RARÍSSIMAS vezes...

Raríssimas vezes a mãe de uma criança disforme e deficiente encontra forças para lutar por ele e, com ele, por outros como ele.

Raríssimas vezes a mãe, que trouxe no ventre um feto teratogénico, tem a sabedoria e a arte de conseguir, para a criança, a solidariedade de tantos, a simpatia geral e o apoio da Segurança Social, para fundar uma obra de cuidados modelares para crianças diferentes.

Raríssimas vezes a mágoa e o desespero que marcaram a tragédia de uma mulher foram tão criativos, e tiveram um final tão feliz para as crianças que nasceram diferentes num país que é solidário e tem o SNS que nasceu dos votos do PS, PCP, UDP e do deputado independente Brás Pinto.

Raríssimas vezes uma obra nasce tão bem e passa pelo sobressalto de ter à sua frente a mãe que, perdido o filho, canibalizou a obra para proveito próprio e alegadamente a usa para comprar vestidos caros, viagens mundanas e promover relações que atraem as tias de Cascais e a D. Maria Cavaco (equiparada), a rainha de Espanha e o PR português, os ministros da Segurança Social e outras altas personalidades, de Eanes a Leonor Beleza, de Maria de Belém a Fernando Ulrich.

E eis como a ambição da mulher mundana e venal, que eventualmente desviou dinheiros e cometeu peculato, se transforma, de um caso de polícia, num caso político. Um jornal confundiu a verba legítima que o atual governo transferiu com as comparticipações previstas no anterior para vários anos e, para denegrir um ministro competente, atribuiu-lhe a quadruplicação das verbas, o que é mentira; a TVI referiu-se a vestidos caros como sintoma do Governo que temos, quando comprados na vigência do anterior e como se isso fosse uma legítima arma política e não um caso de abuso pessoal.

Face à conspiração de silêncio perante os desmandos da direita e à necessidade desviar atenções sobre o desnorte do PSD e do CDS, é preciso criar casos para lançar suspeitas sobre o governo que procura a saída do buraco em que Passos Coelho e Portas lançaram o País, com a cumplicidade de Cavaco.

Bastam meias-verdades e grosseiras mentiras para adicionar à monotonia nauseante dos noticiários sobre os incêndios e atacar o Governo, mas não destruam a RARÍSSIMAS de cujo conselho fiscal não se ouviu falar.

Apostila – Sexta-feira, 15 de dezembro de 2017 – Agência Europeia de Doenças Raras suspende Raríssimas.

Comentários

Monteiro disse…
Mas o dinheiro "desviado" não era legalmente controlado? Isso não é prática corrente a nível de todas as administrações públicas e privadas?. Amorim não utilizava os dinheiros da sua empresa (que abatia aos lucros para não pagar IRC) para comprar pensos rápidos para uma namorada?
carlos marques disse…
Começava certamente por ser controlado, em termos legais e estatutários, internamente! Pelo Conselho Fiscal e, sobretudo, pela Assembleia Geral (e não exclusivamente pela Mesa da dita!), que, anualmente aprova o Relatório e Contas subscrito pela direcção. Leia-se o Estatuto da "Raríssimas" e acabe-se com muitas divagações sem fundamento!

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