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI). É ocioso explicar que a última, que atingiu Portugal, era inevitável e cairia sempre sobre o governo de turno.

Teve origem na crise cíclica do capitalismo, nasceu nos EUA com a crise das hipotecas imobiliárias e culminou na falência do Banco Lehman Brothers. Para quem explora a mentira e o ressentimento sem pôr em causa o sistema económico é intolerável a explicação. Na guerrilha partid
ária uma multidão de néscios continuará a acusar o PS de responsável por três “bancas rotas”, sem aprenderem, pelo menos como se escreve a palavra bancarrota cujo plural é bancarrotas.

Na História, fica o primeiro governo de António Costa em que o ministro das Finanças, Mário Centeno, deixou o nome ligado ao primeiro superavit da democracia, a que se seguiram outros até ao fim dos governos do PS, a que Marcelo e Lucília Gago puseram termo, e o primeiro, o único da AD já executado, (OE/2025).

Como a memória é curta e o ruido da propaganda se sobrepõe à argumentação, deixo um recorte do DN referente ao dia de hoje no ano de 2014.

Para terminar, lembro aos meus leitores, sobretudo aos que lançam atoardas e calúnias contra a esquerda, que todos os escândalos financeiros que nos coube pagar, e continuaremos a pagar BPN, BPP, BES e Banif, aconteceram sempre no ecossistema da direita.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Non, ou a Vã Glória de Mandar…[*]