Mensagens

João César das Neves

Hoje, no Diário de Notícias , pode ler-se, do inefável economista e devoto cavaquista, o seguinte: «O Anel, para afirmar o seu poder, fez com que Gandócrates, o Branco, ficasse sob o poder das "Duas Torres", a Ota e o TGV, que haverão de perpetuar o despesismo por toda a Terceira Era. E agora, imaginem, o feiticeiro até anda a dizer que a única solução para o problema é "O Regresso do Rei"!» Dois comentários, apenas, para o último parágrafo: 1 – O homem esteve calado quando Durão Barroso assinou com os espanhóis 4 (quatro) itinerários do TGV, parecendo que as coisas são boas, mesmo em excesso, se forem do PSD, e más, ainda que moderadas, se forem do PS. 2 – «...a Ota e o TGV, que haverão de perpetuar [sic] o despesismo por toda a Terceira Era». Com um português desta categoria não ganhará o Nobel da literatura mas ganha direito a repetir o exame da 4.ª classe.

Guerra dos têxteis adiada

A União Europeia e a China chegaram a acordo em relação a milhares de peças de vestuário bloqueadas nas alfândegas europeias. O presente acordo, referente às quotas de exportação de têxteis chineses, foi negociado em Pequim por uma delegação europeia presidida por Tony Blair, pondo termo à retenção de 80 milhões de peças de vestuário chinesas retidas nas alfândegas. O acordo tem ainda de ser aprovado pelos 25 membros da União Europeia embora tenha sido considerado «equilibrado» e «satisfatório» para as duas partes. O problema persistirá, contudo, dado o estado de estagnação económica da Europa e o peso dos têxteis nas economias mais frágeis, onde se inclui Portugal.

Carlos Felício da Costa

Deixou de colaborar no «PONTE EUROPA» a seu pedido, solicitando que o seu nome fosse retirado. Como era previsível, já começaram os corajosos anónimos a falar de saneamento. Se conhecessem minimamente o advogado Carlos Felício , certamente não se atreveriam a pensar que ele se deixaria sanear donde quer que fosse, remetendo-se ao silêncio. Regressará quando quiser a este espaço que também é seu. Será bem-vindo. Quem viu no afastamento voluntário, espero que temporário, um acto de censura alheia, é pessoa que atribui aos outros o que certamente era capaz de fazer.

O regresso dos fascistas

É preciso recuar aos primórdios do ano de 1974 e à leitura dos jornais «Época», «Diário da Manhã» e «Novidades» para ler uma prosa tão cabotina, reaccionária e de tanto ódio como aquela que, sob o título « Dr. Mário Soares: “Desapareça ”», o Sr. João de Mendia bolçou nas páginas do Diário de Notícias de 4 de Setembro. O plumitivo pode odiar Mário Soares, execrar a democracia, ser salazarista e nostálgico do colonialismo. Faz parte do direito à liberdade de expressão pela qual Mário Soares lutou toda a vida, mas não tem o direito de ofender os portugueses que maioritariamente o elegeram Presidente da República, durante dez anos. Não devia faltar ao respeito ao paladino da liberdade mas, sobretudo, não pode ultrajar os portugueses que nele se reviram em numerosos actos eleitorais, livres e democráticos. Os neofascistas começam a ganhar terreno, normalmente entre aqueles cuja idade não lhes permitiu saber o que foi a censura, a PIDE, o exílio, a tortura e a guerra colonial. Todavia, o Sr...

O primeiro sargento Marcolino (crónica)

O primeiro sargento Marcolino expressava-se num português rudimentar, com poucas centenas de palavras, mas era prolixo no vernáculo enriquecido por sucessivas gerações de almocreves e laboriosamente cultivado nas casernas. Usava-o profusamente na instrução da milícia para constituir, com o manejo das armas, a totalidade do programa de formação dos cadetes, além de ser uma ferramenta preciosa na comunicação com os soldados que, das aldeias, iam fazer a recruta. Interessam aqui os cadetes, alunos do ensino secundário, maiores de 18 anos, que, sob os auspícios da Mocidade Portuguesa, se iniciavam aos sábados, no quartel da cidade, no manejo das armas e no aprofundamento da linguagem de caserna, instruídos pelo primeiro sargento Marcolino. Era sob a sua orientação que no 1.º de Dezembro integravam, com espingardas, a cauda de um grandioso desfile com lusitos à frente, infantes a seguir e vanguardistas depois, a marchar pela cidade da Guarda, em grupos de 3 castelos, divididos em quinas, a ...

Escoural da Tocha – Concelho de Cantanhede

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Enviadas por um leitor do «Ponte Europa», aqui ficam quatro fotos que ilustram o desleixo a que os autarcas votam as aldeias com menos visibilidade. São fotos do concelho de Cantanhede. Podiam ser dos arredores de Coimbra. Ou mesmo de Coimbra, quando nos afastamos da Baixa. Em Cantanhede, «as flores, a limpeza e os arranjos ditos urbanísticos são para o automobilista de Coimbra ver quando se desloca para as praias de Mira e da Tocha». Nas aldeias é o que se vê.

