A ditadura fascista e a perda coletiva da memória
A ditadura fascista e a perda coletiva da memória
Em 25 de Abril de 1974 foi derrubada a ditadura fascista. Os
próceres do regime, após o susto inicial, adaptaram-se à democracia. aguardando
a desforra que só agora chega.
Os Pides eram todos escriturários, os bufos extremosos pais
que arredondavam o salário com informações sem importância e os juízes dos Tribunais
Plenários excelentes juristas em comissão de serviço para uma promoção mais
rápida.
Com o decorrer do tempo o fascismo passou a ditadura, para
depois ser designada como mero regime autoritário. Agora, perdida a vergonha e
a memória, já regougam aí alguns crápulas que era, apenas, um regime diferente,
o outro regime.
Os cúmplices ainda vivos fazem a apologia do biltre que
transformou o País em quinta e os portugueses em emigrantes, e há um novo
partido para integrar os saudosistas e os que não fazem ideia do que sofreram
os portugueses sob o fascismo.
A guerra colonial passou a guerra do Ultramar e os soldados
mortos, vítimas da guerra injusta e criminosa, a heróis do ultramar. Os crimes contra
combatentes das forças de libertação de Angola, Moçambique e Guiné transformaram-se
em ações patrióticas de manutenção de paz e os assassínios, sob tortura, em
atos de legítima defesa.
E, assim, numa lenta evolução semântica, o crime virou
cumprimento do dever e os seus autores são glorificados como heróis da Pátria.
Foi esta incúria que corroeu a honra, sepultou a memória e
conduziu à absolvição dos crimes da mais longa ditadura europeia. Salazar é
hoje um crápula de rosto humano, um verme exumado para vergonha do país que não
teve a coragem de o julgar.
Agora, quando morrem os seus serventuários, a Pátria fica de
luto e a honra de férias.
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