O Dr. Luís Neves e o Ministério da Administração Interna

O Dr. Luís Neves e o Ministério da Administração Interna

Tenho uma excelente impressão do Dr. Luís Neves e penso que lhe somos devedores da eficiência e prestígio nacional e internacional que a PJ acrescentou no período em que foi seu Diretor. A PJ é uma polícia altamente competente e confiável, e foi profícua a sua passagem pelo cargo.

Dito isto, penso que o MAI, Luís Neves, é o único que não percebeu que está a erodir o prestígio que lhe resta do que granjeou à frente da PJ, e que a sua permanência no atual cargo, compromete o prestígio da polícia que dirigiu.

Pode estar a ser vítima de vingança, mas o que veio a público depois das atabalhoadas entrevistas que deu a vários canais televisivos, logo a seguir às primeiras suspeitas sobre a sua conduta, torná-lo-iam ativo tóxico para qualquer governo que não tivesse como bitola ética o comportamento do PM, Luís Montenegro.

Para benefício pessoal e, sobretudo, para não arrastar a PJ e obrigar o PR a justificar-se sobre o silêncio que tem o dever de manter, mas que o país não compreende, deve pedir a demissão imediata, sem esperar pelo fim da época de incêndios.

Quem viveu em ditadura defende naturalmente que os jornalistas escrutinem os atos dos governantes e é o que os média têm feito. Pode repugnar a espera à porta do ministro e a devassa à vida particular por uma jornalista, a lembrar o que uma sinistra polícia fazia, mas o limite do interesse público cabe à própria estabelecê-lo.

Não é o atual governo que está em causa, há muito sem condições éticas para se manter, é a democracia que está a sofrer enquanto um adversário do regime já sonha ser PM.

O 4.º Pastorinho, cujo silêncio sobre o assalto ao gabinete na AR se torna cada dia mais suspeito e que, apesar da gravidade, parece ter sido abandonado pelos média, encontrou no caso Luís Neves um excelente motivo para explorar e aumentar o ruído. E é natural que, com Luís Neves ainda na PJ, já estivesse averiguado se foi dissimulação a invasão ao seu gabinete na AR.

Na destruição da sede em Évora, num edifício de três andares, não será possível simular o incêndio do Reichstag, mas a necessidade de vitimização e a capacidade de a explorar, encontram no Pastorinho um exímio artista.

Por mais injusto que seja o encarniçamento persecutório, por mais estranha que seja a agenda mediática e útil a sua manutenção no cargo para desviar atenções dos ministros das Infraestruturas, Educação, Trabalho e Saúde, aliás, de todo o Governo, é de elementar salubridade apresentar ao PM a sua demissão na próxima segunda-feira.

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