Nova Orleães - cidade mártir

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No delta do Mississipi, a cidade de Nova Orleães é a imagem do desespero, do caos e do horror. Centenas de milhares de pessoas sem tecto, sem água potável, sem alimentos, desesperam num cenário dantesco só imaginável no terceiro mundo. As imagens de aflição chegam a cada momento dos tectos das casas destruídas, das janelas de habitações cercadas de água, do estádio onde se refugiaram milhares de desesperados. Os EUA, o país mais poderoso do planeta, deu um exemplo de vulnerabilidade que estimula a solidariedade e envergonha o Governo. O povo americano, tão solidário com as vítimas das catástrofes que atingem o mundo, merece agora a nossa solidariedade. Não são apenas os americanos que sofrem, sofremos todos com a tragédia cuja dimensão veio pôr a nu a inépcia e a incúria da administração Bush para enfrentar a catástrofe, limitar a dimensão do desastre e reduzir o número de vítimas. É consensual que o aquecimento progressivo do planeta é responsável pela dimensão cada vez maiores das ca...

E agora, Marques Mendes?

Segundo o «Correio da Manhã» Isabel Damasceno vai ser constituída arguida no processo «Apito Dourado», juntamente com Valentim Loureiro. O afastamento do major foi um acto de higiene que honrou Marques Mendes. Todavia, se se confirmarem as acusações contra Isabel Damasceno, que não constituiu surpresa, dir-se-á que houve dois pesos e duas medidas.

Exposição de um leitor com base no «Ponte Europa»

Excelentíssimo Presidente da Alta Autoridade para a Comunicação Social, Senhor Juiz Conselheiro Armando Torres Paulo Lido num blog da Internet , relativamente às conclusões ali manifestadas sobre uma decisão da AACS sobre uma notícia na imprensa escrita – o presidente da TAP e o aeroporto da Ota: “Esta é a triste Pátria que tais filhos tem. Especializados em passar a bola, neste caso devolvê-la, em não assumirem qualquer responsabilidade, em comprovarem que não servem para nada. Que se não existissem, ninguém dava por isso. O pior, é que muitos deles são sustentados pela manjedoura governamental, sem um pingo de vergonha na cara. Especialidade: «não te comprometas». Uma cultura exemplar de tomada de não decisões...” Há alguns anos, num cargo NATO em Itália, um general português emitiu próximo do final da sua comissão de três anos de serviço um relatório enviado ás autoridades nacionais em Lisboa, concluindo: que aquele cargo num elevado comando operacional das forças italianas e portug...

O fim da IIª Guerra Mundial

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Há 60 anos o Japão assinava a rendição incondicional.

A vocação totalitária de Alberto João Jardim

O ministro Augusto Santos Silva opôs-se ao processo de autonomização dos centros regionais da RTP e RDP Madeira, uma obsessão do Governador autóctone que Durão Barroso havia prometido no processo complicado de arranjar apoios. Santos Silva, que tutela a comunicação social, invocou razões legais, mas os portugueses imaginam o que faria o sátrapa madeirense com os órgãos de comunicação nas suas mãos. Dado o sentido de Estado que se lhe conhece e o rigor informativo dos jornais sob tutela do Governo Regional, imagina-se a isenção, rigor e qualidade que lhes estariam reservados enquanto o Continente era chamado a pagar a factura. Tal como em Canas de Senhorim, eis uma promessa do Governo PSD/PP cujo incumprimento é uma vitória do bom senso e da democracia.

Coisas boas e outras muito más.

O Ministério da Educação este ano não deu bronca. A vergonha do ano passado está ultrapassada. Muito bem. Os desempregados do sector é outra coisa que deve motivar os dirigentes no sentido da solução. Talvez limitar a montante para fluir a jusante. Mal, mas mesmo muito, continua a ser a vergonha do salário pago ao Senhor € 20.000,00 da DGF, o tal "tacho" dado pelo Bágão Felix que o PS criticou e que agora consente. É vergonhoso que este Governo nada faça a este propósito. É isto justiça, promoção da igualdade, meus senhores isto não é socialismo. A começar a azedar está o alargamento às empresas do pagamento da taxa de audiovisuais. Se o cidadão já a paga, as empresas podem em tese pagar também. No entanto ficamo-nos por aqui. Mau é depois o dinheiro que se esbanja na RTP, em salários principescos e noutras mordomias. E cada um de nós só vir TV por cabo que já paga ou a SIC e a TVI, como é? O anterior Governo obrigou-nos a pagar a taxa de passagem dos fios, o PS que tem a...

MASP 3 - Não há duas sem três

Mário Soares é um lutador que nunca se reforma. Nos últimos dez anos não se furtou a dar a cara e a tomar posições, tendo intervindo sempre nas grandes questões internacionais. Condenou a guerra do Iraque quando outros se calaram ou, pior, se atolaram num apoio vergonhoso. Bem-vindo à luta pela eleição presidencial. «O caminho faz-se caminhando». Soares é fixe .

