Mensagens

O Luís e os incêndios

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  Desenho de Vasco Gargalo

À Espera de Godot

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No teatro com o título em epígrafe há duas personagens principais e eventualmente uma terceira para cada um dos atos de uma peça sobre o absurdo. Ontem a representação teve um só ato, e as duas figuras principais, em vez de um longo diálogo, brindaram o público com o pesado silêncio e a desolação de quem sabia já que era inútil esperar Godot e que o público não aplaudiria. As duas figuras foram acompanhadas no silêncio por uma inexistência do nosso negro quotidiano quando, em palco, o mais insignificante dos atores assumiu a representação. A pusilanimidade dos mudos, ansiosos por saírem de cena, logo eles, tão habituados aos holofotes, levou-os a fugir pela porta das traseiras perante o asco dos espetadores. Quem cancelou o 25 de Abril pela morte do Papa e não interrompeu o veraneio nem adiou uma festa partidária com o País a arder, só merece execração. A degradação ética e a covardia atingiram a cúpula do Estado. Foi nisto que votámos. Eis os rostos e a postura de mãos dos...

A Festa do Pontal – o Luís a trabalhar

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A Festa do Pontal fez lembrar a autarca de Marinhais que, com a despesa feita e perante a proibição de lançar foguetes depois da meia-noite, pelo perigo dos incêndios, decidiu antecipar o fogo de artifício. Os foguetes provocaram fogos, mas a festa fez-se. Quando Portugal ardia, o Palácio de Belém e o de S. Bento foram a banhos. Com o País a arder, bombeiros exaustos e gente aflita, nem um simples Secretário de Estado foi aos locais ameaçados pelo fogo. O Governo e o PR estavam em fato de banho no Algarve. O casal desavindo, PR e PM, surgiu de mãos dadas, para defender em público interesses comuns e não desapontar os fãs, e remoeram, em privado, rancores recíprocos. A Festa do Pontal, com lotação esgotada, não empolgou os fãs. O artista entrou em cena vencido, lembrado do discurso do ano anterior, sem ilusões. A cor laranja luzia no País vinda de fogos que o consumiam. Não era a do PSD, na Festa na Quarteira, onde gente bem comida, bem bronzeada e bem dormida contrastava com a da...
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MISTÉRIO!... Ontem foi publicado aqui (alegadamente por mim) um texto (alegadamente meu) que teria publicado há 12 anos, com o título "Fátima - Destino inevitável da fé". Embora reconheça no texto ideias que partilho - logo, pode ser meu - a verdade é que não me recordo de o ter escrito! Mas o mais curioso é ele ter ocupado o espaço de outro texto que publiquei no mesmo dia abordando a mal-feitoria que o governo quer fazer às mamãs que amamentam... e que desapareceu!... Pode ter sido um invulgar "desaparecimento de Fátima"!... Nestas coisas da electrónica, onde sou totalmente analfabeto reticente, tudo pode acontecer!... Por isso decidi republicar o tal texto que milagrosamente desapareceu para dar lugar a um outro (conservando o tal outro porque me parece "bonito"! Cá vai ele, mais a sua imprescindível ilustração legendada. Tenham bom proveito. Onofre Varela MAMAR OU NÃO MAMAR: EIS A QUESTÃO Por Onofre Varela A polémica recém instalada por uma ministra cr...

Os fogos do nosso desespero – arre porra que é demais!

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O país continua a arder com os bombeiros exaustos, as populações aterradas e a nossa paciência esgotada sem que a revolta produza um simples desabafo: arre porra, que é demais! Nunca tamanha incompetência encontrou tanta insensibilidade e tão forte dissimulação. Entre os banhos e a preparação da festa do Pontal, o PM só deu sinais de vida com um tweet: «Unidade e determinação – foi este o espírito da coligação e desta com os EUA, na reunião que tivemos esta tarde. Juntos temos de o conseguir, o mais rapidamente possível, o cessar fogo e uma paz justa e duradoura na Ucrânia». Que o fogo não cessasse no país era uma preocupação menor. Depois lá apareceu o PR a dizer que acompanhava a situação e que tinha falado com um secretário de Estado. Só a seguir surgiu o PM, lacónico, a anunciar o «Estado de alerta prolongado 48 horas» e a passar imediatamente a outros assuntos. Entretanto surgiu o vídeo do candidato a PR, Gouveio e Melo, a dizer-se envergonhado com as avarias dos aviões de...

