quarta-feira, março 31, 2010

Notas soltas: Março/2010

Chile – Fevereiro terminou com uma catástrofe que se repetiu e prolongou por Março, tragédia cuja dimensão excedeu todos os registos históricos e fez regredir o país que tanto avançara na economia, justiça social e respeito pelos direitos dos cidadãos.

Direitos da mulher – As mulheres só tiveram direito a voto, pela primeira vez no mundo, na década de 20 do século passado. Neste progresso sentimos quanto sofreram as mulheres ao longo da história, vítimas de crenças e preconceitos.

Eleições presidenciais – Cavaco começou a campanha com a entrevista de Maria Cavaco Silva à revista do Expresso, de que foi capa e uma entrevista à SIC onde só não explicou o caso das escutas de Belém, a nódoa do mandato. Boa campanha de marketing com o falso tabu habitual.

Baltazar Garzón – O mais corajoso juiz espanhol tem excitado o ódio dos juízes conservadores. A sindicância aos crimes franquistas, centenas de milhares de assassínios, arruinou-lhe a carreira, depois da ousada luta contra o terrorismo.
Irlanda – A prisão de sete pessoas desmantelou um plano para assassinar o cartoonista sueco que fez um desenho de Maomé com o corpo de um cachorro. O ódio islâmico à liberdade de expressão é uma tara para a qual não existe antídoto.

Vaticano – A obsessão moralista e a ambição do poder colocou a comunicação social contra a Igreja católica divulgando os escândalos sexuais da Irlanda, Polónia e Alemanha, cuja ministra da Justiça acusa o Vaticano de estorvar as investigações.

PSD – O Congresso extraordinário de Mafra foi uma manifestação de vitalidade partidária e de confronto político que não merecia a infeliz votação da lei da rolha ao melhor estilo estalinista. Não suspendeu a democracia por seis meses mas impediu os militantes de discordarem durante dois.

França – A vitória da esquerda nas eleições regionais é a ressurreição adiada, mas o súbito regresso da extrema-direita, como reacção ao fundamentalismo islâmico, torna-se um pesadelo que os franceses dispensavam.

ETA – A organização terrorista, cada vez mais desorientada, continua a matar. A existência de bases em Portugal continua a ser uma forte possibilidade mas o assassínio de um polícia francês transformou-a num alvo prioritário do respectivo Governo.

Grécia – A contabilidade criativa permitiu aos gregos um nível de vida acima das suas possibilidades, com grave reflexo na credibilidade do País, na instabilidade social e no efeito de contágio que compromete a União Europeia e a sua moeda.

Venezuela – A eventual criação de uma lei que regule os portais da Internet, a pedido de Chávez, reaviva a polémica sobre a liberdade de expressão e faz do presidente mais um ditador sul-americano.

Conselho Superior da Magistratura – É animador saber que, sendo má a Justiça, são excelentes os juízes. Classificações: Muito Bom – 61; Bom com Distinção – 86; Bom – 85; Suficiente – 8; Medíocre – 0. Era preferível o contrário.

Israel – O judaísmo também tem demónios que conduzem o país a um beco e o mundo à instabilidade. O sionismo crê que a Palestina pertence aos judeus por direito divino e que é legítimo insistir no aumento os colonatos.

Rússia – Com as actuais dificuldades, Putin, cuja popularidade era imbatível, quer como presidente quer como primeiro-ministro, enfrenta agora protestos populares por todo o imenso país, com multidões em cólera contra a sua política económica.

EUA – A criação de um sistema de saúde universal foi a promessa de Obama. A aprovação da maior reforma social desde a criação da Segurança Social (1935) e do Medicare (1965), favorece milhões de americanos pobres. A decisão, lúcida e solidária, deve-se à coragem com que Obama enfrentou os interesses das companhias de seguros e a raiva dos Republicanos.

Líbia – O exótico eterno ditador Muamar Kadafi move uma guerra contra a Suíça por ter proibido a construção de minaretes, injustiça que não tem o direito de condenar quem exige como religião única o mais implacável dos monoteísmos – o Islão.

Plano de Estabilidade e Crescimento – A luta política à volta de um instrumento como este é absolutamente legítima mas usá-lo como arma, na luta interna dos partidos, foi, neste momento histórico um prejuízo que sairá caro ao País.

Pedro Passos Coelho – A vitória anunciada deste candidato foi uma derrota para as elites do PSD que não deixarão de o perseguir com a mesma sanha que usaram para Filipe Meneses. Cavaco, Jardim e Pacheco Pereira saíram derrotados pelo candidato dos autarcas.

PSD – A expectativa de regresso ao poder e o desejo de mostrar que é capaz de gerar um Governo melhor do que os de Barroso e Santana Lopes é a oportunidade de recuperar prestígio ou de dar lugar à recomposição do xadrez partidário à direita.

Armas nucleares – A celebração do acordo entre os EUA e a Rússia com vista à redução dos arsenais nucleares é mais uma vitória diplomática de Obama que reduz a tensão entre os dois países e torna mais seguros o mundo.

Itália – Berlusconi ganhou as eleições regionais e é inútil especular sobre as motivações do eleitorado. Em democracia há que aceitar os resultados, embora a subida da extrema direita, racista e xenófoba, se torne um factor acrescido de preocupação.

Moscovo – O acto terrorista do metro, para lá do nacionalismo que se adivinha, tem a assinatura dos suicidas islâmicos, atiçados nas mesquitas e madraças, e remete para o pesadelo das guerras do Cáucaso.

CERN – O Centro Europeu de Investigação Nuclear recriou o Big Bang e abriu uma nova era na Física para responder cientificamente aos enigmas sobre a estrutura da matéria e a formação do universo.

Higienista de Berlusconi eleita pela Lombardia

Nicole Minetti, que tratou os dentes do primeiro-ministro, foi eleita para o conselho regional no escrutínio de 28 e 29.

terça-feira, março 30, 2010

Factos & feitos, submersíveis…

Um dos cônsules honorários de Portugal na Alemanha (cuja identidade permanece no anonimato) terá recebido um suborno de 1,6 milhões de euros da Man Ferrostaal (que integra a German Submarine Consortium) para ajudar a concretizar a compra de dois submarinos pelo Estado português em 2004, segundo noticia a edição online da revista Der Spiegel.

Klaus Lesker, administrador da empresa alemã Man Ferrostaal - que esteve, no mês passado, em Portugal, a renegociar com o Governo português o contrato das contrapartidas pela aquisição dos submarinos - foi detido, na semana passada, pelas autoridades germânicas, que investigam alegações de que a empresa pagou milhões em subornos para obter grandes contratos internacionais, revelou a mesma revista.

A compra dos dois submarinos foi contratualizada [*] em 2004 entre Portugal e o agrupamento alemão - German Submarine Consortium.

Durão Barroso, actual Presidente da Comissão Europeia, era na altura primeiro-ministro português e Paulo Portas, actual líder do CDS, ministro da Defesa.

[*] - “Há três anos, que a Justiça portuguesa anda à procura de um contrato da compra dos submarinos, já vai em mais de mil milhões de euros, já disparou o seu preço e não encontram o raio do contrato”, denunciou Francisco Louçã, em S. Pedro do Sul, no dia 30.Nov.2009…

Fatos & factos

A tragédia da Igreja católica reside nas sotainas. Têm a braguilha enorme, de cima a baixo, e a fé pára a meio do caminho.

