sábado, março 31, 2012

Foto para memória futura

Associação 25 de Abril - Lisboa - C O N V I T E

sexta-feira, março 30, 2012

Uma descoberta seletiva da CIA



Lê-se hoje, no DN, que a página oficial da CIA, a temida agência que não se considera um grupo de pressão mas protagonizou alguns dos mais sangrentos golpes de estado em todo o mundo, considera a Associação de Oficiais das Forças Armadas, a CGTP, a UGT, o movimento dos Precários Inflexíveis e ainda a página da Internet tugaleaks.com  como grupos de pressão portugueses. Só não explicita que são perigosos para a democracia.

A CIP, a CAP, os banqueiros, o gangue da SLN/BPN, a central de intoxicação que atua nos órgãos de comunicação social, a troika, o FMI, a Conferência Episcopal Portuguesa, o Vaticano, a Nunciatura apostólica  e várias outras instituições pouco recomendáveis, não constam dos grupos de pressão.

Nem os recados dos avençados economistas que pregam o extremismo ultraliberal e têm lugar cativo na TV, fazem parte da denúncia da CIA ! Há dois pesos e duas medidas.

Apostila: E os magistrados ?

Quo vadis Passos Coelho ?

A República, o feriado, a laicidade e a hipocrisia


Depois de o ministro da Economia ter escrito um livro, não sobre a forma de dinamizar a dita no país, mas lastimando-se da falta de vocações sacerdotais na diocese de Braga, outrora um alfobre de sotainas e hoje um deserto de talentos pios, eis que anuncia o fim do 5 de outubro e do 1 de dezembro como feriados nacionais.

Quanto ao fim de dois feriados católicos, a Igreja, num ato de tartufismo, invoca o afeto que lhes tem e mostra-se indecisa no sacrifício das datas enquanto aguarda a decisão do Vaticano.

Surpreende que a privilegiada religião de um país laico, para quem todos os dias são santos, não possa transferir para um domingo qualquer dos seus feriados, não estando aqui em causa a ofensiva contra os direitos dos trabalhadores, de que os feriados (e não as pontes) resultam mais da afirmação ideológica do que da necessidade económica.

Desconte-se o dia da Família, a que os católicos podem e devem chamar Natal, ainda que, desconhecendo o ano do nascimento de Jesus, possam adivinhar o dia e fazê-lo coincidir com o que o mitraísmo já comemorava no solstício de inverno. Esse é um feriado verdadeiramente nacional, de crentes e de descrentes.

A Igreja católica, a única a que o Estado laico consentiu a indicação de datas suas para feriados nacionais, não pode fazer chantagem sobre o Governo nem humilhá-lo com a Concordata que lhe impôs graças a crentes que não tinham o direito de sobrepor os interesses do Vaticano aos de Portugal.

A Assunção de Nossa Senhora ao Céu é uma efeméride de que se desconhece a data, o local de partida, o itinerário e o meio de transporte, duvidando de que sejam muitos os católicos que associem o feriado à improvável subida ao Céu, em corpo e alma, da mãe de Jesus.

Só por hipocrisia a ICAR pode insistir na comemoração de um dogma criado em 1950 por Pio XII, o Papa que colaborou com o nazismo e protegeu Ante Pavelic, o autor do holocausto croata, que assassinou cerca de um milhão de judeus, sérvios e ciganos, bem como monsenhor Jozef Tiso, o facínora homólogo da Eslováquia que a condição de nazi não exonerou do carinho, da tranquilidade e da sotaina que o Vaticano lhe preservou.

Para quem já goza de 52 feriados dominicais, num país cuja separação das Igrejas e do Estado está constitucionalmente consagrada e impedida de ser objeto de revisão, esta hipócrita indecisão é um ato de gula que exige, em nome da laicidade e da igualdade das diversas religiões perante o Estado, o mais vivo repúdio e a mais veemente indignação.

Quanto ao feriado do 5 de outubro, a matriz do regime em que vivemos, regime que também não pode ser objeto de alteração em sede de revisão constitucional, esperamos que um PR que o mereça e um Governo que seja digno dele, ainda que da mesma cor partidária do atual, hão de reintroduzi-lo como feriado no calendário cívico e celebrá-lo como merece.

Viva a República.

quinta-feira, março 29, 2012

Multidão contesta a reforma laboral espanhola

Foto de El país

Um caso de polícia substituído por uma pasta ministerial

O ex-presidente da Câmara de Mangualde, depois de ter perdido as eleições, levou para casa várias malas de documentos oficiais, pelo que vai ser acusado.

Paulo Portas, depois da derrota eleitoral de Santana Lopes /Portas, levou para casa 61.893 fotocópias com segredos de Estado. Anda à solta pelo Governo e tem um poder incomensuravelmente maior do que o sua valia eleitoral.

Um caso de polícia substituído por uma pasta ministerial.

Greve geral – Esta polícia de choque não é a da democracia


 Quando vi as imagens de agressões policiais, a manifestantes e jornalistas, vieram-me à memória as manifestações contra a guerra colonial, o funeral do estudante Ribeiro dos Santos, assassinado pela PIDE, ou o da mulher do bancário Daniel Cabrita cuja prisão e tortura do marido a conduziu ao suicídio. O funeral foi uma imensa manifestação contra o regime, rodeada de enorme aparato policial, em Almada.

O Governo já teme a própria sombra, talvez por lhe pesarem demasiado as tropelias. A greve geral foi um relativo fracasso. O medo, a insegurança no trabalho, o peso da perda de um dia de salário e a asfixia democrática tolheram os trabalhadores, mas a repressão trauliteira foi um êxito.

O ministro da Administração Interna limitou-se a ordenar um inquérito cuja conclusão, se a houver, deixa de ter interesse. Nessa altura haverá mais desempregados a temer o futuro. As conquistas de Abril esfumam-se perante a indiferença dos extremistas que ganharam as eleições e que, por isso mesmo, se sentem legitimados nas suas decisões.

O PR, para quem os sacrifícios não poderiam aumentar, depois do PEC-4, só se revolta agora em causa própria e a polícia já confunde máquinas fotográficas com morteiros e os jornalistas com bombistas. Está aberta a caça ao manifestante.

Quem viveu em Lisboa, no início da década de setenta do século passado, lembra-se da alegria com que alguns polícias agrediam os passageiros do Metro que saíam na estação do Rossio, em frente à Pastelaria Suíça, enquanto outros espancavam e prendiam os manifestantes. O capitão Maltês Soares, de má memória, assistia à repressão dos seus agentes. As carrinhas azuis lançavam tinta azul nos manifestantes para os marcarem antes e os prenderem depois, quer fosse nas manifestações de rua contra a guerra colonial ou no assalto às coletividades, como aconteceu na Cooperativa Devir, mandada encerrar pelo governador civil.

Foram os tempos da ditadura que, por impreparação dos agentes da ordem ou por ordem de quem agora manda, voltaram à memória. Se uma manifestação sem grandes deslizes é reprimida de forma desproporcionada, o que nos aguardará quando a incapacidade das centrais sindicais não puder conter a cólera que cresce no dia a dia?