JUSTIÇA

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As suspeitas nascem ruidosamente e morrem em silêncio. Surgem quando convém e desaparecem quando já não são precisas. Também é assim que a democracia fenece e o fascismo ressuscita.

Marcelo era feliz e não sabia

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Marcelo teve um primeiro-ministro que, nas chuvas, o abrigava com o guarda-chuva e, quando o país ardia, o satisfazia com a demissão da ministra da Administração Interna. O PM valorizava-o e deixava-o gerir a popularidade sem se queixar da desfaçatez com que atribuía ao Governo a culpa do que corria mal e a si próprio o mérito do que corria bem. Depois de derrubar dois governos e de provocar sucessivas eleições, para não deixar na oposição o PSD, teve a desdita de encontrar na liderança o rural esperto que o despreza e se agarra ao poder com a mesma determinação com que defendeu na AR o governo de Passos Coelho e teceu a teia de interesses que lhe é útil na política e nos negócios. Hoje, alquebrado e triste, vê o país desanimado e rancoroso à espera de um milagre que o salve da gente a quem o entregou. O PSD, que ajudou a virar à direita, desliza agora para a extrema-direita e sabe que foi sua a culpa e que nem sequer lhe agradecem. No pungente ocaso do seu último mandato resta...

Fátima – destino inevitável da fé

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Porque hoje é o dia 13 de agosto, porque o ritual se repete, apenas com menor número de camuflados, agora já com octogenários dentro, aqui fica um texto de há doze anos: É preciso não ter sentimentos para desrespeitar o sofrimento e a angústia dos peregrinos que têm como fetiche da sua devoção os dias 13, em especial, o do mês de maio, sem desprezar agosto, para os emigrantes, e outubro. Aqueles septuagenários que vestem velhas camisas camufladas da época que os marcou, na guerra injusta e inútil, ainda hoje agradecem o regresso, como se as minas pudessem ter-nos matado ou estropiado a todos, como se tivessem de agradecer o regresso em vez de se revoltarem com a partida.  A fé é isto mesmo, não questionar os desígnios do acaso, agradecer a perna que sobrou em vez de reclamar a amputada, rezar pela sorte do olho que resta em vez de protestar pelo que vazaram os estilhaços da granada, enfim, caminhar de joelhos e rastejar num santuário, acreditando no poder miraculoso das azinh...
  O “DESMAME” E AS MISERICÓRDIAS Por Onofre Varela Fiquei a saber por notícia publicada no dia 7 do corrente mês de Agosto (jornal Público, pág. 12) que o presidente das Misericórdias Portuguesas “defende que o Governo tem de definir limites para as licenças de amamentação” porque, diz ele “[…] ou temos limites, ou vai continuar a acontecer o que acontece: algumas pessoas vão continuar a abusar do direito e vão continuar a prejudicar os colegas e os utentes”. O senhor presidente não define os limites que defende, pelo que não sabemos quais sejam. Mas sabemos que vê “abusos” no gozo dessas licenças, explicando que, não estando em causa o direito… “cada dia que [uma mulher] não for trabalhar – porque abusou de um direito qualquer –, é um dia que o colega tem de ficar a trabalhar e a fazer o trabalho dela”. Nesta sua “explicação” vejo a discordância de um “patrão” perante as leis do trabalho que protegem os “assalariados”… mas não encontro nada que me fale em Misericórdia!… Pode ser...
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        Cartune de Varella
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  Cartune de Varella
O RECADO DE UM SOCIÓLOGO NORTE-AMERICANO Por Onofre Varela Passando os olhos pela imprensa espanhola de há dois meses (El Mundo, 2 de Junho de 2025), topei com uma entrevista ao professor de sociologia norte-americano Douglas Massey – então acabado de ser galardoado com o Prémio Princesa das Astúrias de Ciências Sociais, especialista em sociologia da imigração – onde disse que, poucas horas depois de Donald Trump ter ganho as eleições nos EUA, derrotando Kamala Harris, teve este discurso num desabafo que enviou, por Internet, aos seus amigos: «A maioria dos votantes parece aceitar a sombria mensagem de uma nação em decadência, com a falsa narrativa de uma economia em crise, o aumento da delinquência e das minorias predadoras, mais a ameaça existencial dos radicais de esquerda. A campanha de Trump foi abertamente racista, xenófoba e autoritária. Os seus partidários parecem dispostos a abandonar a democracia em apoio de um demagogo autocrático que promete ‘oferecer tudo’ enquanto aviva a...
  «Pode-se viver sem deuses, mas não sem Conhecimento» Por Onofre Varela Roberto Calasso foi um escritor e editor italiano que morreu em Milão no dia 29 de Julho de 2021, com 80 anos de idade. Reconhecido pelos seus amigos como sendo dono de um carácter “muito difícil e complicado”, também se lhe reconhecia a sua extrema elegância, falando com a precisão dos sábios. E sabia manter o silêncio sobre qualquer pensamento do qual ainda não tivesse tomado consciência plena para se poder exprimir sobre ele. O filósofo e ensaísta espanhol Juan Arnau, especialista em religiões orientais, escreveu sobre Roberto Calasso, começando por dizer que “da solidão surge o conhecimento, do conhecimento a arte e da arte o eterno, fechando-se o ciclo”. Calasso não encontrava diferença entre “o pensamento e a literatura”, convivendo com as duas matérias como se fosse uma só. Numa das suas últimas entrevistas, o escritor e editor confessou que se pode viver sem os deuses, mas que “a experiência do divino ...