Palavra de exorcista encartado

Os ataques contra o papa Bento XVI devido ao grande números de acusações contra padres pedófilos são sugestões de Satanás, ao menos foi o que afirmou ontem o sacerdote exorcista Gabriele Amorth, de 85 anos.

ITÁLIA: o fim do “Risorgimento”?...

As eleições regionais na Itália foram marcadas por uma elevada taxa de abstenção, decorrente da incapacidade dos partidos políticos em promoverem o debate público da crise política, económica e social que atinge o País.
Uma situação que parece "corroer" a vertente polítca nos países da UE...

O Centro-Esquerda, nomeadamente o Partido Democrata, liderado por Dario Franceschini, mostrou-se incapaz de capitalizar o descontentamento popular, bem como os escândalos de corrupção que, há alguns anos, envolvem vários agrupamentos da Direita, com Berlusconi à cabeça.

Embora o Centro-Esquerda tenha vencido em 7 das 13 regiões em disputa, a realidade mostra que a coligação de Direita, no poder, conquistou 4 novas regiões, em relação às anteriores eleições regionais de 2005.

Todavia, a "resistência" da coligação de Direita, liderada por Berlusconi, ao impacto tradicionalmente negativo destas eleições intercalares, deve-se ao crescimento da influencia política (e eleitoral) da Liga do Norte, dirigida pelo ultra-direitista, independentista e xenófobo - Umberto Bossi.

Embora Il Cavaliere tenha cantado vitória na noite eleitoral a sua sobrevivência política está nas mãos de Bossi.
Esta alteração da relação de forças no interior da coligação governamental deverá encaminhar a Itália para um novo modelo federalista, com consequências dramáticas para a coesão e solidariedade nacionais.

A concretizarem-se as pretensões de Bossi terá lugar uma importante reviravolta na política italiana com um eventual retrocesso aos tempos anteriores ao Risorgimento, movimento político dirigido por Vítor Emanuel II que, em meados do século XIX, conseguiu unificar o Estado Italiano (então Reino).
Este previsível retrocesso ditado por gritantes assimetrias de desenvolvimento entre o Norte, Centro e Sul, poderá conduzir à fragmentação (balcanização) da actual Itália, em múltiplas Regiões… umas paupérimas e outras ricas. Todas de costas voltadas...

Deste modo, as recentes eleições regionais italianas poderão ser mais do que uma mera rotina do sistema democrático – que há largo tempo vem sendo pervertido por Berlusconi – e, assim, serem um salto qualitativo (retrógado) na História Contemporânea deste País.
Na verdade, um temerário salto no escuro…

segunda-feira, março 29, 2010

Bento XVI e os mundanos "murmúrios"…


Bento XVI declarou hoje, nas cerimónias do Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, que a fé em Deus ajuda uma pessoa a não se deixar intimidar pelos ‘murmúrios da opinião dominante’…” in Jornal Público, 28.03.2010 link

O atoleiro da pedofilia onde a ICAR está submersa, em todo o Mundo, é hoje um case study, sobre perversões de índole religiosa.

De facto, o lento mas irreversível abandono por parte dos fiéis das velhas peias tecidas ao redor de princípios de cegas submissões e, concomitantemente, o uso de uma liberdade essencial ao Homem – a liberdade de expressão – colocaram uma Igreja teocrática, fechada e anquilosada, debaixo do escrutínio da opinião pública e sob um intenso fogo mediático.
Levantam-se velhos problemas como o celibato dos clérigos católicos, as frustrações sexuais daí advindas e no fim da linha os escândalos de pedofilia. Não é linear este encadeamento, mas estranho é a pronta reafirmação das virtudes do celibato, por parte da ICAR.

Nas discussões públicas – e os escândalos que envolvem a Igreja entraram no domínio público - não cabem posições dogmáticas.

A correlação entre os escândalos de pedofilia e a uma instituição que vive na ilusão de ser dona da verdade, cultiva a omnipotência, julga-se um referencial de moralidade e, deste modo, pode esconder a verdade, será o mais importante. Não importa avaliar o significado estatístico do escândalo como alguns altos responsáveis religiosos tentam, apressadamente, imiscuir neste necessário debate.
Na realidade, a Igreja inculca aos seus clérigos a ideia de que são seres possuídos de uma inquestionável “autoridade sobre as almas”. Depois, esses mesmos clérigos confrontados com a vida terrena - muitas vezes na área educativa - deixam-se "corromper" por desejos corporais (sexuais) e tornam-se, pura e simplesmente, abusadores. Porque a verdadeira questão não é o celibato em si mesmo, mas a imaturidade sexual de um jovem adolescente que entra no seminário e é obrigado a optar – nessa idade – por uma vida celibatária.

Todavia a questão premente não será como afirma a Rádio Vaticano: “uma ignóbil tentativa de atacar o Papa e seus colaboradores mais próximos a todo o custo…”.
É cada vez mais evidente que o Vaticano tenta impor uma cultura do silêncio, onde tudo fica escondido – dos murmúrios da opinião dominante - quando na sua retaguarda se enxerga uma negra cortina … de ignomínia !

Não bastam declarações ex cathedra condenando genericamente a pedofilia, quando na sombra se desculpam e encobrem os prevaricadores…

A pedofilia e a Igreja católica

A ICAR não tem o monopólio dos crimes sexuais nem sequer está provado que o seu clero seja mais licencioso ou perverso do que o islâmico, por exemplo.

Há, no entanto, razões que não deixarão em paz as sotainas. A alegada superioridade moral da Igreja católica chega ao absurdo de impor a continuação da gravidez a uma criança violada e grávida, a uma mãe em risco de vida ou com um feto com deficiências graves, às vezes incompatíveis com a vida.

A sanha contra a homossexualidade que nos pios ensinamentos seriam, como tudo, vontade do seu omnipotente deus, torna-a vulnerável perante a opinião pública que, à medida que duvida da virtude dos padres, descrê da autoridade do seu deus.

Acresce que os padres foram quase sempre enclausurados em seminários, separados das mulheres, que os três monoteísmos depreciam, e tiveram de lidar com as hormonas na adolescência e chegaram à idade adulta sem maturidade sexual. O vulcão de lama que ora atinge a Igreja não é surpresa, é fruto da tolerância de que gozou, da conivência dos Estados e da hipocrisia das dioceses e do Vaticano.

O padre Frederico Cunha, condenado a 13 anos de prisão por homicídio de um jovem de 15 anos e por pedofilia, devia ter servido de lição ao bispo do Funchal, D. Teodoro, que o trouxe do Vaticano para secretário pessoal. O que restou de pias buscas à casa do padre, feitas alegadamente por castas freiras, era um manancial de pornografia e de provas das tendências pedófilas do reverendo padre cuja prisão o virtuoso bispo do Funchal comparou ao martírio de Cristo.

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) não tomou qualquer providência para saber se havia bispos pedófilos, se algum era portador de Sida, se todos eram heterossexuais não praticantes e se cada um deles seria capaz de entregar à Justiça padres delinquentes.

Pelo contrário, numa saída precária do padre Frederico logo apareceu um táxi para o levar a Madrid, um passaporte falso e dinheiro verdadeiro que lhe permitiram a fuga para o Brasil onde certamente continua a transformar a água normal em benta e as rodelas de farinha em corpo e sangue de Cristo. Ninguém, que se saiba, foi investigado por ter sido conivente na fuga ou o obrigou a mudar de profissão.

Quando este Papa encobriu padres pedófilos, como provaram o NYT e outros jornais, quando João XXIII ameaçou de excomunhão quem denunciasse os crimes sexuais do clero, incluindo as vítimas, só podemos contar com o braço secular para tratar os funcionários de deus como quaisquer outros cidadãos.