O fotógrafo da Agência Lusa, agredido e levado para o Hospital de S. José, com vários ferimentos na cabeça, e a jornalista da Agência France Press, Patrícia Melo Moreira, experimentaram a violência policial. É fácil imaginar o que espera mais de 800 mil desempregados, 300 mil dos quais já sem subsídio de desemprego, quando usarem um dos últimos direitos que a polícia teve ordens para suspender.

O Governo já os aconselhou a emigrar. Se insistirem em ficar na «zona de conforto» do desemprego nacional, já sabem o que os espera. A polícia recuperou os tiques da velha polícia de choque. Esta não é a polícia de um Estado democrático.


                                      Ponte Europa / Sorumbático

A Garantia da Inocuidade do Produto

No passado dia 14 de Junho de 2007 escrevi aqui um texto dedicado ao tema dos chamados produtos homeopáticos a que dei o título de «Sem Indicações Terapêuticas Comprovadas».

Aí escrevi que na «Farmácia Homeopática de Sta. Justa» são «livre e impunemente vendidos, ou melhor, "impingidos" ao público, preparados misteriosos a preços astronómicos, embora sejam mistelas compostas quase só por água e nunca ninguém tenha conseguido demonstrar a sua eficácia ou sequer o seu efeito».
E disse ainda que a atividade destas coisas chamadas «Farmácias Homeopáticas» cabe bem dentro do âmbito das competências de fiscalização da «A.S.A.E.».

Pois bem:
A tal «Farmácia Homeopática de Sta. Justa» não gostou.
Vai daí, acusou-me do crime de «difamação»: diz a farmácia que a ofendi na sua honra e consideração e que, por isso, violei o artigo 180º do Código Penal Português.

E lá vou eu a julgamento no próximo dia 17 de Abril (pelas 9,30H na 3ª secção do 3º juízo do Tribunal Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, na Expo).

Vai ser giro!
De facto, vai ser muito curioso ver onde está a «honra e a consideração» de uma farmácia que ganha rios de dinheiro a vender impunemente mistelas a que pomposamente chama «medicamentos», mas que o próprio Infarmed declara que só regista depois do respetivo grau de diluição ser de tal modo elevado que «garanta a inocuidade do produto».
E também desde que esteja garantida a «ausência de indicações terapêuticas especiais no rótulo ou em qualquer informação relativa ao produto».

Mas mais importante do que isso é esta curiosa atitude de uma empresa cujo ramo de negócios cabe bem (digo e, como é óbvio, repito) dentro do âmbito das competências de fiscalização da «A.S.A.E.» e que vende produtos declaradamente inócuos a fazer de conta que são medicamentos.

Trata-se, obviamente, de uma claríssima estratégia de intimidação, que mais não visa do que pretender continuar a vender impunemente a sua «banha da cobra» tentando fazer calar o exercício constitucional da liberdade da expressão de uma opinião cientificamente fundamentada.
- O que no julgamento será obviamente demonstrado.

Vai ser giro!

quarta-feira, março 28, 2012

Passos Coelho, a “regra de ouro” ou uma “snappy story”



O primeiro-ministro anunciou hoje que quer vai propor ao Parlamento que a "regra de ouro" europeia sobre limites ao défice e à dívida tenha "força constitucional" em Portugal, mesmo que seja inscrita na Lei de Enquadramento Orçamental. link
"O PS é um partido defensor da permanência de Portugal na zona euro e nesse sentido considera que deve acolher em legislação nacional a regra de ouro [limites ao défice e dívida], mas entende que essa regra deve ser inscrita numa lei de valor reforçado. Todos os orçamentos do Estado devem obediência à lei de enquadramento orçamental e nesse sentido é uma lei que exige uma maioria absoluta de votos", sustentou o líder dos socialistas. link

Um problema para o “bom aluno” , ou melhor, para o “fiel discípulo” da Srª. Merkel que - no Conselho Europeu de 30 de Janeiro 2012 - subscreveu a dita “regra de ouro” link, sem previamente negociar os termos de tal acordo com o maior partido da oposição (necessário para a tal “força constitucional” ou “para-constitucional”).

No entendimento do Conselho Europeu essa disposição deverá ter as seguintes características: “A chamada "regra de ouro", que os países devem inscrever "preferencialmente" na Constituição, embora o texto final agora aprovado admita a possibilidade de ficar consagrada de uma outra forma desde que com valor vinculativo e permanente, obriga cada Estado-membro subscritor do pacto a não ultrapassar um défice estrutural de 0,5 por cento e a ter uma dívida pública sempre abaixo dos 60 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).link

Independentemente dos objectivos nacionais sobre controlo orçamental e a redução da dívida externa, que o MEMORANDUM OF UNDERSTANDING ON SPECIFIC ECONOMIC POLICY CONDITIONALITY consagra para o nosso País, durante o seu período de vigência (2011-14) a instituição da chamada “regra de ouro” tem pretensões muito mais latas do que o prevenir crises económico-financeiras futuras. Acaba por condicionar (para além do espartilho da moeda comum) questões muito mais importantes e que dizem respeito ao melindroso terreno da soberania e da autonomia política. Esta foi, essencialmente, razão de fundo pela qual a Grã-Bretanha e a República Checa se afastaram das decisões do Conselho Europeu de Janeiro de 2012.

Ora, se é verdade que o equilíbrio orçamental e o controlo da dívida são faces da mesma moeda, esta poderá ter diversas cercaduras em conformidade com os estadios económicos, com os diferentes períodos históricos e, inclusive, adaptadas aos ciclos políticos (na UE isto será premente). Frequentemente as chamadas “regras de ouro” são “Leis do Triunfo” e outras vezes “snappy stories” A dificuldade de escolha entre estes dois pólos é diminuta, mas a “pressão” da Srª. Merkel aproxima-se deste último.

Os problemas de Passos Coelho surgem e agudizam-se por uma razão simples: Quem “explodiu” com as circunstâncias que rodearam o PEC IV não podia ter assinado a “regra de ouro” nas condições em que o fez, independentemente da sua vontade de “agradar” (lá fora).

A imagem que Portugal pretende fazer passar para o exterior, fundamentalmente para os mercados financeiros “sentirem” que existe um amplo consenso nacional sobre a execução inerente ao quadro de ajuda externa é ilusória. O que existe é a noção de que vivemos uma profunda crise que nos afecta diversos âmbitos e sectores (social, económico e financeiro) e, a assumpção da estrita necessidade de honrar os nossos compromissos (pagar a dívida externa), enquanto País que busca um futuro.
Sobre o modo de como chegar lá, existem cada vez mais divergências, nomeadamente, sobre o “peso” da austeridade e sobre o “timing” e modelo da recuperação económica. Cada vez mais o País mostrar-se avesso à falácia de: "não existirem alternativas". O exemplo da Espanha em relação ao defice orçamental deste ano é muito significativo, mesmo sabendo que a Espanha não está sob um "plano de resgate", mas trata-se de um grande País em dificuldades que precisa de ir frequentemente financiar-se aos melindrosos mercados ...

