Greve geral – Esta polícia de choque não é a da democracia


 Quando vi as imagens de agressões policiais, a manifestantes e jornalistas, vieram-me à memória as manifestações contra a guerra colonial, o funeral do estudante Ribeiro dos Santos, assassinado pela PIDE, ou o da mulher do bancário Daniel Cabrita cuja prisão e tortura do marido a conduziu ao suicídio. O funeral foi uma imensa manifestação contra o regime, rodeada de enorme aparato policial, em Almada.

O Governo já teme a própria sombra, talvez por lhe pesarem demasiado as tropelias. A greve geral foi um relativo fracasso. O medo, a insegurança no trabalho, o peso da perda de um dia de salário e a asfixia democrática tolheram os trabalhadores, mas a repressão trauliteira foi um êxito.

O ministro da Administração Interna limitou-se a ordenar um inquérito cuja conclusão, se a houver, deixa de ter interesse. Nessa altura haverá mais desempregados a temer o futuro. As conquistas de Abril esfumam-se perante a indiferença dos extremistas que ganharam as eleições e que, por isso mesmo, se sentem legitimados nas suas decisões.

O PR, para quem os sacrifícios não poderiam aumentar, depois do PEC-4, só se revolta agora em causa própria e a polícia já confunde máquinas fotográficas com morteiros e os jornalistas com bombistas. Está aberta a caça ao manifestante.

Quem viveu em Lisboa, no início da década de setenta do século passado, lembra-se da alegria com que alguns polícias agrediam os passageiros do Metro que saíam na estação do Rossio, em frente à Pastelaria Suíça, enquanto outros espancavam e prendiam os manifestantes. O capitão Maltês Soares, de má memória, assistia à repressão dos seus agentes. As carrinhas azuis lançavam tinta azul nos manifestantes para os marcarem antes e os prenderem depois, quer fosse nas manifestações de rua contra a guerra colonial ou no assalto às coletividades, como aconteceu na Cooperativa Devir, mandada encerrar pelo governador civil.

Foram os tempos da ditadura que, por impreparação dos agentes da ordem ou por ordem de quem agora manda, voltaram à memória. Se uma manifestação sem grandes deslizes é reprimida de forma desproporcionada, o que nos aguardará quando a incapacidade das centrais sindicais não puder conter a cólera que cresce no dia a dia?

O fotógrafo da Agência Lusa, agredido e levado para o Hospital de S. José, com vários ferimentos na cabeça, e a jornalista da Agência France Press, Patrícia Melo Moreira, experimentaram a violência policial. É fácil imaginar o que espera mais de 800 mil desempregados, 300 mil dos quais já sem subsídio de desemprego, quando usarem um dos últimos direitos que a polícia teve ordens para suspender.

O Governo já os aconselhou a emigrar. Se insistirem em ficar na «zona de conforto» do desemprego nacional, já sabem o que os espera. A polícia recuperou os tiques da velha polícia de choque. Esta não é a polícia de um Estado democrático.


                                      Ponte Europa / Sorumbático

Comentários

tens razão meu

o estado continua corporativo

a poliça é ainda menos democrata que os man infestantes

é tramado meu...coisinho...pá

geralmente meu atirar garrafas e chamar imbecis à bófia

põe os bófias logo finos
aqui agente diz morte à bófia e atira tejolêra

as claques andam um pouco fracotas aqui no sul e o pessoal pra afinfar nos choques tem de ir a alvalade...
isté um deserto coltoral meu...

nã phodiam ter amandado pétalas de rosa à poliça jã baskista e batido palmas para dizerem que eles eram uns animais?

é que atirar sangue garrafas e insultos ao jã basquismo
geralmente só os faz mais raivosos

chamar-lhes fascistas e murcões e imbecis tamém nã ajuda nada...



queu me lembre desde que vos começaram a atirar pétalas de rosa e a chamar-vos parvus...e débeis mentaes

a vossa relação com os bossos adbersários amelhorou muito...

amanhã bou atirar umas garrafas de super bock à ponte pra testar os reflexos...da ponte tá claro

no festival da canção de 80 e tal foram uns gaijos a évora gravar uns takes e pararam o pessoal que ia pró travalho durante 20 minutos

um esgueirou-se pla poliça e cortou pela ruela da esquerda

o realizador disse ós restantes para baterem palmas para mostrarem ó travalhador quele era um bruto

e nã adevia tar a interromper os que travalhavam a sério....

naquele tempo nã tinham pétalas pra lhes jogar nas fuças

percebido?
nã?

clap clap clap...(é oh man oh tu peia de um macaco a bater com os presuntos nã é uma DST em inglês techno)ono má to peias
da yoko ono ...

clap clap clap...
ahora boçês biram-se pra cá
(birtualmente) e agradecem ao...
Antonio disse…
O mêdo apodera-se. Aos poucos eles conseguem o que querem.Por enquanto vão disfarçando, como um comentarista, da mesma laia, que muda de nome todos os dias, neste blogue. aproveitando a democracia...
António:

Suportei 31 anos de ditadura e 4 anos e 4 dias de guerra colonial. Não leio os comentários de quem não aprecio e não faço o que eles fariam - censura.
Antonio disse…
Carlos Esperança:
Sou desse tempo e compreendo-o. Para alem disso dou-lhe razão. Acredite que me chamo mesmo António. Claro que não gostei que um cobarde, que dá por vários nomes, me tivésse chamado, há tempos, de salazar. Fico-me por aqui. Já não tenho idade para aturar disto.
António:

Temos sempre idade para desprezar a erva ruim.

Abraço.
Eu,um simples operário emigrante na Holanda desde 1964 e já velho
(88anos)digo simplesmente que quem Governa não são os Democratas mas sim os Plutocratas tal como na Ditadura clerical-fascista do
Estado Novo e os Agentes da Polícia são recrutados de entre o Povo,até mesmo de entre a Plebe e são ensinados na mesma «escola» para proteger os Poderosos e para espancar o Povo donde são oriundos
Êstes pseudo-democratas juraram vingar-se do 25 d'Abril.
Mas,porém,todavia,contudo......

Com populismo e demagogia,
muita mentira,verdade parece,
mas em liberdade e democracia
o Povo tem o Governo que merece.

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