Cavaco, Passos Coelho e o PSD

Cavaco Silva felicitou no sábado o novo líder do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmando que "neste momento, independentemente de se gostar ou não gostar do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), temos que nos colocar na posição de defender Portugal perante o estrangeiro".

Cavaco demorou 24 horas a felicitar o vencedor da luta interna do PSD, quiçá à espera dos resultados definitivos de Passos Coelho, desolado com a perda de autoridade no partido onde os seus delfins sempre falharam.

Não admira, apesar da verdade do que diz, o súbito ataque do patriotismo que escondeu no caso das escutas. O País não suporta facilmente, com os apertos financeiros e com a agitação social que se prevê, eleições a curto prazo, nem os interesses do PR para uma reeleição se coadunam com tal eventualidade.

O tempo de Passos Coelho é outro. Ou vai a eleições enquanto funcionam os ataques ao carácter de Sócrates ou arrisca-se a ter a sorte de Marques Mendes e de Filipe Meneses, triturado pelos apoiantes de Paulo Rangel a quem não faltaria, a devido tempo, o apoio presidencial e providencial, ou o aparecimento de um peso pesado, como Rui Rio.

Passos Coelho já deve ter aprendido que o ímpeto liberal aprendido na escola de Ângelo Correia não é receita para o País cujas debilidades atrairiam um surto de agitação social e de miséria intoleráveis. Resta-lhe, pois, fazer o que tem vindo a fazer Sócrates, piscar o olho a meia dúzia de capitalistas e conter os ímpetos dos seus apoiantes autárquicos. O PSD, carente do poder, depois de duas fracassadas experiências com Barroso e Santana Lopes, cai-lhe no regaço mas, para isso, não pode dar tempo a que a ansiedade e a desilusão se instalem.

Enquanto Cavaco precisa de estabilidade para ser reeleito, Passos Coelho necessita de ser rápido a derrubar este Governo,

É da luta de interesses destes dois líderes das hostes do PSD que o País ficou refém. Não auguro nada de bom. Nem para o País, nem para o PS, nem para o PSD.

Petição contra a execução de Mohamed Valian

Mohamed Valian é estudante iraniano e está condenado à morte por «actos contra Deus». Ou seja, por ser um contestatário ao regime teocrático do clero xíita.

Pode assinar aqui a petição contra a sua execução.

domingo, março 28, 2010

Assembleia Geral da Associação Ateísta Portuguesa

Senhor Presidente da Assembleia Geral da Associação Ateísta Portuguesa, caros colegas dos corpos sociais, prezados consócios:

Ao iniciar este segundo mandato como presidente da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) saúdo os sócios presentes, vindos de todo o país, os que não puderam vir e todos os ateus onde quer que se encontrem.

A AAP procura afirmar o ateísmo como opção filosófica de quem se responsabiliza pelos seus actos e pela sua forma de viver, de quem estima a sua vida e a dos outros, de quem recorre à razão e confia no método científico para construir modelos da vida, e de quem não remete as questões morais para seres hipotéticos, criados pelos homens, nem para a esperança de uma existência após a morte.

Neste mandato continuaremos a defender o direito de todos os homens e mulheres à sua crença, descrença ou anti-crença, exigindo ao Estado a mais absoluta neutralidade face às opções individuais, cuja afirmação lhe cabe defender, sem subserviência aos clérigos nem favores às religiões, de acordo com a laicidade a que a Constitução obriga e que a ética recomenda.

Não deixaremos de insistir no abuso que constituem as aulas de Ensino da Moral e da Religião Católicas (EMRC) nos estabelecimentos de ensino público, com professores nomeados por bispos, pagos pelo Orçamento do Estado e anunciados através de ofício pelas dioceses.

Continuaremos a reclamar contra a burla episcopal indicando professores de EMRC, com habilitações para outras disciplinas, sem notas para as leccionarem por concurso, ultrapassando outros colegas através das aulas de EMRC, vinculados passados três anos.

Repudiaremos o aproveitamento político da vinda do Papa e, se vier a verificar-se, a subserviência de titulares de órgãos da soberania ou dirigentes autárquicos, bem como a utilização partidária da visita de Bento XVI, cujas provas de ocultação de crimes de pedofilia, divulgadas pela comunicação social internacional, aconselhariam a moderar o proselitismo e as viagens de promoção da fé.

A Associação Ateísta Portuguesa (AAP) prosseguirá a linha de defesa da laicidade do Estado denunciando o aproveitamento que a Igreja catóilica faz das figuras cimeiras do Estado para as comprometer no reconhecimento dos pseudo-milagres com que persiste em explorar a crendice popular.

Finalmente, estaremos atentos a qualquer forma de religiosidade que procure atacar as liberdades individuais e comprometer a democracia. A AAP não aceitará que, em nome de qualquer deus, sejam diminuídos direitos, liberdades e garantias que as sociedades democráticas conquistaram com a repressão poítica do proselitismo religioso.

Lisboa, 27 de Março de 2010

a) O Presidente da Direcção

sábado, março 27, 2010

O "ESPEVITADOR" E OS DOIS MARRETAS

Há poucos minutos, estando eu "posto em sossego" a acabar de ler o Expresso, lembrei-me de ligar a TV na SIC Notícias para ver, no jornal das 22 h., quem tinha ganho o jogo Benfica-Braga. Porém, ainda faltavam 5 minutos para as 22. Estava então a decorrer o programa "Plano Inclinado", que consistia num debate(?) entre , além de um personagem que não consegui saber quem era, os 2 Marretas Bagão Félix e Medina Carreira, moderado, ou melhor dizendo, "espevitado", pelo inefável Mário Crespo. Ainda fui a tempo de ver e ouvir, "claramente visto" e ouvido, o Marreta Félix dizer que a democracia não serve, pois os governos governam só a pensar nas eleições seguintes, não se preocupando com as gerações futuras; e o Marreta Medina a anuir, com a sua veneranda cabeça; e o inefável Crespo a babar-se de gozo com esse consenso sobre os malefícios da democracia.
Quase diria que não vale a pena gastar cera com tão ruins defuntos. Mas sempre direi: porque é que os países tradicionalmente democráticos, como a Inglaterra e a França, progrediram muito mais do que Portugal e a Espanha durante as suas ditaduras? Porque é que os países, como a Alemanha e a Itália, que se libertaram das ditaduras em 1945, progrediram depois incomparavelmente mais do que o Portugal salazarista durante o mesmo período? Porque é que Portugal, em 30 e poucos anos de democracia, e apesar da agitação dos seus primeiros anos, progrediu muito mais do que nos quase 50 anos de ditadura?
Enfim, realmente não vale mesmo a pena gastar mais cera com tão ruins defuntos!

Pedro Passos Coelho


O PSD cumpriu ontem mais uma etapa de um ritual – normalmente sem consequências políticas - que nos vem brindando há alguns anos.

O PSD tem um novo presidente – Pedro Passos Coelho.
Resta saber se, ontem, nas eleições directas, consagrou uma liderança credível, capaz e duradoura. Uma coisa é ser eleito, outra será tornar-se num líder.

O País vive uma fase difícil e complexa da sua história contemporânea.
O País espera e necessita de uma Oposição lúcida, realista e idónea, que contribua para uma mais eficiente governação.
O País está cansado de “jogos de poder”.
O País precisa de condições políticas internas para desenvolver-se e vencer uma profunda crise financeira, económica e social.
O País anseia por viver em segurança e com estabilidade.

