90.º aniversário do massacre de Badajoz (14-08-1936)
90.º aniversário do massacre de Badajoz (14-08-1936)
Foi dos horrores mais sinistros cometidos pelos homicidas de
Franco no início da sublevação que derrubou a República espanhola.
O governo legal tinha contra si o fascismo, que se expandia
na Europa, e a feroz hostilidade da Igreja católica. A sublevação, além de
apoiada por Hitler, Mussolini e Salazar, foi abençoada pelo Vaticano que
concedeu o carácter de Cruzada às forças rebeldes e jamais quebrou o silêncio
perante as atrocidades dos seus Cruzados.
Em Badajoz, após violentos combates, iniciados no dia 12, os
resistentes renderam-se a 14 e foram logo fuzilados pelas tropas sublevadas,
comandadas pelo general Juan Yagüe, que, após a guerra civil, viria a ser
ministro da Força Aérea de Franco. Ficou conhecido como «o carniceiro de
Badajoz».
Os historiadores admitem que possam ter chegado a 4.000 (10%
da população da cidade) as vítimas do massacre, sumariamente fuziladas e cuja
investigação foi impedida.
Como nota de nojo pelo regime salazarista, deve
acrescentar-se que a GNR prendeu as vítimas que se refugiaram do lado de cá da
fronteira e entregou-as para serem fuziladas, enquanto os sediciosos foram
protegidos em solo português antes da rendição.
Fez ontem 90 anos. Sobre a efeméride reinou o mais lúgubre
silêncio dos dois lados da fronteira.
A Espanha ainda sangra e a família Bourbon mantém-se muda. Mas o que surpreende é o silêncio das populações dos dois países ainda democráticos. É a amnésia coletiva que nos vai levando de regresso ao passado que devíamos exorcizar.

Comentários