É absolutamente abstruso o desejo do eixo franco-alemão de criar vínculos permanentes (esta é a pretensão). Porque esta “manobra” não visa somente a rápida resolução do problema da dívida e pretende, simultaneamente, consagrar nos diferentes Países da UE uma “servidão” aos conceitos e à “doutrina” ultraconservadora que têm como ambição “esvaziar” o Estado enquanto órgão prestador, financiador e regulador de serviços à sociedade em obediência ao conceito de "mercado livre". A crise pode encerrar muitas oportunidades (como a Direita gosta de enfatizar) mas há uma em que é evidente um oculto “aproveitamento”: cercear a concepção socialista e/ou social-democrática de Estado. Por muitos anos e, como sugere a "regra de ouro", de maneira irreversível. Encerrando, deste modo, a construção de um modelo social europeu que presidiu à concepção da CEE e da actual UE. Uma subtil perversão pretensamente vestida de “vontades” democráticas que mais não será do que o subreptício "esquema" encontrado para subjugar o futuro de alguns Países actualmente em dificuldades.
Assim, NÃO!

Espera-se igual eficiência na SLN / BPN

Milagres e exorcismo_1

Os judeus eram exímios em milagres. Sem exclusivo, gozavam de larga experiência no ramo com peritos conceituados como os profetas Elias e Eliseu e o próprio Moisés.

Melhor em curas só Asclépio, também conhecido por Esculápio, com vários templos espalhados pela Grécia onde era deus e curandeiro, tão famoso que ainda hoje empresta o nome aos médicos. Perdeu-o, diz a lenda, a mania de ressuscitar mortos, tendo-o Júpiter fulminado a pedido de Plutão que temia que os seus reinos – os  Infernos –, se despovoassem.

No tempo em que Jesus nasceu, além dos milagres estavam em voga os exorcismos, imprescindíveis para expulsar demónios que procuravam o corpo dos humanos como as bactérias o intestino.

Foi nessa cultura que Jesus nasceu, quando o demo ainda não se afligia com o sinal da cruz nem se deixava intimidar com água benta. Temia os profetas e estremecia com o aramaico como mais tarde havia de fugir dos padres, da cruz e do latim.

Jesus seguiu cedo a carreira de pregador e ofícios correlativos – milagres e exorcismos.

A cura de um possesso em Cafarnaum tornou-o conhecido e em breve outros vieram para que os curasse e ele curou. À Galileia chegaram possessos de Jerusalém,  da Judeia, da Idomeia, de além-Jordão, de Tiro e de Sídon e a todos ele curou.

Jesus expulsou inúmeros demónios, incluindo sete alojados em Maria Madalena, sendo-lhe mais difícil contá-los do que espantá-los.

Isaías profetizou que os leprosos seriam curados, os profetas acertam sempre, e Jesus curou os que lhe apareceram na consulta. Tempo viria, mas Jesus não sabia, em que as sulfonamidas, os antibióticos e a higiene erradicariam a doença.

O Vaticano já não adjudica milagres em leprosos, por falta de doentes, na Europa e na América latina, regiões privilegiadas na agenda das canonizações. É mais eficaz um médico de segunda do que a intercessão através do cadáver de um padre do Opus Dei ou de um mártir que na guerra civil de Espanha tivesse tomado o partido de Franco.

Hoje, perdido o caldo de cultura onde medravam Deus e o Diabo, restam famintos que estrebucham e rolam pelo chão em locais recônditos de países pobres onde os padres com a cruz e o hissope enxotam demónios, em latim, sem sacrificar porcos como Jesus soía.

Jesus foi pioneiro a atravessar a pé o mar da Galileia a caminho de Gerasa, para quem acreditaem Marcos e Lucas, ou de Gadara,  para quem prefere Mateus. Talvez soubesse o caminho das pedras mas o feito ainda hoje é debitado nas homilias para gáudio dos crédulos e proveito dos oficiantes.

Depois de morrer, Jesus apareceu ressuscitado a Pedro, depois aos Doze, mais tarde a mais de quinhentos, depois a Tiago, a seguir a «todos os Apóstolos» e, em último, ao próprio Paulo. Hoje, só a Virgem se desloca em viagens de propaganda e manifestações de piedade.

terça-feira, março 27, 2012

México - Pedofilia mancha visita papal

Os abusos sexuais cometidos durante anos pelo já falecido sacerdote mexicano Marcial Maciel, líder da Legião de Cristo, ensombraram a visita que o Papa terminou ontem no México. Vítimas desses abusos criticaram Bento XVI por não aceitar recebê-los e a Igreja Católica por ter tolerado os crimes.
(...)
"O Vaticano ignorou sistematicamente a sua responsabilidade. Não só sabia, como também tolerou e protegeu Maciel. O Vaticano mentiu", declarou Bernardo Barranco.

João Paulo II - Viagem de negócios

México e Cuba receberam o PDG do Vaticano

segunda-feira, março 26, 2012

Uma entrevista curta e dura


O Caminho das Pedras



   

domingo, março 25, 2012

Papa defende liberdade religiosa


títulos enganadores para quem se contenta com a sua leitura e despreza a notícia. O Papa a defender a liberdade religiosa parece um muçulmano a defender o presunto já que, quanto à liberdade religiosa, ambos a defendem, excluindo as outras religiões.

Em Portugal ainda nos lembramos da ditadura clerical-fascista de Salazar que impedia o acesso à enfermagem e à docência do ensino primário a quem não fosse católico. Um professor universitário causou escândalo quando, após o doutoramento, afirmou que só ia à missa porque, doutro modo, não lhe seria concedido o grau académico.

O pastor alemão considera falta de liberdade religiosa o facto de uma lei constitucional incluir restrições às cerimónias religiosas em locais públicos e, sobretudo, a proibição do envolvimento religioso na política. Esta interferência na luta partidária mexicana é agravada pelo momento e local em que foi proferida: o México está a uma semana das eleições legislativas e o local, onde o Papa fez a provocação, foi cenário de uma revolta católica, na década de 1920, na qual os fiéis, acicatados pelo clero, pegaram em armas contra as leis que retiraram poder à igreja Católica.

O repto foi lançado num país católico que o Papa pretende dominar. Não é a mensagem de um chefe religioso, é a declaração de guerra de um político estrangeiro a favor dos conservadores mexicanos.

O Vaticano é um local pouco recomendável. Há dois papas que é progressivamente pior frequentado.

Apostila - As vítimas do pedófilo padre Maciel acusam o Papa de ocultar o escândalo.

sábado, março 24, 2012

Coligação íntima

Da capa do Público, hoje

Governantes equiparados a motoristas

Correio da Manha, hoje

sexta-feira, março 23, 2012

Governo, a crise, movimentos de contestação social, ...



Ontem, quer durante a greve geral convocada pela CGTP, quer durante a deslocação de Passos Coelho à Universidade do Porto, decorreram alguns incidentes entre manifestantes e forças policiais. link; link; link; link

Sobre o impacto político, consequências sociais e oportunidade destas manifestações cívicas é prematuro tirar ilações. Ninguém negará que são a expressão possível – e organizada - do descontentamento relativo ao plano de austeridade que o País está sujeito.

O Governo e os dois partidos da coligação do Centro-Direita, sempre que confrontados com o significado destes movimentos sociais de contestação declaram que reconhecem "o direito à greve e às manifestações"… link
De seguida, começam os “mas”. Sublinham, desde logo e fugindo a uma análise política destes movimentos sociais, o direito ao trabalho, como se as greves e manifestações que têm decorrido nos últimos anos fossem algum tipo de contestação a esse direito. Pretendem escamotear uma das principais motivações que está na base destes protestos, i. e., o flagelo social do desemprego.