Estes são alguns dos reptos que Pedro Passos Coelho tem pela frente. Ontem, submeteu-se ao escrutínio partidário. No futuro, terá de submeter-se ao escrutínio das portuguesas e dos portugueses.

De resto, o novo dirigente do PSD, não vai auferir de qualquer herança política que, no futuro, possa utilizar como referência.
Herda um partido que, nos últimos 15 anos, esteve largo tempo afastado do Poder e, nesse intervalo, só se “desvalorizou” enquanto alternativa democrática.
A eleição de Pedro Passos Coelho é, acima de tudo, uma ruptura com o passado recente do PSD. Mais concretamente com a sombra tutelar do “cavaquismo”.

Interessa saber se o novo dirigente partidário desfrutará de condições internas e possui a determinação necessária para construir, desenvolver novas políticas.
Hoje será o primeiro dia de uma nova caminhada cuja meta é, para muitos portugueses, uma incógnita.

Pedro Passos Coelho convenceu os militantes do PSD.
Agora tem pela frente uma tarefa mais melindrosa e complicada: convencer o País!

sexta-feira, março 26, 2010

Espanha - O fascismo está vivo

Julgar o juiz Garzon por investigar os crimes de Franco não é apenas uma aberração, é um crime contra a democracia.

Vale a pena ler El País.

A Governação Económica da Zona Euro: uma nova incógnita…


O Conselho Europeu assistiu, na reunião de 25. Março. 2010, a um esgrimir (poderiamos usar o termo degladiar...) de posições franco-germânicas, protagonizado por Angela Merckel e Nicholas Sarkosy.

Esta cimeira de líderes da UE incidia essencialmente sobre a situação orçamental e financeira dos 16 Países da “Zona Euro”, embora a “ajuda à Grécia” fosse o pretexto imediato.

Todavia, como era de esperar, as definições saídas deste Conselho Europeu não se confinam à Grécia. Dizem respeito a um vasto plano de ajuda aos Estados da Zona Euro com dificuldades orçamentais o que é uma resolução muito abrangente. Assim, os portugueses, entre outros Estados, para além da Grécia, não deverão ignorar as novas regras acordadas em Bruxelas…

Nenhum calendário foi definido, nem foi quantificado o “volume” dessa ajuda europeia. Todavia, há um facto que é conhecido. Não obtiveram vencimento as teses francesas sobre a “não-intervenção” do FMI na Zona Euro.
A porta foi aberta ao FMI para intervir na crise do Euro. Os compromissos gizados entre a França e a Alemanha não discriminam quais os necessários equilíbrios de poderes ente o FMI e o espaço monetário do euro. Mas divisa-se que o Euro, enquanto moeda de uma União Monetária nascida do Tratado de Maastricht, perdeu parte da sua autonomia e hipotecou outra parte da sua soberania.
Situação agravada por restrições elaboradas em conformidade com o quadro de convergência franco-germânico, i.e., o accionamento de uma eventual ajuda europeia só terá lugar como um “último recurso” , necessitando de prévia decisão unânime do “Eurogrupo”.
Uma ajuda dificultada por um mar de escolhos…

Um outro ponto, não menos importante do que as ajudas financeiras, foi definido no Eurogrupo.
Ângela Merckel, olhando para além do caso grego, exigiu o reforço da governação económica na Zona Euro.
Pouco foi adiantado sobre o conceito de reforçar a governação económica na Zona Euro, sabendo-se que se procederá – até ao final do ano – a uma revisão dos instrumentos legais de intervenção para reforçar o controlo e a disciplina orçamental dos Estados membros da Zona Euro. E acrescentou-se que essa revisão poderia ser tão profunda ao ponto de obrigar a alterações aos actuais Tratados em vigor...

Esta será uma questão candente que o Governo português deverá explicar, com urgência e transparência, aos portugueses.
Porque, é lícito pensar que o actual PEC elaborado pelo Governo e endossado a Bruxelas, poderá vir a passar por novos crivos – da parte do denominado “governação económica da Zona Euro", em moldes que desconhecemos.

Tudo isto nos diz respeito. Tudo isto poderá influenciar o futuro dos portugueses...

Dois pesos e duas medidas


Carl Sagan, no seu livro «Um mundo infestado de demónios», lembra-nos que o abade Richalmus escreveu um tratado sobre os demónios, por volta de 1270. Os sedutores demoníacos de mulheres chamavam-se íncubos e os de homens, súcubos. Santo Agostinho acreditava que as bruxas eram o produto dessas uniões proibidas tal como a maioria das pessoas da antiguidade clássica ou da Idade Média.

Compreendem-se hoje as freiras que, num estado de confusão, viam semelhanças entre o íncubo e o padre confessor ou o bispo e que ao acordarem se sentissem conspurcadas como se se tivessem misturado com um homem, como escreveu um cronista do século XV (pág.126, ob. citada).

A fé e a superstição confundem-se. Ainda hoje vemos crentes que rumam a Fátima e à santa da Ladeira e quem promete a bilha de azeite ao santo e não dispensa conselhos da bruxa quando a adversidade lhes bate à porta.

Esta é a parte inofensiva da fé, pelo menos para os não crentes. Os únicos prejudicados são os crédulos que esportulam o óbolo sem qualquer benefício. O mesmo não se pode dizer do proselitismo e das perseguições aos que recusam partilhar a mesma fé.

Dir-se-á que hoje ninguém é molestado por comer carne de porco, por trabalhar nos dias santos ou por desprezar os sacramentos, mas isso só acontece onde foi contido o clero. É uma conquista contra o poder eclesiástico e não um direito outorgado pelas religiões. A lei seca dos EUA teve origem no radicalismo religioso [fruto do esforço conjunto da União Feminina da Temperança Cristã e das pressões de certas associações missionárias protestantes]. O porco continua o animal imundo para judeus ortodoxos e muçulmanos, escravos de um deus que está com o olho neles a cheirar o bafo e a vigiar os hábitos alimentares, a forma de vestir e a frequência das rezas para decidir o que lhes reserva: as penas perpétuas ou o Paraíso.

Não se aceitam crenças diferentes sobre higiene básica, epidemiologia e alfabetização e, no entanto, apesar da ligação directa entre as crenças e a acção, aturam-se crenças que apelam à violência, ao racismo e ao genocídio em nome da tolerância religiosa e/ou do multiculturalismo.

Enfim, dois pesos e duas medidas para as crenças religiosas e para as políticas, ambas com efeitos directos sobre os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Proíbe-se o incitamento ao ódio, a xenofobia, a discriminação de género, a mutilação e muitas outras barbaridades excepto quando praticadas sob os auspícios da fé.

quinta-feira, março 25, 2010

A resolução parlamentar sobre o PEC: uma vitória de Pirro?…

O projecto de resolução sobre o PEC passou hoje no Parlamento.
As circunstâncias que rodearam este, aparentemente, bom resultado, não podem deixar de preocupar os portugueses e as portuguesas.
Por diversas razões.
Mergulhados numa profunda crise económica e social, os cidadãos não vislumbram qualquer plano/programa de recuperação que seja consensual, ou que congregue uma sólida maioria de vontades.
A resolução hoje aprovada não suscita qualquer entusiasmo, não infunde confiança, não mobiliza vontades, mais parecendo uma vitória pírrica.
O PEC tornou-se, para os portugueses, num infindável suplício de Tântalo.

