O homem e a sua natureza


Não penso que as agências de rating mereçam o crédito de que gozam nem o mérito que se lhes atribui. Basta pensar na notação do banco Lehman Brothers, quando faliu. Mas seria ingénuo ignorar a influência decisiva que as referidas instituições têm nos juros da dívida soberana.

Ontem, a agência Fitch, uma das 3 maiores, não se limitou a seguir a poderosa Standard & Poor's (S&P), que tirou Portugal do nível “lixo” em setembro, subindo dois níveis de uma só vez, uma decisão sem precedentes. Foi o reconhecimento das opções de política económica do Governo português, como disse o seu principal obreiro, Mário Centeno.

A auspiciosa notícia para o País, que tem uma dívida que julgo impagável, levou o CDS e o PSD a concertarem a reação que Assunção Cristas resumiu, sem se rir nem corar: “Com outro governo teria acontecido mais cedo”, talvez com Passos Coelho, Portas e Maria Luís, cujo despedimento a guindou a líder do CDS.

Marcelo, após as declarações de António Costa que, referindo-se aos êxitos da política, considerou o ano de 2017 ‘saboroso’, veio lembrar que as boas notícias não apagam a tragédia dos incêndios, como se as mortes e a ruína de um ano inclemente pudessem deixar alguém alheio e não fossem lembradas por todos e, diariamente, pelas televisões, numa obsessão mórbida que impede o luto.

Metáfora – Uma família comemorava o nascimento de uma criança muito ansiada com uma festa exuberante e, depois dos brindes de satisfação, um tio rezingão veio lembrar que não deviam exceder-se no regozijo porque nesse ano tinha falecido o avô Joaquim e a avó Clementina.

Os afetos são monopólio de alguns.

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