Questionam, em surdina, o exercício destas liberdades consagradas como um direito inscrito na Lei Fundamental contrapondo prejuízos de terceiros. Aproveitam a oportunidade para salientarem uma dualidade virtual e perversa. Enquanto “uns” esfalfam-se a trabalhar e “outros” passeiam-se e perturbam as ruas e praças do País. Na verdade, o que é bem audível nestes protestos envolvendo o factor trabalho (para todos os portugueses) será a voluntariosa condenação da injustiça de “trabalhar mais por menores salários”. Enfatizam, por outro lado, os danos económicos destas greves empolando os seus custos, mas ao mesmo tempo, mostram-se empenhados na desvalorização dos efeitos de políticas recessivas, cada vez mais gravosas (para a Economia).

A evolução destas contestações, até ao momento, enquadradas pelo movimento sindical, institucional, organizado e coordenado começa, no entanto, a mostrar fragilidades. Surgem – e parecem estar para ficar – movimentos de contestação (de indignação) espontâneos cujo alcance é imprevisível.

Endurece a repressão - cada vez mais “musculada” - das forças de segurança pública, a estas manifestações, nitidamente com recurso a meios excessivos face às circunstâncias. De tal maneira que a foto que ilustra este post (agressão a uma jornalista) correu Mundo, não sendo abonatória para o nosso País, em termos de exercício das liberdades cívicas.

O descontentamento existe e é profundo. Tem sido difícil ao movimento sindical organizar e dar resposta aos desafios que o “memorando de entendimento” está a colocar ao País. Neste momento, está em discussão, uma dita “reforma” da legislação laboral. Chamam-na de “estrutural”. Na verdade, desestrutura os direitos sociais (direitos e não prerrogativas), desvaloriza o valor do trabalho e torna (ainda mais) precário o emprego.

Até aqui, tem existido uma profunda contenção social, entremeada pela expectativa e, não esquecer, o medo.
O Governo que tem apostado na desvalorização do movimento sindical poderá estar a brincar com o fogo, abrindo caminho a acções cada vez mais descontroladas e, eventualmente, mais violentas.
Procede assim porque pretende “ir para além da troika”. Porque persegue uma estratégia de empobrecimento cuja dimensão e consequências não sabe explicitar, nem explicar.


Citando Pessoa estamos a “passar além da dor”, mas de Bojador nada!

Preocupações religiosas de uma criança católica

Páscoa… que grande confusão !!!!

- Pai, o que é a Páscoa?

- Ora, Páscoa é …… bem… é uma festa religiosa!

- Igual ao Natal ?

- É parecido. Só que no Natal comemora-se
o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me
engano, comemora-se a sua ressurreição.

- Ressurreição?

- É, ressurreição. Maria, vem cá!

- Sim?

- Explica lá ao puto o que é ressurreição
para eu poder ler o meu jornal descansado.

- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou e subiu aos céus. Entendido?

- Mais ou menos … Mãe, Jesus era um coelho?

- Que parvoíce é essa? Estás-te a passar! Coelho? Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que foste baptizado! Jorge, este menino não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensaste se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular esta criança na catequese!

- Mãe, mas o Pai do Céu não é Deus?

- É filho! Jesus e Deus são a mesma coisa. Vais estudar isso na catequese. É a Trindade.Deus é Pai, Filho e Espírito Santo.

- O Espírito Santo também é Deus?

- É sim.

- E Fátima?

- Sacrilégio!!!

- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?

- Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mãe entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende.
Mas se perguntares à catequista ela explica muito bem!

- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?

- (Aos gritos no meio da casa) Eu sei lá! É uma tradição. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, ele traz ovinhos.

- O coelho põe ovos?

- Chega! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!

- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?

- Era, era melhor, ou então peru.

- Pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? Em que dia é que ele morreu?

- Isso eu sei: na sexta-feira santa.

- Que dia e que mês?

- Gaita!!!! Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.

- Um dia depois portanto!

- (Aos berros) Não, filho – três dias!

- Então morreu na quarta-feira.

- Não! Morreu na sexta-feira santa… ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ouve, já me baralhaste todo! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois!

- Como !?!? Como !?!?

- Pergunta à tua professora da catequese!

- Pai, então por que amarraram um monte de bonecos de pano na rua?

- É que hoje é sábado de aleluia, e a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.

- O Judas traiu Jesus no sábado?

- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!

- Então por que eles não lhe batem no dia certo?

- É, boa pergunta.

- Pai, qual era o sobrenome de Jesus?

- Cristo. Jesus Cristo.

- Só?

- Que eu saiba sim, por quê?

- Não sei não, mas tenho um palpite que o nome dele tinha no apelido Coelho. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não achas?

- Coitada!

- Coitada de quem?

- Da tua professora da catequese !!!
(Origem desconhecida)

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quinta-feira, março 22, 2012

Vaticano - O banco só presta contas a Deus


A filial italiana do JPMorgan anunciou ao Vaticano que irá encerrar a sua conta no próximo dia 30 de Março. Na origem do encerramento está o banco IOR, banco do Vaticano, não ter fornecido informações consideradas importantes pelo norte-americano.

Numa carta enviada em Fevereiro, o banco norte-americano anunciou que a conta do IOR, banco do Vaticano, será encerrada devido a falhas de comunicação de informações obrigatórias segundo a lei contra a lavagem de dinheiro, de acordo com o “Expansión”.

O feriado do 5 de Outubro e as crenças religiosas


A suspensão do 5 de outubro do calendário dos feriados não pode durar mais do que a atual legislatura. Mesmo um governo de igual cor partidária há de reconhecer que a data é património da História e matriz do nosso regime. Basta a substituição por governantes fiéis ao programa do PSD e à memória de Sá Carneiro e Emídio Guerreiro.

A questão dos feriados no último programa «Prós e Contras» do principal canal público teve, voluntariamente ou não, dois objetivos: desviar as atenções da escalada contra os direitos dos trabalhadores e defender o feriado do 1.º de dezembro, respeitável enquanto memória histórica, tendo o programa terminado ao som do Hino da Restauração, adrede preparado pelo político do CDS, Ribeiro e Castro. Era preferível o Hino Nacional.

Bastavam as seguintes leis: divórcio, separação das igrejas e do Estado e registo civil obrigatório, para fazer do 5 de outubro de 1910 uma data emblemática da História de  Portugal. Paradoxalmente, a eliminação do feriado, da data que celebra o regime em que vivemos, tem lugar após a patriótica celebração do seu centenário, com legítima pompa e circunstância. A ignorância, a maldade e a ingratidão uniram-se para perpetrar um crime contra a memória.

A existência de feriados ditos religiosos são um perigo para a estabilidade dos regimes democráticos porque abrem a porta a reivindicações de várias religiões numa sociedade que é cada vez mais plural e cosmopolita. Não devem existir feriados religiosos. Que o dia 24 e 25 de dezembro sejam feriados não se discute, apesar de o dia 24 não o ser. É a festa da família e a Igreja católica, que ignora o ano do nascimento de Cristo, quanto mais o dia, poderá sempre chamar Natal ao solstício de inverno que já o mitraísmo festejava antes de Constantino ter usado o catolicismo para unir o império romano.