O PSD ao abster-se evitou um irreparável “chumbo” do Programa. Todavia, a interrogação que paira no ar é se evitou ou, somente, adiou.
Tão cedo quando disponibilizou para fazer o “frete” de abster-se, o PSD apressou-se a salvaguardar que não assumia as “medidas” aí plasmadas.

E, mais uma vez, os portugueses ficam a enxugar gelo. A votação parlamentar de hoje mais parece um “número de prestigiação”, para inglês ver…
Só que dentro desse âmbito, i, e., nesse mundo de ilusões, o PSD pode estar prestes a tirar um novo coelho da cartola e estragar este "arranjinho" obtido a "ferro e fogo", em cima da hora...

A aprovação da resolução sobre o PEC deveria servir para mostrar às agências de notação financeira, ao Banco Central Europeu e, finalmente, à EU, que reuníamos condições de estabilidade política para cumprir, com êxito, os objectivos fixados – nomeadamente, o equilíbrio orçamental e o controlo da dívida externa. Vivemos num mundo mediatizado onde a informação circula célere.
Nem as agências de rating se impressionarão com este simulacro de concertação, nem o BCE “engole” situações políticas tão pouco claras.
Nesse sentido, no mesmo dia em que o PEC foi aprontado para ser apresentado a Bruxelas, um membro Conselho de Governadores do BCE - Nout Wellink, governador do banco central holandês – vem a público declarar que acha as “medidas” inscritas no PEC português, insuficientes…

Finalmente, colocar as forças políticas entre a espada e a parede – em nome do interesse nacional – não é um caminho auspicioso para garantir as condições políticas para a execução de Programa aprovado por uma maioria, numericamente democrática, politicamente periclitante. Ninguém gosta de ser conotado com traições ao “interesse nacional” no momento em que exerce o seu direito de discordar.

A Assembleia da República “atrapalhou-se”, tornando artificial e pouco límpida – existiram demasiados “jogos de bastidor” - a concessão do aval político ao presente PEC.
Infelizmente, como é timbre nestes tempos neo-liberais, serão os mercados que vão dar-nos a conhecer, no futuro, o seu inexorável veredicto.
Ou, se quisermos, a decisão política permanecerá submissa aos poderes económico e financeiro, dificultando todas as possíveis saídas da crise.

Ou estarei muito enganado – desejaria estar – ou, será melhor prever que as instituições internacionais vacilarão acerca da credibilidade do nosso PEC.

Ratzinger encobriu pedofilia

Padre norte-americano não foi castigado por ter abusado sexualmente de 200 menores surdos porque o Vaticano só soube do caso passados 20 anos, quando o religioso estava já muito doente.
(...)
Estas declarações de Lombardi são idênticas às que enviou previamente para o jornal norte-americano “The New York Times”, segundo o qual altas autoridades do Vaticano, incluindo na altura o futuro Papa Bento XVI, encobriram o sacerdote norte-americano num caso de pedofilia.

Jaime Gama e o secretário de Estado

Não conheço o funcionamento dos parlamentos de outros países o que me impede de fazer comparações, mas sei da AR o suficiente para dizer que há excesso de rituais, para o meu gosto, e liturgias que podiam ser simplificadas.

Os Tribunais, Universidades e Forças Armadas usam cerimoniais e trajes inspirados na liturgia eclesiástica com que outrora infundiam respeito. Talvez se justifiquem e não sejam meros arcaísmos, como parecem. Talvez as próprias fórmulas usadas nas relações dentro destas instituições tenham razão de ser, embora se assemelhem demasiado ao catecismo que ensina a falar com deus de forma que ele entenda.

Na última sexta-feira assisti a um episódio na Assembleia da República que me deixou perplexo pelo tom e pelo modo como o presidente admoestou um secretário de Estado que dava a impressão de estar assaz nervoso para não precisar da forma como Jaime Gama reiteradamente o admoestou.

Enquanto o governante se levantava e se dirigia aos senhores deputados, advertiu-o de que teria de falar de pé e invectivou-o por causa da forma exigida pelo catecismo (o da AR chama-se Regimento). O secretário de Estado encalhou de novo no começo da salve-rainha regimental (Senhor Presidente, senhores deputados…), tendo-lhe saído, «senhoras e senhores deputados», o que lhe valeu nova e crispada repreensão. Quando o secretário de Estado acertou, foi ainda um Jaime Gama irado a dizer que lhe negava a palavra se não usasse a fórmula correcta.

Não discuto a liturgia nem o respeito que é devido à AR e ao seu presidente, está em causa a imagem serena criada pelo calejado democrata Jaime Gama, arruinada numa postura infeliz, a lembrar as catequistas da aldeia a ensinar a doutrina aos garotos.

Amém.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 24, 2010

C O N V I T E


O começo do fim...!

O bispo John Magee (foto) prelado da diocese de County Cork que, no passado, foi secretário privado de João Paulo II, renunciou ao cargo, por cumplicidade nos encobrimentos dos casos de pedofilia ocorridos no seio da igreja católica irlandesa.
Não foi o primeiro, nem deverá ser o último.
Em Dezembro, o bispo de Limerick – Brendan Murray – já tinha resignado sobre a pressão dos mesmos escândalos.

Todavia vai ser difícil à ICAR contornar a exigência dos “violentados” e das associações defensoras das vítimas de abusos sexuais, relativamente ao primaz da Irlanda – cardeal Sean Brady – um “príncipe da Igreja” que será o segundo alto responsável pela cascata de encobrimentos registada.
O primeiro responsável é, naturalmente, Bento XVI, chefe da ICAR, cuja explícita responsabilidade não teve a coragem de assumir na tão mediatizada “carta-pastoral” aos católicos irlandeses.

Mas dificilmente a ICAR conseguirá evitar o “efeito dominó”.

terça-feira, março 23, 2010

O mosqueteiro e o espectro de uma nova “lei da rolha…”

O candidato Pedro Passos Coelho parece ter ficado muito incomodado com a rábula entre Aguiar Branco e Paulo Rangel, sobre a questão do dossier das assinaturas…

Hoje, num almoço de campanha em Portalegre, revelou desejar que até ao dia das eleições acabem as acusações internas entre as diversas candidaturas às eleições directas de sexta-feira do partido. Nesse sentido “pediu o fim dos incidentes” - incluindo o que envolveu as assinaturas para as candidaturas - “porque ninguém ganha com isso e perdemos todos”… link

Belo, belíssimo! O PSD ainda não sarou o tiro no pé desferido no Congresso de Mafra que entrou para a história da "pequena política" como a “lei da rolha” e, decorridos poucos dias, um dos candidatos reincide com uma versão soft (no tempo, que não na gravidade) com uma inconcebível proposta de tréguas, ou de silêncio, 3 dias antes das eleições directas.
Isto num partido que centrou a última campanha para as Legislativas na dita “asfixia democrática”…

Mas o pior é a razão porque se invoca este pacto de não-agressão. O candidato Passos Coelho não coíbe de enunciá-la. Disse: “O que queremos é que o país perceba no dia 26 que temos condições para ter coesão …” Isto é, calamo-nos para não levantar poeira e assim enganar os incautos. Esta asserção é um insulto à memória dos portugueses e tenta inculcar a história recente do PSD, onde o espectro da divisão, das intrigas, das traições e das "tricas" tem perseguido esse partido nos últimos anos. Se há um facto iniludível na história recente do PSD é, exactamente, a falta de coesão interna.

