Eleições presidenciais

O «Expresso» de hoje dedica a página 8, da responsabilidade de Mário Ramires, sob o título Achados & Perdidos, a enunciar os vencedores e os vencidos das últimas eleições legislativas colocando entre os primeiros Cavaco e Silva e, entre os últimos, António Guterres.

Nem o facto de o eleitorado ter respondido SIM, de forma esmagadora, à pergunta dos cartazes do PSD, se queriam o regresso dos ministros de Guterres, convenceu o Expresso a incluí-lo na lista dos vencedores. Nem o facto de ter feito campanha ao lado de José Sócrates. Nem a circunstância de este ter assumido com orgulho a sua herança na disputa da liderança do PS e no confronto eleitoral. Nem a preparação e a postura cívica difíceis de igualar.

Sem menosprezar a volubilidade do eleitorado, a esta distância, é surpreendente que se dê como derrotado quem integra a esquerda, que averbou 60% dos sufrágios expressos, e se assuma como vencedor quem se situa nos 40% onde o ódio e ressentimento pelo desprezo a que Cavaco votou o PSD se equilibram com a perplexidade e a raiva que os militantes sentem pela deriva populista e reaccionária que conduziu o partido ao abismo eleitoral.

Há todavia uma razão importante para temer a vitória presidencial de Cavaco, razão que o próprio talvez não mereça, mas com que um dos mais inveterados cavaquistas - Vasco Graça Moura - acaba de ameaçar. Vem no «Público» de 4.ª feira, dia 23, e vale a pena transcrever:

«Pelos vistos há quem não consiga entender que Cavaco Silva, a aceitar candidatar-se, é o único que está em condições de bater um candidato patrocinado pela esquerda, o único que terá a possibilidade de impor algum rigor ao Governo socialista e também o único que não se ensaiará nada em dissolver o Parlamento logo que este e o Governo começarem a asnear (e não será preciso esperar muito...), para mais confortado com o precedente aberto por Jorge Sampaio».

Entre um Presidente que seja o árbitro e outro que seja o algoz de uma maioria, acicatado pelo ressentimento dos derrotados, é altura da esquerda reflectir sobre o que convém. E nunca os interesses da esquerda se identificaram tanto com os interesses de Portugal e dos portugueses. É a opção entre a estabilidade e o ajuste de contas.

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