A Páscoa calha sempre a um domingo, um dos feriados que a ICAR considera a data da ressurreição de Cristo. Cabe ao Estado respeitar a festa religiosa de uma religião que já conta com 52 feriados dominicais. Ir além disso é provocar a competição religiosa pela afirmação simbólica através dos feriados que cada crença consegue impor.

O que não se pode comparar é o 5 de outubro com a Assunção de Nossa Senhora ao Céu, efeméride que poucos católicos sabem que consiste na subida ao Céu, em corpo e alma, da mãe de Jesus. O acontecimento, cuja data, local, meio de transporte e itinerário se desconhecem, só existe desde 1950, data em que o papa Pio XII declarou tão bizarra e improvável viagem como dogma.

O 5 de outubro de 1910 é a data cuja eliminação do calendário dos feriados é um ultraje aos heróis da Rotunda, uma ofensa ao regime em que vivemos e uma vergonha para os órgãos da soberania, em geral, e particularmente para o mais alto cargo que representa a República.

Há a Constituição da República, a Assembleia da República, o Governo da República e, até, o Diário da República. De que ficará presidente o inquilino de Belém?


Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 21, 2012

O défice do Estado…


Défice do Estado dispara: é quase o triplo de 2011  link

Afinal, a austeridade – como muita gente alertou – começou a “mostrar” as suas consequências nas contas do Estado.

Os seus efeitos já eram bem visíveis (e dolorosos) na Economia, no consumo interno, no emprego, nos rendimentos das famílias, nos cortes das prestações sociais, etc.

Agora, vem a sua “tradução” na execução orçamental. Claro, que membros do Governo, economistas “orgânicos”, comentadores “encartados” e conselheiros avulsos estão a postos para desvalorizar e interpretar, à sua maneira (em “economês”) as contas. Não são sugestões ou impressões ou alvitres - trata-se de números!

Quem diria que um Governo tão assertivo na aposta no “não falhar” ao fim de 8 meses estaria estrondosamente a “disparatar”?

Espanha - Liberdade religiosa segundo o PP



A  delegação do Governo argumenta que deve proteger a liberdade religiosa de los católicos
EFE  21 de março de 2012 14:20

A Delegação do Governo em Madrid proibiu la celebração de uma manifestação convocada por ateus para a Quinta-Feira Santa, argumentando que se trata de una festa «de especial significado para os católicos», cuja liberdade religiosa se deve proteger, e que poderia alterar a ordem pública.

Nós também

DN, hoje

terça-feira, março 20, 2012

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) na RTP - 1

(Entre os 46 m e 20 s / 50 m 30 s)

segunda-feira, março 19, 2012

XIX Governo Constitucional: o "comissionista"...

Governo já criou 45 grupos de trabalho, comissões e equipas…  in J Público, hoje. link

Nas vésperas das últimas eleições legislativas (a 03.06.2012) Passos Coelho afirmou na Antena 1 linkestar preparado para governar Portugal”…

Falta saber quantas comissões, grupos de trabalho, equipas, missões, etc., serão, ainda, necessárias?

Ou, se a tolerância dos portugueses - perante tamanha inépcia política - durará muito…

O nazismo não foi só alemão nem secular

domingo, março 18, 2012

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) na RTP - 1


A RTP – 1 convidou o presidente da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) para participar no programa Prós e Contras, de amanhã. Estará na primeira fila (isto é, fora da mesa) onde espera ter os dois minutos habituais para se pronunciar sobre a eliminação dos feriados. 

Para a AAP é particularmente grave que o feriado emblemático do regime, o 5 de outubro, seja eliminado, enquanto a ICAR manipula e chantageia o Governo com dias santos, como se o Estado fosse confessional e Portugal um protetorado do Vaticano.

Vaticano - A divulgação dos crimes é que o preocupa

 O Vaticano iniciou uma raríssima investigação criminal relacionada ao constrangedor vazamento de documentos de alto escalão que apontavam a existência de corrupção e má gestão em vários departamentos da Santa Sé.

O inquérito, anunciado na sexta-feira pelo jornal do Vaticano, será realizado por um tribunal interno, com o objetivo de descobrir quem vazou o material.

Miguel Sousa Tavares sobre Cavaco Silva

O homem capaz de patrocinar, tolerar ou calar uma conspiração montada no seu palácio contra o primeiro-ministro em funções e depois vir queixa-se de deslealdade deste. O homem que protege os seus aliados, mas só enquanto eles não se lhe tornem inconvenientes. Um homem que, de facto, Sócrates não respeitava. Como Soares não respeitou, como não respeitam Passos Coelho ou Paulo Portas.’

in Câmara Corporativa.

sábado, março 17, 2012

Iludir ou ultrapassar “fissuras”?…


CDS: José Manuel Rodrigues demite-se de vice-presidente do grupo parlamentar… link

O cabeça de cartaz do CDS/Madeira que, nas recentes eleições regionais, beneficiou eleitoralmente do descalabro financeiro provocado, dissimulado e por Alberto João Jardim (AJJ), actualmente deputado na Assembleia da República vive, na actual conjuntura, momentos de grande contradição político-partidária que lhe tolhem os movimentos.

Com as últimas eleições regionais tornou-se, com alguma surpresa, um dos possíveis candidatos à sucessão de AJJ na condução dos destinos dessa Região Autónoma. O problema é que a coligação governamental que suporta o Governo da República não lhe dá espaço de manobra político para afirmar-se na Madeira sem “rasgar” o programa eleitoral apresentado pelo CDS/Madeira.

O sucesso eleitoral guindou-o à vice-presidência do grupo parlamentar do seu partido.

Mas, desde há algum tempo, que a sua situação política tornou-se incómoda e ao que parece, neste momento, insustentável. Como sustentáculo destas divergências podemos recorrer ao seu Requerimento de 189/XII (1ª.) dirigido à Presidente da AR e publicado em 2012-03-15, i. e., a preceder a sua demissão do cargo no grupo parlamentar. Nesse requerimento questiona o contrato de empréstimo da Região Autónoma, nomeadamente o sub-financiamento das necessidades reais bem como as taxas de juros que foram acordadas. link.

A crise financeira, económica e social de Portugal tornou impraticáveis muitos dos “equilibrismos” (ia dizer "malabarismos") muito comuns nos políticos portugueses, quer no âmbito nacional, regional e autárquico.

As “fissuras” começaram a surgir à luz do dia. Na verdade, tratam-se de fracturas expostas e, não esperemos por outra coisa, acabarão inquinadas com vírus de múltiplas incompatibilidades e interesses que vão necessariamente bulir com um límpido exercício democrático representativo.

José Manuel Rodrigues pretendeu salvar a face perante a Madeira, mas exercendo funções num órgão de soberania nacional que, politicamente, suporta o XIX Governo Constitucional e tem produzido uma falaciosa e abundante retórica sobre austeridade e equidade, tornou a “vida” do deputado madeirense, complexa e dificil,  para não dizer pejada de contradições.

