RTP – 1 e tempo de antena.

Começaram hoje as brandas «conversas em família» de Marcelo Rebelo de Sousa. O excelente comunicador, enquanto falou com Ana Sousa Dias sobre numerosos temas, limitou-se a beliscar Guterres e a fazer a apologia de Cavaco e Silva como o melhor candidato do centro e da direita para a presidência da República.

Como perguntou, há tempos, Vital Moreira no «Causa Nossa» num artigo intitulado «A RTP pode tomar partido?», assunto a que voltou noutro artigo com o mesmo nome (2), defendeu que a RTP, como órgão de serviço público está constitucionalmente obrigado a «assegurar o pluralismo da opinião política», «a observar o princípio da imparcialidade política» e a não permitir «tempos de antena furtivos».

Ora, MRS é um destacado militante do PSD, de que já foi presidente, e declarado promotor da candidatura de Cavaco e Silva, com forte empenhamento. Se juntarmos ainda a contratação feita à sorrelfa de António Barreto cujo ressentimento com o PS e a patológica animosidade com o Eng. Guterres são bem conhecidos, como conseguirá a RTP assegurar o pluralismo e manter a imparcialidade política a que é obrigada.

O primeiro «tempo de antena furtivo» para que alerta Vital Moreira começou hoje. Não aceitando a mais leve tentativa de censura, também não posso condescender com a propaganda que rompa o equilíbrio a que o mais importante órgão de serviço público é obrigado. É tão detestável e canhestro fazer da RTP num órgão de propaganda governamental como transformá-la num instrumento da oposição de direita.

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