Pedro Sánchez, Meloni e a União Europeia (UE)

Pedro Sánchez, Meloni e a União Europeia (UE)

Quando Trump ofendeu Meloni, de forma soez e marialva, dizendo que implorara uma fotografia com ele, o PM espanhol Sánchez foi o primeiro governante a expressar-lhe solidariedade pública.

Agora, quando Sánchez enfrentou a provação em Ceuta, com apoio de Trump, que, na sua animosidade à UE, considera Ceuta território marroquino, o ataque de Meloni ao governo de Espanha foi especialmente chocante.

Não foi apenas a patifaria, de motivações eleitoralistas, que revelou o carácter da PM italiana, foi o recurso a um pretexto falso, o risco desses imigrantes chegarem a Itália, quando Ceuta fica em África e permanecem impedidos de chegar à Europa.

Meloni suspendeu o acordo Schengen com Espanha e apelou à exclusão de Espanha do espaço Schengen. Foi um ato gratuito que galvanizou toda a extrema-direita europeia, enquanto em Espanha era organizadas manifestações a exigir a demissão de Sánchez.

É justo realçar que António Costa, no X, foi rápido a solidarizar-se com Espanha, logo no dia 31 p.p.: «Expresso a minha solidariedade com Espanha na atual situação de migração ilegal em Ceuta», ao contrário da quase totalidade das chancelarias da UE.

Foi quase a exceção, bem honrosa na UE onde Itália e Finlândia apelaram à suspensão do acordo de Schengen e, com mais vinte países, solicitaram uma reunião extraordinária dos ministros da Administração Interna dos 27 estados-membros com uma carta ignóbil a pedir a exclusão de Espanha. Registe-se a excitação da Dinamarca, que teve de Sánchez a solidariedade imediata quando Trump ameaçou a Gronelândia.

Amainada a borrasca, não faltaram felicitações, inclusive da Sr.ª Von der Leyen a reiterar o apoio da Frontex e da Europol, o que devia ter acontecido antes.

Quando os países europeus mais vulneráveis à imigração ilegal são a Grécia e a Itália, o ataque a Sánchez não pode ser desligado da política externa de Espanha, dos interesses geoestratégicos dos EUA, da cumplicidade da extrema-direita europeia e do mimetismo que esta exerce na direita tradicional.

O que se passou em Ceuta não foi um problema migratório, foi a vingança de Trump e Netanyahu contra a posição de Sánchez em relação à Palestina e aos gastos em armas no seio da Nato, com a cumplicidade de reino de Marrocos cuja ambição territorial sobre Ceuta e Melilla é antiga e ora estimulada por Donald Trump, que já tem o nome numa autoestrada de mil km no reino aliado dos EUA e de Israel.

Os marroquinos, após ameaça e chantagem do reino a Espanha, em obscena indiferença pelos mortos que o mar tragou, regressaram. Restaram os infelizes que as máfias trazem do Mali e Senegal criando um problema humanitário a Espanha em que a solidariedade europeia falhou.    

A reunião dos ministros da Administração Interna terminou com a vitória de Espanha e o reconhecimento do mérito de Pedro Sánchez para a resolução da situação.  

Pedro Sánchez está para a UE como Lula da Silva para a América do Sul. É hoje o mais sólido baluarte, quiçá o único, contra o avanço da extrema-direita.


Comentários

Manuel M Pinto disse…
https://www.abrilabril.pt/internacional/frontalidade-espanhola-perturba-o-pensamento-unico
"O actual ataque a Espanha usando seres humanos pobres e sujeitos a terríveis sofrimentos como carne para canhão é mais um exemplo do indigno arsenal de combate desenvolvido pelo imperialismo, e o Ocidente em geral, para impôr os seus interesses autocráticos."
O Ocidente com a cumplicidade do aliado de Israel e EUA, alegado descendente de Maomé.
mensagensnanett disse…
Falar em Ceuta... é atirar areia para os olhos!...
Sim:
---> O PATIFE EUROPEU QUE SE ENTENDA COM OS NAZIS QUE QUEREM O MUNDO SÓ PARA ELES!
(os supremacistas demográficos)
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O patife europeu:
-> há 500 anos com um discurso de ódio para com os povos autóctones que reivindicam a liberdade de ter o seu espaço e prosperar ao seu ritmo;
-> há 500 anos a projetar negócios de roubo&pilhagem;
-> há 500 anos a projetar a existência de outros como fornecedores de abundância de mão-de-obra servil.
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Os Identitários reivindicam o regresso da liberdade ao planeta:
--->>> povos autóctones dotados da liberdade de ter o seu espaço, explorar as suas riquezas naturais, prosperar ao seu ritmo!
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Isto é: os globalization-lovers, os UE-lovers, etc, que fiquem na sua... respeitem os Direitos dos outros... e vice-versa.
-» SEPARATISMO-50-50!
-----> Sim! A História não começou há 500 anos!

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