Não poderá repetir a rábula do “está tudo bem”, desvalorizando intrinsecamente a sua atitude e, pior, o seu voto contra na AR. Porque se o fizer está a iludir o eleitorado madeirense com uma postura formal, sem ilações políticas. Na realidade, a "divergência" – sobre os termos do contrato de empréstimo da República à Região - é de importância fulcral para quem vai, em última análise, pagar: os madeirenses!

Factos & documentos

sexta-feira, março 16, 2012

A boçalidade e o fascismo larvar em Santa Comba Dão

João de Sousa é o presidente da Câmara de Santa Comba Dão, concelho cuja gente não é responsável por ter ali nascido uma figura sinistra da história portuguesa – Salazar.

Se o eleitorado escolheu para edil o Sr. João de Sousa foi porque não o considerou um primata boçal, solípede à solta, capaz de bolçar alarvidades.

Certamente, para além da falta de memória, o medíocre cidadão, de rudimentar cultura e imenso analfabetismo político, é uma pessoa normal, mas espanta o país ao querer ligar o nome de Salazar, «nome conhecido em todo o mundo» – segundo diz –, ao concelho onde nasceu. Até já criou a marca de vinho «Memórias de Salazar» enquanto se propõe dar o nome da sinistra criatura a outros produtos e projetos.

Não consta que haja quem se tenha lembrado de comercializar, por exemplo, o queijo curado à Hitler, a aguardente velha Estaline, o doce de ovos Francisco Franco, o licor Pinochet, ou outras iguarias cujos nomes causariam náusea e vergonha. Por isso o projeto do ignaro edil não pode ser tolerado, porque é o branqueamento de um passado que o Sr. José de Sousa desconhece, porque é um insulto aos presos sem culpa formada, aos assassinados pela PIDE, aos exilados políticos, aos réus dos Tribunais Plenários, aos torturados do Tarrafal, Peniche e Caxias, aos demitidos da função pública por motivos políticos, às vítimas da guerra colonial, em suma, a todas as vítimas de uma ditadura grotesca que negou a Portugal e aos portugueses os mais elementares direitos.

Calar estas situações é ser cúmplice.   

Stocks de Sangue: das carências pontuais à ruptura anunciada?


A situação das reservas de sangue é exemplar para a percepção da política que o Ministério da Saúde está a desenvolver.

De facto, a instalação de uma situação (cronicamente?) deficitária dos níveis nos stocks de sangue nas instituições de saúde pode tornar-se num sério problema. Quando surgiram os primeiros alertas (há mais de 6 meses) link estes foram desvalorizados sendo considerados como “quedas habituais”, verificáveis no pino do Verão e do Inverno, supostamente correlacionáveis incidentes de sazonais que traduziam variações das disponibilidades pessoais.

Actualmente, o IPS recusa “avançar os dados relativos aos níveis de reservas de sangue existentes depois da quebra nas dádivas registadas no início de Fevereiro…” link o que é uma omissão preocupante quando pretendemos conhecer o estado da medicina transfusional em Portugal.

Quando em Agosto passado se começaram a verificar algumas preocupações sobre reservas de sangue (nomeadamente equacionando a necessidade de recurso às reservas estratégicas) o ministro apareceu, prontamente, a afirmar que “não há falta de sangue nos Hospitais” e aproveita o ensejo para reforçar o apelo a doação de sangue. link

O cidadão Paulo Macedo, no dia seguinte, integra a campanha “Dador-Salvador”. Novamente, vestindo a roupagem de ministro tece considerações sobre o polémico fim das isenções de taxas moderadoras para os dadores (na altura ainda em estudo), embora conceda a importância de discriminação positiva, continua a defender o critério de que “ é essencialmente pelos rendimentos que se deve determinar a isenção de pagamento das taxas”. link

Entretanto, diversas associações de dadores de sangue, em Fevereiro de 2012, entregam uma petição a solicitar a isenção de taxas moderadoras. link. Todavia, quando vêm a terreiro as “novas” taxas moderadoras prevalece a linha oficial do Ministério. O critério é o rendimento (o IRS) e os benefícios são regulados pelo Decreto-Lei N.º 113/2011, de 29 de Novembro link e a Portaria n.º 311-D/2011 de 27 de Dezembro link onde a isenção (para os dadores de sangue) se resume, na prática, às prestações em cuidados de saúde primários (Centros de Saúde) para os ditos prestadores “benévolos”…
Mercantiliza-se a postura de isenção (assumida pelas associações de dadores) deixando subjacente a ultrajante noção de “doação interesseira” (em troca de benefícios).
Não se tratam os dadores como cidadãos solidários que prestam uma dádiva aos doentes. Tratando-se de um bem precioso é perverso colar à solicitada isenção que uma outra carga que não seja um incentivo.
Ainda para mais um estímulo simbólico. Muitos dos estimados 400.000 dadores portugueses, por princípio, desfrutam de boa saúde (não são “abusivos” utentes do SNS), não havendo, portanto, nada a “moderar”. Esta reivindicação das associações de dadores de sangue tem, contudo, outro alcance (político). Trata-se, tão-somente, da defesa de direitos adquiridos, situação intolerável para o actual Governo, apostado em derrubar todas as barreiras que possam obstaculizar a prossecução de estreitos fins orçamentais. Falar de direitos adquiridos, ou evocá-los mesmo que discretamente, tornou-se blasfemo para o actual governo.

Não é nenhum princípio de equidade incidindo sobre a actualização das taxas moderadoras (que como costumam dizer os inefáveis agentes governamentais “está no memorando de entendimento”) que está em causa. É a senda de legitimação política dos cortes dos subsídios de férias e Natal, da redução de prestações sociais (subsídio de desemprego, RSI, pensões, aposentadorias, …), a deslizante desvalorização remuneratória da força do trabalho, etc. Em resumo, a saga do empobrecimento como “solução” redentora para o futuro. Ou a equidade transformada em opróbrio.

Posteriormente, a audição parlamentar do presidente do IPS, a solicitação do BE, veio clarificar que não existe um problema exclusivo de colheitas e esta auditoria veio alargar e aprofundar o leque de inquietações que apoquentam a eficiência e o futuro da medicina transfusional em Portugal. Estamos perante a instalação de uma verdadeira incapacidade de resposta estrutural.
Nesta audição foi revelado que o IPS “perdeu”, num ano, 149 profissionais link. Não precisamos de outros indicadores para exigir que o MS mude o rumo de actuação.

Perante a queda da oferta – e independentemente da bondade das campanhas em curso – precisamos de adaptar e diversificar a procura. Isto é, abrir novos centros de colheita e aumentar o número de brigadas nacionais. Exactamente o oposto do que o MS está a fazer com a sua “política de cortes”. (cegos ou sistemáticos, tanto faz).
 Política que, passe a ambiguidade, vai “fazer sangue”…

Lobo a guardar ovelhas

O BE exigiu hoje que o Governo esclareça se António Borges continua à frente da equipa que irá supervisionar as privatizações, considerando “inaudito” que o gestor possa acumular funções de gestão na Jerónimo Martins.