Logo, a intervenção de Pedro Passos Coelho em Portalegre, é um exemplo acabado de duplicidade política ou um arremedo de uma vulgarizada cartilha política que poderíamos sintetizar: “como enganar os portugueses... escondendo as realidades”

Tão novo e já com tantos vícios…

Regresso do humor


Vasco de Castro está de volta no novo número da revista A23

A revista A.23 é uma publicação trimestral e de âmbito nacional que surge do encontro das mais diversas entidades ligadas à cultura. Com uma tiragem de 5.000 exemplares e distribuição ao nível nacional, a A23 publica no seu número 7 um novo suplemento “O Cão”, coordenado por Vasco de Castro, Tiago Salazar e Ricardo Paulouro.

A imprensa satírica tem 150 anos em Portugal. Existiu com grande pujança, nomeadamente nos períodos mais críticos da vida nacional: fim da Monarquia, I República, PREC… como lugar de crítica dos poderes e catarse social, favorecendo a afirmação de artistas como Bordalo Pinheiro, Leal da Câmara, Stuart de Carvalhais, etc…

Estranhamente, o jornalismo satírico está ausente na actualidade da oferta de Imprensa e em tempos em que outros suportes mediáticos, como a rádio, a televisão e o palco oferecerem sistematicamente vários tipos de humor e sátira, do popular e tradicional ao sofisticado, em espectáculos que conquistam audiências, o que prova haver públicos – inclusive, alguns suplementos de diários e que encontram leitores à míngua de alternativas.

A este vazio no sector da imprensa, um grupo de jornalistas (sem coleira nem trela, mas com açaime, não vá alguém morrer envenenado) pretende responder com um projecto de jornal satírico, em fórmula original.

Os 4 mosqueteiros...

A crise de liderança do PSD deu azo a que o País assista, diariamente, a um digladiar de posições, que pouco (ou nada) têm a ver com as futuras linhas de orientação partidária ou ideológicas, ou com um projecto de futuro para o País mas, antes, circunscrevem-se a um repetitivo e saturante explanar de estratégias de “assalto ao poder”.

É óbvio que qualquer partido aspira a governar. Mas o trânsito entre uma postura cívica, com pedagogia política e ideologicamente fundamentada e a consequente conquista do poder, terá de ser mais límpida e mais compreensível, para afastarmos a ideia de que os partidos se preocuparem mais com a satisfação de clientelas partidárias e pouco com o interesse nacional. A corrida à liderança não se deve apoiar em situações casuísticas, pontuais, nem pode ignorar o futuro. Isto é, os candidatos devem discutir um programa de acção para o seu partido e as suas perspectivas de actuação política capazes de influenciar e/ou modificar a sociedade.

Sócrates é a sombra à volta da qual se movimentam e arquitectam todos os passos em direcção à nova liderança do PSD. Todas as intervenções manifestam um denominador comum: a queda do XVIII Governo Constitucional. As aparentes divergências – sobre os métodos - não conseguem esconder este móbil, ou esta obsessão política.
Um outro denominador comum a que – os 4 candidatos - se agarram foi a reeleição de Cavaco Silva. Todos de acordo, mesmo as mais recentes gerações que, nas entrelinhas e à revelia dos barões, tiveram a ousadia de sonhar uma ruptura com o "cavaquismo". Uma oportunista colagem, em contra-ciclo político e partidário, que inevitavelmente será varrida do PSD, arrastada pelo flop político e partidário, protagonizado pela direcção de Manuela Ferreira Leite, debaixo da sombra tutelar de Belém.

Ontem, no debate transmitido pela RTP, os quatro candidatos mais pareciam os 4 mosqueteiros (uma pobre caricatura dos exímios campeões de ténis dos anos 20) aparentemente entretidos na procura de um grande Slam, i.e., apostados em provocar uma incontrolável crise política nacional, em tempos de insustentável contracção económica e inevitável crispação social.

Nada adiantaram ao inefável espectáculo oferecido ao País durante o último Congresso de Mafra.
Ou - é melhor questionar – seria expectável que tivessem outras “coisas” para adiantar?

Momento de poesia


Adeus, meu poeta!…


Quando eu morrer

quero que me ofereças

um ramo de flores vermelhas,

tantas, quantos os poemas que te dei,

com uma dedicatória

escrita pelo teu punho.

Quero que escrevas

uma frase de despedida,

breve e modesta,

a recordar o meu ofício

de artesão da poesia

- o único tesouro que me resta.

Quero que escrevas:

Adeus, meu poeta!

Alexandre de Castro

***

Nota do autor: Com este poema, o 153º, termino a minha colaboração regular no Ponte Europa, que passará a ser esporádica, correspondendo ao amável convite do meu amigo e antigo colega Carlos Esperança, a quem quero manifestar a minha gratidão pela oportunidade concedida em poder divulgar a minha modesta poesia pelos inúmeros leitores deste blogue, leitores estes a quem envio, assim como a todos os colaboradores que aqui escrevem, uma especial saudação.

Ponte Europa: Por decisão do autor, Alexandre Castro, que aqui deixou excelentes poemas todas as terças-feiras, a sua colaboração passa a ser descontinuada. É com um sentido de perda que comunico aos leitores a decisão que compreendo e lastimo. Alexandre de Castro não deixará, no entanto, de nos brindar com poemas seus quando puder. O Ponte Europa, e muitos dos seus leitores, ficarão ávidos de o encontrar de novo.

Contrastes...


segunda-feira, março 22, 2010

Mr. Sakosy: la salade du ressemblement…


Na 1ª. volta das eleições regionais francesas Nicholas Sarkosy afirmou, em alto e bom som, que este acto eleitoral não poderia condicionar políticas nacionais.

Assim, a par de uma evidente sensação transmitida por Mr le Président de la Republique aos franceses e às francesas, de que a sua sensibilidade política está embotada, não sendo capaz de avaliar a real dimensão e os profundos estragos políticos resultantes da hecatombe eleitoral, apressou-se a “remodelar” o governo, caindo no mais completo descrédito.

E, já hoje, remodelou o Governo, sob o signo do desnorte e do temor de poder afundar-se no esgoto da História.
Esta remodelação foi, em primeiro lugar, um toque a reunir (podia ser um toque a finados) para o Centro-Direita e, na sua essência, representa a perservação de linha de continuidade no caminho para o abismo.
Congregou no governo, como se estivesse a preparar uma "salade niçoise”, cheia de “crudités”, misturou: “sakosyanos”, “chiraquianos”, “villepinistas”, etc.
Meteu no mesmo saco – por quanto tempo (?) – Francois Barouin (da linha chiraquiana); Georges Tron (villepinista); Daubresse (ex-UDF)…, i.e., um “somatório de ódios de estimação”. Abriu o governo a todas as tendências de Direita, só faltando a Front National que, não tendo representação visível, não se sentirá defraudada com as políticas xenófobas e nacionalistas do Ministère de l'Immigration, de l'Intégration, de l'Identité Nationale, cujo titular Eric Besson (ex-socialista), tem sido o interprete dos mais repugnantes extremismos de Direita, permanece de pedra e cal no executivo.

Tentou refundar a “maioria presidencial” promovendo uma visita de retrocesso ao redil mais direitista possível e com o recuo à mais recôndita obscuridade.
Não conseguiu tirar lições do escrutínio popular. Caminha, solitariamente, em frente, rumo à sua “não-reeleição”.

Resta saber se o PSF dirigido por Martine Aubry – a incontestável arquitecta desta vitória da Esquerda nas eleições regionais francesas – conseguira manter a liderança deste regresso em força da Esquerda á política francesa, ou se vão começar as questiúnculas internas que acabarão por delapidar as presentes vitórias.