Guerra na Ucânia

Zelensky admite ceder territórios para terminar guerra com a Rússia. «A Ucrânia admite perder territórios que já são controlados pela Rússia para chegar a um acordo de paz que resulte no fim da guerra». Finalmente una janela de oportunidade.

Da série: O Luís a trabalhar

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O PR, o Governo, os incêndios e as guerras

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O PR e o PM devem ter ido a banhos, dado o silêncio nos palácios de Belém e S. Bento. Quando voltarem hão de ir a Trancoso levar uma palavra de conforto aos bombeiros e populares feridos no combate aos incêndios. A ministra da Administração Interna, nada percebia de fogos, como disse. Agora, que já conhece o valor dos meios aéreos, deve estar a frequentar um curso intensivo para saber o que são mangueiras, bocas de incêndio, motobombas, binóculos, rádios, aceiros, goniómetros, retardantes de chama em pó e máquinas de arrasto; e conhecer o estado da arte do combate aos incêndios florestais. O país sabe que nada melhorou com o Luís a trabalhar, na Saúde, habitação, execução do PRR ou crescimento do PIB, decerto culpa de governos anteriores e da Constituição. Mas, enquanto se debateram eventuais abusos das mães para amamentar os filhos, sem uma só queixa dos patrões, estes prepararam a legislação laboral que o Luís vai propor à AR, quando regressar bem bronzeado e pronto para combater a e...

Da série: les bons esprits se rencontrent

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Da série: Um ministro que o governo merece.

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Nuno Melo deu hoje provas de absoluta ignorância na entrevista que concedeu à CNN. Nem sequer percebia as perguntas!

A FRASE - Pedro Tadeu

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XXV Governo Constitucional

Marcelo sente agora a ingratidão de quem levou ao poder e a quem transmitiu o encargo de gerir os recursos amealhados por governos do PS acrescidos dos do PRR em curso. Amarga-lhe o desprezo a que é votado e mingua-lhe tempo para a vingança. As suas diabruras empurraram Portugal para um regime que não quis tão mau, mas é tarde para o arrependimento e escasso o tempo para fazer algo bom depois de ter feito tanto mal. Marcelo sabe, por experiência familiar, que os regimes autoritários estão condenados a um fim violento, mas os atuais governantes também sabem que duram muito, e que têm o tempo e os ventos a favor. O eleitorado, cansado, deu-lhes o poder e o PS moderado, que raio será isso, abdicou de fazer oposição e de esclarecer os negócios privados do PM que, no mínimo, serviram, e servem, para fuga ao fisco. Não sendo a ética nem os princípios uma referência deste governo, porque ignora a ética e, quanto aos princípios, escolhe em cada momento os mais vantajosos para conservar...