Tribunal de Madrid acusa freira de rapto de crianças

O seu nome repetia-se nos testemunhos de muitas mães que denunciavam o roubo de seus filhos nas clínicas São Ramón e Santa Cristina de Madrid. O Tribunal de Madrid chamou-a recentemente a declarar como acusada. Soror María Gómez Valbuena, compareceu mas negou-se a falar, segundo fontes do Ministério Público, que agora a arguiu por detenção ilegal junto do tribunal de instrução número 43 de Madrid.

quinta-feira, março 15, 2012

Ontem, o suspeitado escândalo…


O NYT link publicou, ontem, um artigo de opinião incontornável se quisermos compreender as manobras do mundo financeiro que tanto têm afectado a Europa.
Indispensável ler!

As reacções não se fizeram esperar… mas o escândalo fica link; link

A República e as leis religiosas


A República e as «leis religiosas»
Vale a pena recordar as três leis religiosas emanadas do Governo Provisório da República que mais polémica geraram e profunda efervescência causaram: a da Separação entre o Estado e as Igrejas; a que permitiu o divórcio; e a que estabeleceu o Registo Civil».
A Igreja Católica Apostólica Romana ( ICAR) moveu-lhes uma luta obstinada. Fomentou o ódio, instigou arruaças e conjuras militares, denegriu, caluniou e combateu ferozmente o que hoje aceita. Negou os sacramentos e funerais religiosos a quem apoiasse a República, armas que à época aterrorizavam as pessoas, receosas do castigo de Deus, da chantagem dos padres e da reprovação social. 
Convém não esquecer que algum clero foi perseguido, algumas vezes de forma violenta, por condenável retaliação. Mas é interessante ver como leis tão justas foram combatidas com tanta brutalidade, só possível porque o catolicismo é um cristianismo rural que vingou nas aldeias, por entre regos de couves e leiras de feijão de estaca, adubado pelo espírito retrógrado de padres fiéis ao concílio de Trento. Como religião a ICAR é monoteísta, reacionária e um proclamado veículo para a salvação da alma.
O Portugal beato, rural e analfabeto é hoje um pesadelo do passado, graças à progressiva secularização, mas, durante a 1.ª República, foi o caldo de cultura onde germinou Salazar, esse génio da mediocridade que, para castigo do Povo, abandonou o seminário e transformou o País em sacristia.

A ICAR tem ainda um enorme poder que se exerce à sombra das sacristias, nos meandros da conferência episcopal, disfarçado em obras de assistência ou infiltrado no aparelho de Estado mas as leis da Separação entre o Estado e as Igrejas; a que permitiu o divórcio; e a que estabeleceu o Registo Civil aí estão, desde 1911, como símbolo da modernidade de que a República Portuguesa foi pioneira.
Viva a República.

Portugal, a ética, o abismo e a chuva

Parece que é a nossa vocação suicida que vai atirando Portugal, rápida e eficazmente, para o  abismo.

Sócrates não pode servir de desculpa para as tropelias do estagiário que lhe sucedeu no Governo, nem de explicação por defeito para todas as malfeitorias que nos arrastam para o pântano ou de pretexto para desviar atenções da progressiva dissolução ética.

O PR, campeão da deslealdade, com a canhestra operação das «escutas», não pode fazer esquecer os cobres ganhos na SLN, com que arredondou as reformas e o vencimento que acumulou até ter sido impedido por um Governo, que, a partir daí, lhe merece rancor. O ataque despropositado e excessivo ao ex-PM, cujo governo já foi julgado nas últimas eleições, está, como o acusador, fora de prazo e do elementar bom senso. Restam-lhe as explicações sobre a permuta de terrenos algarvios que o fizeram vizinho de Oliveira e Costa, Eduardo Catroga e Fernando Fantasia, substituindo a vivenda Mariani, que só o nome a desvalorizava, pela elegante Gaivota Azul.

A Associação Sindical de Juízes quer julgar o governo de Sócrates, e só esse, remetendo para o Ministério Público a avaliação dos gastos de membros do referido governo com cartões de crédito e telemóveis, quando os procuradores voltavam do festivo congresso num hotel faustoso, com programa de luxo para acompanhantes, patrocinados por dois bancos envolvidos na «Operação Furacão», além da CGD, BPI, a companhia de seguros Império Bonança e outras instituições amigas dos sindicalistas organizadores.

Por sua vez um meritíssimo juiz de Viana do Castelo proibiu, no seu tribunal, o uso do novo Acordo Ortográfico, numa louvável atitude de separação de poderes, esquecendo que os dignos procuradores não lhe devem obediência.

Resta-nos a piedosa confiança em Deus da ministra da Agricultura, e das suas orações a pedir chuva, acompanhada pelo bispo de Beja, a admoestar os diocesanos por, numa época de seca, não implorarem a proteção divina que a teria evitado. Perante a secura do ar ficamos sem saber se foi a ministra que não rezou o suficiente ou se é a falta de fé dos alentejanos que está na origem do castigo divino.

Ponte Europa / Sorumbático

quarta-feira, março 14, 2012

Assim vai o meu país...

Incêndio religioso

Comentário: Um crime sectário, ao nível do fascismo islâmico das teocracias do Golfo.

terça-feira, março 13, 2012

Nem tudo está mal em Portugal

Finalmente, uma notícia que nos permite sentir algum orgulho...

Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.
Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.

Conclusão:

Isso significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja, até é económico!

...Afinal, nem tudo está mal, neste País!

(Enviada por F. G.)

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EDP substituiu secretário de Estado da Energia

Artur Trindade, que até agora exercia funções na Entidade Reguladora do Setor Energético, tomou posse, esta terça-feira, como secretário de Estado da Energia, substituindo Henrique Gomes, que se demitiu do cargo.

Coimbra - conferência com Otelo - CONVITE

segunda-feira, março 12, 2012

O Álvaro, o ferro e a banha da cobra...




Em 21.10.2011:


Os australianos da Rio Tinto, a maior empresa de minas do mundo, querem investir cerca de mil milhões de euros na exploração de ferro em Portugal, disse fonte próxima das negociações à Agência Lusa.

O projeto será realizado nas minas de Torre de Moncorvo, em Trás-os-Montes, um dos maiores depósitos de minério de ferro da Europa, com recursos medidos e indicados de 552 milhões de toneladas de minério e recursos inferidos de mil milhões de toneladas.

O investimento está a ser negociado entre o Governo, a empresa que detém a concessão da mina até 2070, a MTI - Minning Technology Investments, e a Rio Tinto, refere a mesma fonte.

O Ministério da Economia confirma oficialmente que está "a desenvolver negociações com uma das maiores empresas do mundo para um grande investimento no sector mineiro em Portugal", sem, no entanto, avançar qualquer dado sobre o assunto.

Álvaro Santos Pereira já tinha anunciado a 27 de Setembro na RTP que existia uma multinacional que pretendia fazer um grande investimento em Portugal, escusando-se na altura a avançar com detalhes. link.
Em 12.03.2012:

A anglo-australiana Rio Tinto não confirma interesse em investir nas minas de ferro de Moncorvo. Ao Jornal de Notícias, fonte oficial da empresa chamou-lhe "especulação da Imprensa portuguesa". E por isso não comenta. O investimento anunciado há cinco meses pelo ministro Álvaro é considerado "especulação jornalística" pela Rio Tinto, o grupo mineiro supostamente interessado na exploração do ferro. link

* * *

Como?