Yes We Can ! E. U. A. - França


Hoje é um dia em que regressa a esperança, a vitória dos sonhos da igualdade possível e da solidariedade indispensável.

A defesa de um sistema de saúde universal, foi a promessa que Obama se empenhou em cumprir. Perdeu popularidade na sua defesa e ganhou adversários de peso, mas mostrou a sua melhor faceta, a do homem coerente e solidário, sensível aos milhões de pobres que o grande país não consegue ou não quer evitar.

Esta é a maior reforma social desde a criação da Segurança Social (1935) e do Medicare (1965). O Congresso, dividido, acabou por votar a lei que favorece milhões de pobres. A decisão, lúcida e solidária, deve-se à coragem com que o presidente enfrentou os interesses das companhias de seguros e a raiva dos Republicanos.

Os defensores da situação que agora se altera nunca conseguiram explicar a razão de um sistema de saúde tão caro e ineficaz. Os economistas ultraliberais ficavam mudos com a interpelação a que eram sujeitos enquanto as companhias de seguros tudo faziam para manter a situação.

A vitória de Obama é a vitória da solidariedade sobre o egoísmo, da justiça social sobre o individualismo, do humanismo sobre a insensibilidade social. Um dia veremos de novo os EUA sem a pena de morte que envergonha o mundo civilizado.

A outra boa notícia vem de França: o colapso da União para um Movimento Popular (UMP) e a vitória inquestionável da esquerda, penalizada na Europa apesar da responsabilidade do liberalismo no descalabro financeiro que motivou os problemas económicos, sociais e políticos com que o mundo se debate.

Há razões para optimismo. Yes We Can !

Vaticano - Rebentou o esgoto

Intolerante face aos desvios ao seu padrão moral, encobriu, até agora, abusos sexuais de padres.


Finalmente, Bento XVI falou sobre os abusos sexuais de menores cometidos por padres. Numa carta pastoral dirigida aos católicos irlandeses, expressou perdão e vergonha e prometeu uma investigação rigorosa de todos casos.

O Papa dirigiu-se à Irlanda, mas ignorou os milhares de queixas idênticas na Áustria, Holanda, Suíça, Espanha, Brasil e Alemanha, onde, só desde Janeiro, surgiram mais de 300 denúncias de abusos em escolas católicas.

domingo, março 21, 2010

DIA MUNDIAL DA POESIA



Como uma flor vermelha


À sua passagem a noite é vermelha,

E a vida que temos parece

Exausta, inútil, alheia.


Ninguém sabe onde vai nem donde vem,

Mas o eco dos seus passos

Enche o ar de caminhos e de espaços

E acorda as ruas mortas.


Então o mistério das coisas estremece

E o desconhecido cresce

Como uma flor vermelha.


Sophia de Mello Breyner Andresen

- Obra Poética I

Papa desilude vítimas de pedofilia



Factos & documentos

Comentário: Herança pia, num período de crise económica e financeira.

Chegou a Primavera

Sandro Botticelli

(Clique na imagem para ouvir Jacques Brel)

sábado, março 20, 2010

Para reforçar a equipa


A “carta pastoral” de Bento -16 ou “aquele engano de alma ledo e cego…”

A publicitação da “carta pastoral” de Bento 16 dirigida aos católicos irlandeses link, um extenso e repetitivo documento com 14 itens e rematado - em jeito de post-scriptum - com uma “oração especial” dedicada à Igreja irlandesa, decepcionou as vitimas de abusos sexuais (continuados) por parte de clérigos pertencente a essa mesma Igreja. link

De facto, as vítimas que, no mês passado, dirigiram uma "carta aberta ao papa" link, constatam que questões importantes ficaram sem resposta... como era de esperar.

A saber:
“Esse texto (da carta aberta), além de desculpas, pedia que o Vaticano reconhecesse sua culpa nos casos e que o papa aceitasse a renúncia de vários integrantes do alto clero irlandês, inclusive a do cardeal Brady.”
Por outro lado, consideram que, a "carta pastoral", para além de ser mais uma oportunidade perdida, é um tipo de resposta do Vaticano totalmente deslocado e inapropriado :
“Uma carta pastoral não é a maneira de dar uma resposta aos relatórios de Ferns, Ryan e Murphy, que tratavam de violações, maus-tratos e abusos sexuais contra crianças cometidos por padres e religiosos neste país e que foram ocultados pelas autoridades da Igreja", asseverou Andrew Madden, uma das vítimas dos abusos sexuais praticados por clérigos. link

De facto, carta pastoral pastoral de Bento 16 aos irlandeses "ladeou" as questões colocadas pela carta aberta (subscrita por Sean O'Conaill, coordenador da “Voz dos Fiéis”, Irlanda.), fugindo para lateralidades, marginalidades e retóricas canónicas que, ao fim e ao cabo, mostram uma maior preocupação na reconquista da confiança dos fiéis do que a determinação para enfrentar as consequências e a gravidade dos crimes de pedofilia, cometidos no seio das instituições religiosas e educativas, promovendo (ou facilitando) uma rápida e desabrida condenação dos clérigos prevaricadores, bem como, a necessária depuração na alta hierarquia católica irlandesa (...os seus "irmãos bispos", como se lê na pastoral), indubitavelmente cúmplice e moralmente responsável pelos abusos sexuais em crianças …em múltiplas dioceses gaélicas.

Quando a oração que finaliza a carta pastoral “reza”: ” … possa a Igreja na Irlanda renovar o seu milenário compromisso na formação dos nossos jovens no caminho da verdade, da bondade, da santidade e do serviço generoso à sociedade…” estamos perante um intolerável cinismo, uma enorme desfaçatez e uma atitude deliberadamente enganosa.
Um procedimento típico da ICAR… envolver os problemas numa cortina de fumo!

A ética e as filiações partidárias



Pelos vistos a indignação de José Lello para com a devassa do seu computador por parte de repórteres fotográficos com zooms muito potentes no plenário da Assembleia da República parece dividir as noções daquilo que é ético de acordo com as simpatias partidárias.

Já nem é a resposta asinina de Jaime Gama à reclamação do deputado que está em causa.
Já nem é esta espécie de temor reverencial pela classe dos jornalistas que parece espalhar-se como uma infecção.
Já nem é alguém pensar que o direito à privacidade e à reserva da individualidade de cada um deve ceder perante a coscuvilhice jornalística.

O que é curioso é que as pessoas que hoje criticam a indignação de José Lello são precisamente aquelas que há escassos seis meses, e sob a mera hipótese de isso poder vir a atingir José Sócrates, apoiaram entusiasticamente estes desabafos tão preocupados do Presidente Cavaco Silva:

«Será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida?»

O problema é então este:
De repente, em Portugal a ética e as mais básicas noções do que é certo e errado estão agora dependentes e cedem acriticamente perante as diversas filiações partidárias.

ICAR sob fogo. Bento 16 comprometido

New York Times’

Psiquiatra de padre pedófilo afirma que alertou Igreja sobre trabalho do religioso com crianças.

A arquidiocese alemã dirigida pelo então cardeal Joseph Ratzinger nos anos 1980 ignorou repetidos alertas de um psiquiatra responsável por tratar de um padre acusado de abusar sexualmente de meninos, informa reportagem desta sexta-feira do jornal “New York Times”.

