Portugal, a Silly season e o Luís

Portugal, a Silly season e o Luís

Já não há nenhum mês tão silly como antigamente e, por mais que pareçam silly todos os meses, é inglório o esforço para reabilitar o período de veraneio.

O Luís prometeu ficar a trabalhar e o país tremeu de pavor com a ameaça. Valeu-nos o Correio da Manha, um órgão cujo til é adereço redundante, a tranquilizar a Pátria com fotos dos dois sócios, o Luís e o Hugo, a mergulharem nas mansas ondas do Algarve.

A bem dizer, não são férias. Para gestores imobiliários o Algarve é local de trabalho, o sítio para encontrar colegas e clientes, indigno de quem considera a Pátria demasiado pequena para tão ilustres peitos lusitanos.

Há de ter sido um regalo vê-los desaparecer nas ondas, com um alívio logo desmentido. Eles sabem nadar, o Hugo voltará sem perder a pulseirinha que lhe serve de amuleto e o Luís, exímio atleta, é hábil a navegar em terra, mar e ar.

Enquanto os dois sócios trabalham em calções de banho, em Lisboa o MAI derrete com a canícula e é incinerado em todos os noticiários por comentadores que não tiram férias; o ministro da Educação acompanha-o a caminho da defunção, com professores, alunos e pais a vociferarem, enquanto o governante continua asfixiado com fotocópias de que se perderam os originais com que quis modernizar o ensino chamando-lhes digitalização.

O pior é o que rumina a ministra Ramalho, ansiosa por desmantelar a Segurança Social e precarizar o emprego; e o que vai fazendo a homóloga da Saúde, a entregar à sorrelfa o SNS aos privados e às Misericórdias.

O Luís e o Hugo estão a coordenar a Pátria em calções, à espera do dia 14 de agosto, em que um reparador gim com gelo os aguarda no Calçadão de Quarteira com aplausos dos devotos antes de ouvirem o inventário do que o País lhes deve.

Em Lisboa o PR continuará em abstenção violenta a assistir à desagregação do Governo com a paciência de um monge copista, à espera de dar posse a novos governantes com o Luís a manter-se à tona e o Hugo confiante de que aquela pulseirinha pirosa é um trevo de quatro folhas. 


Comentários

Mensagens populares deste blogue

O Sr. Duarte Pio e o opúsculo

Non, ou a Vã Glória de Mandar…[*]