- Não basta o País estar sob uma violenta especulação à volta da sua dívida soberana?

- Será que o Ministro Álvaro resolveu associar-se às manobras especulativas e vai daí resolveu “sonhar” um novo “ciclo do ferro” em Moncorvo?

- Ou algo terá corrido mal nas negociações “com uma das maiores empresas do Mundo” (como na altura ASP se referiu a este projecto)?

- Que equívocos habitam a serra do Reboredo, a política de investimento nacional e o marketing governamental?

- Não será melhor encontrar rapidamente uma justificação credível para estes “desmandos”?


É que corremos o risco de estarmos confrontados com um terrível dilema: em vez de um ministro da Economia temos pela frente um "vendedor de banha da cobra"...


Cavaco equivocou-se nas desculpas


Cavaco Silva é um homem acossado pela falta de perfil para o cargo que ocupa. A falta de cultura, e inadaptação às funções que o eleitorado lhe confiou, levam-no a esconder as suas insuficiências com enorme agressividade e falta de rigor nas explicações.

Quem praticou a colossal deslealdade da acusação das "escutas" a Belém, próxima das eleições legislativas de 2009, a acabou por promover Fernando Lima, o mensageiro da intriga, na tentativa de implicar Sócrates, devia exonerar do seu vocabulário a palavra «deslealdade» e abster-se de falar de quem está ausente da política e tem o sentido de Estado que o impede de se defender.

Nas sua peculiar desculpa, com que quis reincidir na calúnia ao ex-primeiro-ministro, o PR confundiu o dever do PM “de o informar acerca dos assuntos respeitantes à condução da política interna e externa do país”, não como incumprimento de um dever mas como grave deslealdade que, na altura, não teve a coragem de denunciar. Ao vir agora, de forma reiterada, a perseguir o chefe do Governo que o eleitorado julgou nas últimas eleições, só revela a mesquinha atitude de pessoa vulgar, que não ultrapassa os ressentimentos e desejo de vingança.

Muito se poderia dizer das intromissões abusivas que o inquilino de Belém fez na área da exclusiva competência de S. Bento. Mas não vale a pena insistir nos ódios que o consomem. Basta-lhe o caso das escutas e a permuta dos terrenos algarvios para lhe atormentarem a alma de quem está à espera de que nasça alguém mais sério do que ele. 

Suicídio






domingo, março 11, 2012

Uns mais iguais do que outros

Reforma administrativa é urgente e necessária

A reforma administrativa é  inadiável. O PS e o PSD estão a perder a primeira oportunidade de desenhar um mapa administrativo coerente e sustentável. A competição eleitoral entre ambos faz afastar o primeiro e causa pânico ao segundo. Nenhum quer perder votos.

Era nesta altura que Portugal precisava de um PR com sentido de Estado, cultura cívica e espírito patriótico, que merecesse o respeito dos partidos para os obrigar a um acordo que sacrificasse o número de autarquias de escasso interesse nacional em vez de desviar verbas do ensino e da saúde.  

O alfobre de caciques vai continuar em 308 concelhos, alguns a escassos quilómetros do próximo, e, apenas, a eliminação das pequenas freguesias, das 4260 que existem, vão justificar o acordo com a Troika.

Os presidentes das juntas de freguesia, órgãos executivos, fazem parte por inerência das assembleias municipais, órgãos de fiscalização. Esta contradição ajuda a justificar as senhas de presença em reuniões faraónicas.

Desde que os membros das mesas eleitorais passaram a ser remunerados, foi-se perdendo o sentido republicano da participação cívica desinteressada e patriótica.

Por mais que custe aos adversários da Regionalização, quiçá traumatizados com a deriva desvairada do sátrapa madeirense, era a altura certa para criar as cinco regiões administrativas continentais e resolvermos de uma vez os problemas autogestionários de municípios entregues a caciques.  

sábado, março 10, 2012

Organograma europeu segundo o PCP

sexta-feira, março 09, 2012

A insustentável leveza de caráter do PR


Cavaco Silva, ao acusar José Sócrates, no prefácio do livro "Roteiros VI", de falta de lealdade institucional, “por não o ter informado previamente da apresentação do PEC IV”, em 2011, além de ser pouco credível, confirmou que o rancoroso discurso da sua reeleição não foi um caso emocional, é um problema de caráter.

Parece não ter digerido ainda o ressentimento da lei que impediu todos os portugueses de acumular pensões e vencimentos, como se o governo de Sócrates devesse isentar o PR do sacrifício que exigiu a todos os cidadãos.

Os portugueses não sabem se o caso das célebres escutas que Fernando Lima inventava em Belém para, através de um jornalista sem escrúpulos, denegrir o Governo, é exemplo da lealdade institucional que corresponde aos padrões do atual inquilino de Belém.

Foi infeliz, na forma e na substância, a comemoração do primeiro ano do seu segundo mandato com a publicação de um livro vingativo, que provavelmente todos pagamos. Depois de se ter negado a explicar se a permuta de dois terrenos no Algarve, em que o atual é maior, melhor localizado e com uma bela vivenda dentro, levou ao pagamento de mais valias, devia ter evitado comentários que excedessem a apreciação sobre o sorriso das vacas açorianas.

Cavaco Silva acumulou ao longo da vida factos que, não sendo crimes, não são bonitas ações. É o caso da ficha preenchida para a Pide em que, para além da prevaricação ortográfica, insinua que a madrasta da mulher não é digna de privar com ele. Talvez isso justifique a atribuição a dois pides de uma pensão que negou a Salgueiro Maia. Talvez a nostalgia da polícia política seja superior à simpatia pelo 25 de Abril ou pelo 5 de Outubro.

Por mais que os portugueses desejem ajudar o atual PR a cumprir o segundo mandato com dignidade, o inquilino de Belém tudo faz para o impedir. Já estavam esquecidos os ataques que fez à Assembleia da República, quando da votação unânime do Estatuto dos Açores, e veio agora falar de lealdade institucional quem a quebrou de forma intolerável perante dois órgãos de soberania popularmente sufragados.

Enfim, quem nunca mais explicará as relações com o BPN, perdeu a oportunidade para unir os portugueses e reacender a animosidade que o pior, mais inculto e vingativo PR da democracia não se cansa de atrair. 

Mais iguais do que outros


Tal como o PÚBLICO avançou esta semana, o banco público teve direito a um regime de excepção, confirmou hoje a tutela, depois de ter dito que não tinha ainda tomado uma decisão.

Vaticano - um exemplo a evitar

Pela primeira vez, o Vaticano surge na lista dos Estados potencialmente vulneráveis à lavagem de dinheiro em casos de droga.

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Pela primeira vez, o governo norte-americano, por meio do Departamento de Estado, coloca o pequeno Estado do Vaticano na lista dos 67 países potencialmente suscetíveis à lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.


O elenco, na categoria de “ Estados preocupantes”,  acaba de ser  publicado no relatório anual da International Narcotics Control Strategy, que será encaminhado ao Congresso dos EUA na próxima semana.


O Vaticano, como “Estado preocupante”, figura ao lado, por exemplo, da Albânia, República Tcheca, Egito, Coreia do Sul, Malásia e Iêmen.