Há 81 anos – A vitória sobre o nazi/fascismo (texto atualizado)
Há 81 anos – A vitória sobre o nazi/fascismo (texto atualizado)
Em 8 de maio de 1945, a Alemanha rendeu-se aos aliados
ocidentais e, no dia seguinte, à URSS e seus aliados do Leste, terminando a
maior e a mais trágica guerra de sempre, ainda que a Guerra só terminasse de
jure com a posterior rendição do Japão.
Acabou nesse dia a 2.ª Guerra Mundial na Europa. Dez dias
antes, em Itália, Mussolini fora julgado sumariamente e fuzilado com a amante,
Claretta Petacci. Dois dias depois, Hitler suicidou-se com um tiro na cabeça, e
a sua mulher, Eva Braun, com a ingestão de uma cápsula de cianeto.
O Alto Comando alemão, gorada a tentativa de assinar a paz
com os aliados ocidentais, rendeu-se, sem condições, em 8 de maio de 1945.
Nesse dia começou o fim do pesadelo que o nacionalismo, a xenofobia e o racismo
provocaram, desde o dia 1 de setembro de 1939, com a invasão da Polónia,
perante a conivência de muitos polacos. A Alemanha, ignorando o tratado de
Versalhes, começou a guerra de expansão com fortes apoios em países invadidos.
A Espanha, vítima da barbárie de Franco, vivia o medo, silêncio e luto de 1
milhão de mortos, desaparecidos e refugiados, e as ditaduras ibéricas
sobreviveram à sua matriz nazi/fascista até à morte dos respetivos ditadores.
Quando parecem esquecidos os crimes do nazi/fascismo e o
maior plano de extermínio em massa de que há memória, regressam fantasmas e
surgem velhos demónios, como se o Holocausto não tivesse ocorrido e os fornos
crematórios não tivessem assassinado milhões de judeus, ciganos, homossexuais e
deficientes, na orgia cruel de que a loucura nacionalista foi capaz.
O nazifascismo levou a guerra a África e à Ásia e, na
Europa, não foram os europeus que o derrotaram, foram os EUA e a URSS que
vieram esmagar a besta nazi contra a qual a coragem e abnegação dos resistentes
foram impotentes.
Após a implosão da URSS, na improbabilidade de regresso dos
partidos comunistas ao poder, deixou de haver desculpas para a extrema-direita
e atenuantes para a xenofobia, o racismo, a homofobia, o antissemitismo e todos
os crimes de ódio de que uma alegada supremacia rácica é capaz.
A capitulação alemã, 8 de maio de 1945, foi fundamental para
a História mundial. Os historiadores comparam-na à Reforma Protestante e à
Revolução Francesa. Recordar o nazismo é refletir sobre a violência do Estado,
erradicar o antissemitismo e homenagear todas as vítimas que ao longo da
história foram perseguidas por preconceitos religiosos, étnicos e culturais.
É urgente recordar a História porque a repetição da tragédia
é já uma ameaça. Sente-se o despertar de demónios totalitários que originaram a
maior tragédia do século XX.
A extrema-direita ainda aí a medrar à solta, em toda a Europa, com a amnésia coletiva do passado.

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