O ministro Gaspar e o bispo James Usher
A hegemonia do ministro Gaspar sobre todos os ministérios repete a trágica experiência de outro ministro das Finanças que, entre 1928 e 1932, começou por controlar os vários ministérios e acabou a controlar o País. Ao esquecer o programa modelar de controlo das contas públicas e do défice herdado do PSD, por Teixeira dos Santos, entre 2005 e 2008, Gaspar esqueceu a causa próxima dos problemas – a crise económica de 2008 –, e alienou, por cegueira partidária, o apoio imprescindível do PS, para a saída da crise, e a equidade na repartição dos sacrifícios. Apesar dos lapsos, que aceita com a lentidão com que fala, e do desprezo que manifesta pelos deputados da AR e pelos seus pares no Conselho de Ministros, onde o subalterno de Ângelo Correia é incapaz de moderar a irritante atitude do ministro que revela défice democrático e de compostura cívica, apesar dos erros orçamentais e de outras tropelias, o ministro Gaspar é um governante à solta. Já é um dado adquirido que o PSD tinha na l...