Deixemos trabalhar o Luís… embora nos arrependamos.
Deixemos trabalhar o Luís… embora nos arrependamos.
Informou o luminoso Sol, que o Luís veio em socorro de Nuno
Melo, manifestando-lhe solidariedade no processo instaurado “a jornal online,
André Ventura e Pedro Frazão”.
Interroguei-me sobre o que teriam dito o 4.º Pastorinho e o robusto
líder parlamentar do Chega para enxofrarem o irascível Nuno Melo, líder do defunto
CDS que o Luís levou a eleições para manter a marca AD. Afinal, lançaram
suspeitas sobre o ministro da Defesa e o próprio CDS, sobre “negociatas” e “eventuais
desvios de dinheiro” na compra das fragatas a Itália, com o insignificante
custo de 3,9 mil milhões de euros!
Depois da compra dos submarinos por um ministro da Defesa, do
CDS, com comissões de 1 milhão de euros, provadas na Alemanha, e cujo processo foi
arquivado em 24 horas pela PGR Joana Marques Vidal, a dúvida percorreu todo o
espetro político português, e Nuno Melo exigiu um pedido de desculpas ao
partido com quem comunga ideias.
Para o atual CDS, o Chega é a sua referência ideológica. Por
isso Nuno Melo se irritou, mas ao ver o Luís vir em sua defesa, com esta frase:
«A lei e a decência pública deve-se [sic] aplicar a todos» não contive uma
gargalhada, pelo autor, pela rudimentar gramática e pelo conteúdo. Nem o
sorriso sonso e escarninho me irritou. O Luís tem um conflito tão insanável com
a gramática, como com a ética.
Se algum leitor conhecer o Luís peço que lhe ensine a frase
correta: «A lei e a decência pública devem-se aplicar a todos» ou mais elegante,
seria exigir demais, «A lei e a decência pública devem aplicar-se a todos». Mas
dito por ele, quem resistiria a uma boa gargalhada?
Quanto às fragatas, não é motivo para rir, é a herança que o
Luís
e o Nuno Melo deixam às gerações que começarem a pagar os juros e a
amortizar o capital.
Se não fosse a gramática, se não me distraísse com a
concordância gramatical, a pensar que a lei e a decência «devem» aplicar-se a
todos, que a lei e a decência exigiriam que o verbo fosse conjugado na terceira
pessoa do plural, se o autor da frase não fosse um singular calino, teria
pensado que era uma confissão de arrependimento por um católico que foi a
Fátima empunhar uma velinha na Procissão das Velas.
Se fosse uma confissão de arrependimento pelas violações da
lei e da decência, não lhe faltaria um padre para o absolver depois da promessa
de não mais pecar e de cumprida a penitência com a reza de um ato de contrição
e uma novena.

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