Centeno e o Eurogrupo


A eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo tem feito correr muita tinta por cá e ocupado muitos comentadores, a começar pelo Presidente da República.
 
Não se percebe tamanha azáfama. Na verdade, das reuniões deste grupo informal – uma antecâmara do Conselho Europeu - poucas ou nenhumas deliberações saíram que mereçam ser festejadas.
 
O único alívio será a dispensa do Sr. Jeroen Dijsselbloem ao que parece terá sido aí colocado por ser um ministro das Finanças oriundo da família socialista europeia.  Dão-se alvissaras a qualquer cidadão europeu que tenha ouvido da boca deste senhor a mínima ideia correlacionável com a Esquerda.
 
Não é o facto de Mário Centeno ser eleito o ‘camareiro de serviço’ ou, se quisermos, o ‘amanuense de turno’ que vai alterar a natureza deste fórum e o conteúdo das suas recomendações.
 
Enquanto não existe coragem política para extinguir esta anomalia institucional que tenta dissimular a inexistência de uma política monetária e fiscal comum, séria, equitativa e transparente, todos temos noção de um facto: a grande alteração desta inusitada estrutura não é a eleição de um novo presidente mas sim a ‘aposentação compulsiva’ destas lides, do Sr. Wolfgang Scauble.
 
No ‘folclore europeu’ esta é uma eleição que pouco mais faz do que reconfortar o ego dos portugueses.
E por más razões: foi desse grupo que chegaram as mais impiedosas e erráticas medidas que moldaram a intervenção externa a que fomos sujeitos durante quase 4 anos. Daí veio a recessão, o desemprego, os cortes salariais e o espezinhar dos direitos laborais.
 
Veremos se Centeno conseguirá aquecer ou arrefecer a morrinhice europeia (presentemente estimulada pelo impasse alemão) e que tem alimentado (emperrado?) a União Económica e Monetária…

Comentários

E-Pá:

Publiquei o meu texto, sem ter visto este.

De qualquer modo, as leituras diferentes do mesmo acontecimento, só enriquecem este espaço plural.

Abraço.

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