Segundo o doutor Werner Huth, ele avisou a Igreja que o reverendo Peter Hullermann não deveria ser mantido em trabalhos com crianças. Sob autorização do futuro Papa Bento XVI, o padre havia sido transferido para Munique para passar por tratamento psicológico.

- Eu disse ‘pelo amor de Deus, ele precisa desesperadamente ser mantido longe de trabalhos com crianças’ – disse o psiquiatra ao jornal. – Eu fiquei muito triste com toda essa história.

sexta-feira, março 19, 2010

Um relatório sobre a crise na Zona Euro...

EUROZONE CRISIS
Sub-titulo: “beggar thyself and thy neighbour”, i.e., "o empobrecimento do vizinho…" link

Research on Money and Finance Report on the Eurozone Crisis

Segundo este trabalho de investigação existiam 3 alternativas estratégicas para os países periféricos da Zona Euro onde, como é óbvio, Portugal está integrado.

Assim:

“1. A primeira traduz-se em programas de austeridade acompanhados por acrescida liberalização da economia. Esta é a opção preferida pela zona euro e pelas elites da periferia. É igualmente a pior opção. A estabilização económica será obtida através da recessão e da imposição de elevados custos sobre os trabalhadores. Este cenário oferece perspectivas reduzidas no que toca a futuro crescimento sustentado já que se acredita em aumentos de produtividade espontâneos após as medidas de liberalização. Adicionalmente, não contempla qualquer reforma que altere a arquitectura enviesada da zona euro.

2. A segunda consiste na reforma radical da zona euro. Tal opção envolveria maior liberdade orçamental para os estados-membros, um aumento substancial do orçamento europeu, transferências dos países ricos para os mais pobres, medidas de protecção laboral e investimento europeu dirigido aos sectores industriais ambientalmente sustentáveis. Os restritivos estatutos do BCE seriam igualmente revistos. Esta pode ser designada como a alternativa do “euro bom”. Problemas políticos à parte, é provável que esta estratégia apresente algumas ameaças para as ambições do euro enquanto moeda de reserva internacional, devido à sua provável desvalorização. Tal facto constituiria, por si só, uma ameaça à viabilidade da União Monetária.

3. A terceira alternativa para os países periféricos é o radical abandono da zona euro. Tal alternativa resultaria, de imediato, na desvalorização das moedas nacionais, seguida da cessação de pagamentos e reestruturação da dívida. A banca teria de ser nacionalizada e o controlo público estendido aos sectores estratégicos da economia. Uma política industrial, promotora do aumento da produtividade, seria necessária. Esta opção requer uma alteração radical na balança do poder que seja favorável aos trabalhadores. De forma a evitar estratégias de autarcia nacional, os países da periferia teriam que manter o acesso ao comércio internacional, tecnologia e investimento.”


Olhando atentamente para o PEC português descubra qual foi o caminho que a Zona Euro escolheu … e qual o país europeu que, directamente, tira dividendos dessa opção.

VOLTAS QUE CERTA "ESQUERDA" DÁ

Os leitores menos jovens, que ainda viveram nos tempos da ditadura salazarista, lembrar-se-ão certamente dos livros do humorista José Vilhena, em que este, a propósito dos mais variados temas, satirizava mais ou menos veladamente aquela ditadura.

Lembro-me particularmente de um, intitulado "História Universal da Pulhice Humana", em que ele ilustrava o capítulo relativo à passagem da Idade Média para a Idade Moderna com um desenho em que se via uma multidão (que tanto poderia ser do sec. XV como de sec. XX) a manifestar-se empunhando cartazes em que proclamava: "Queremos sair da Idade Média!", numa óbvia alusão ao regime medievo-salazarista.

É triste hoje, quase quarenta anos volvidos sobre a queda das últimas ditaduras europeias de extrema-direita (em Portugal, na Espanha e na Grécia) ver, sobretudo em países de religião islâmica, movimentos, populaças ignaras, governos e poderosas organizações terroristas, lutar violentamente, não só com "unhas e dentes" mas também com sofisticadas armas modernas (a única coisa "moderna" que parece agradar-lhes) para não saírem da Idade Média.

Mas muito mais triste ainda é ver, nos países democráticos europeus e particularmente em Portugal, certos intelectuais "progressistas" e auto-proclamados "de esquerda", na sua maioria órfãos da defunta União Soviética e procurando outros "pais", apoiar esses governos, movimentos e organizações, e pretender mesmo, sob a capa de um pseudo-progressista "multiculturalismo", que a Europa democrática tolere no seu seio práticas medievais há séculos consideradas criminosas!

Não tarda muito veremos esses "multiculturalistas", ex-comunistas, ex-democratas, ex-progressistas, manifestar-se empunhando cartazes a dizer: "Queremos voltar à Idade Média!"!

Bento – 16: pastorais ou empaleanço?…


Hoje, ou amanhã (…os timings do Vaticano são misteriosos), Bento 16 publicitará uma mensagem dirigida aos católicos irlandeses, com a finalidade de reparar danos “irreparáveis” (passe a redundância) causados pela sucessão de vergonhosos e inadmissíveis escândalos de pedofilia que atingem - impiedosamente - a ICAR.

Não conhecemos (ainda) o teor dessa anunciada mensagem.

Todavia, sabemos que a sua premência, logo, a sua oportunidade, terá nascido na sequência de um encontro realizado, em Fevereiro último, entre o papa e os bispos irlandeses.

O confinamento desta mensagem aos fiéis irlandeses é extremamente redutor para a ICAR. A Igreja católica tem pretensões de universalidade e os escândalos de pedofilia, no seu seio, alastram por todo o Mundo como uma monstruosa mancha que, todos os dias, se expande .
O próprio Bento 16 teve consciência desse facto e na última audiência pública realizada no Vaticano, no passado dia 17 de Março, tentou emendar a mão reconhecendo que essa mensagem contemplava “todos os fiéis”.
Seria melhor que essa mensagem tivesse ainda um âmbito mais vasto e tivesse a pretensão de uma divulgação universal. Isto porque a ICAR está atolada em crimes que não atingem selectivamente “fiéis” mas, num consenso global, a Humanidade.

Finalmente, as expectativas de Bento 16, relativamente ao impacto dessa “carta pastoral” - são irrealistas, para não lhe chamar utópicas.
No actual momento que a ICAR atravessa não há documentos que consigam, como deseja o papado, “ajudar no processo de arrependimento, cura e recomeço”
A situação publicamente revelada é muito mais grave. Não se tratam de meras escoriações…
As feridas causadas pelo mar de escândalos de pedofilia no seio da ICAR minam, de modo irreversível, a pretensa autoridade moral do Vaticano. O prognóstico relativamente aos danos causados não pode encaminhar-se para alucinantes expectativas de “miraculosas” curas, como deseja Bento 16. Como o povo diz – santos de casa não fazem milagres…

A evolução natural das feridas abertas no seio da ICAR e a “conta-gotas” reveladas ao Mundo (crente e não-crente), não se compadece com esperanças de hipotéticas “curas” mas, pelo contrário, a gravidade dos danos aponta para um fim cataclísmico. As "feridas" ameaçam gangrenar. Resta-lhe, portanto, em vez de cartas pastorais, proceder a cruentas amputações ou, em alternativa, surgirá a falência sistémica.
A resistência do cardeal irlandês Sean Brady em aceitar a vontade popular no sentido de demitir-se das suas funções, mostra que a hierarquia religiosa, ao mais alto nível, optou por cuidados paliativos.
Será este o conciso âmbito da anunciada carta-pastoral!