A Europa e a Catalunha…
Depois dos resultados obtidos nas eleições de 21 de dezembro, realizadas na
Catalunha, qualquer cidadão europeu – ao que é suposto esta região faz parte da
Europa – está à espera que Mariano Rajoy declare a sua olímpica incompetência
para resolver este assunto.
A partir daí os europeus estarão aptos a (livres para) discutir a
‘questão catalã’, sem peias e sem condicionalismos do tipo “trata-se de um
assunto interno de Espanha”. Já ultrapassamos este limiar.
A ‘fuga judicialista’ de Rajoy que tem sido mascarada como sendo uma
deriva ‘constitucionalista’ já esgotou a sua utilidade, isto é, foi chão que deu
uvas. Foi a sua 'jogada' e falhou estrondosamente.
Começa o tempo das resoluções políticas e da procura de soluções, como quem diz as negociações
entre Madrid e Barcelona, sem condições prévias que libertem o óbvio do armário
dos espectros como são os nacionalismos, os independentismos, as ‘traições’ e o
desfazer de um ‘império’ já desfeito (que efectivamente ruiu com a libertação
da América Latina).
Mas existe algo de incontornável para uma Europa – nomeadamente a que
tem sido pomposamente designada com a ‘das Regiões’ – que terá de reconhecer não pode continuar a
ignorar a 'comunidade nacional catalã', os seus projectos, as suas ambições, as suas vontades e
a dar espaço e força às 'posições soberanistas 'de Rajoy, em nome do
status quo.
Todavia, considerando que este é um assunto complexo que cada dia que passa emerge
na agenda política europeia, como o
serão no futuro outros que estão na calha - a Escócia, a Flandres, a Córsega, o
Norte de Itália (Lombardia, Piemonte, etc.) e, inclusive a Irlanda do Norte –
seria bom que todos fossemos convocados para discutir abertamente os problemas
que se avizinham. A corda não deverá ser esticada até à rutura para depois surgirem respostas de emergência, à sombra de improvisos.
As complexidades que se advinham para todos estes processos em franca incubação não
podem ser resolvidas pelos silêncios que, aliás, não passam de compromissos
(espúrios, na sua maioria) obtidos à revelia de qualquer debate ou diálogo.
Em 2018, não vai ser possível continuar a tapar o sol com uma peneira.
Alguém vai ‘queimar-se’.
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