Espaço reservado aos leitores

Por se ter virado a página com o espaço dos leitores, aqui fica uma nova caixa de comentários para quem nos visita.

Notas Soltas - Agosto/2005

Arábia Saudita – Abdullah Bin al-Saud, governante de facto há uma década, é o delegado da oligarquia feudal da família Saud com 10 mil príncipes à espera de disputar a sucessão no país mais rico em petróleo e à beira da explosão do delírio islâmico. Mauritânia – O presidente Ahmed Ould Taya saiu do país para ir ao funeral do rei Fahd e foi destituído, 20 anos após o golpe que o levou ao poder, por outro golpe. Os ditadores não podem afastar-se. Salazar só uma vez foi a Badajoz. E em segredo. Terrorismo – A eficiência da polícia britânica na perseguição e desmantelamento de células terroristas é uma esperança no combate pela sobrevivência da civilização, mas não há benzina que desencarda a nódoa do brasileiro fuzilado no Metro. Incêndios – Parece que há em nós uma vocação pirómana e uma incúria fatal que vai reduzindo Portugal sistematicamente a cinzas. Nos escombros de um país ardido há ainda lugar para a prevenção ou esta é a forma cruel de ordenamento do território? Lisboa – Os ...

O maior inimigo do PS é o próprio PS

Se Mário Soares avançar para o terceiro mandato em Belém, cava, inevitavelmente, o principio do fim desta fase alta do PS e da própria governação. Nestes últimos anos o PS tem sido afastado do poder, pela sua própria vontade. O maior exemplo é o de Guterres. O sufrágio só marginalmente tem legitimado essas saídas. Porque será assim? No tempo de Guterres, as "guerrilhas" nas federações cansaram-no. Por exemplo, nessa altura muitos que estiveram contra VB são agora os seus mais aguerridos apoiantes, etc. Aliás, essa "guerrilha" acabou por ficar bem estampada nas cenas tristes por ocasião do falecimento de Sousa Franco. A ideia de renovação é colocada definitivamente na gaveta. Por outro lado, o próprio Mário Soares disse de modo peremptório que nunca mais, e afinal de contas, como é? Onde fica a palavra? Será que é para proteger e manter à tona a família Soares ou é para a afastar definitivamente? Se perder o PS é menos prejudicado? Onde estão outros ilustres sociali...

“Da Ota ao TGV” - Opinião de um leitor

Sem os estudos supostos de existirem no governo, com algumas abalizadas opiniões de técnicos, estudiosos e académicos surgidos na imprensa, procuro recorrer a algum sentido de estratégia e táctica inseridos numa visão espacial resultante de alguma cultura aeronáutica. Um pouco de vistas largas talvez. NAL : indubitável , que Portugal precisa de um novo aeroporto em Lisboa e da modernização da rede ferroviária. Tomemos uma posição elevada sobre o mapa do país e à vertical da capital – um rectângulo com a capital no centro, a grande área metropolitana de Lisboa, um pólo portuário internacional em Sines, Alqueva a leste, no futuro uma importante zona turística em Tróia. Na década de sessenta e com os planos de fomento do anterior regime, o NAL iria ficar em Rio Frio/Montijo – Dez69, parecer do Conselho Aeronáutico sobre estudo do Gabinete do NAL. Destino alterado pelo governo em exercício no final da década de noventa – Jul99, despacho da Ministra do Ambiente (?) sobre parecer de Comissão...

Quando se começa mal o dia...

Às vezes não consigo perceber o que certas pessoas ilustres querem dizer. E não estou a falar do Sr. Presidente da República, que em matéria de florestas e incêndios mais valia estar calado. O que estes Senhores pretendem, em última instância é a expropriação das florestas aos particulares. A ser assim é muito grave. Se querem um bom exemplo de gestão das florestas importem o modelo dos Açores que é eficiente.

Canas de Senhorim:

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Entre Carregal do Sal e Nelas fica uma simpática vila que, à semelhança de outras, já foi concelho. Vários ingredientes explosivos se juntaram para tornar a pacífica povoação num barril de pólvora: o bairrismo exacerbado, a perda de importância pelo encerramento dos Fornos eléctricos, que o primeiro choque petrolífero inviabilizou, e a rivalidade mórbida com a sede de Concelho – Nelas. Para além da ambição desmedida de um cacique local. Para agravar a situação, um deputado de Viseu prometeu-lhes a elevação, votada ainda na AR, ao arrepio da lei e do bom senso, para cumprir uma promessa de Durão Barroso em época de caça ao voto. Não interessa repetir que todos os partidos aproveitam a coutada da caça ao voto para prometer o que não devem nem podem cumprir. Valeu-nos a sensatez do Presidente da República para evitar que de um pequeno concelho (Nelas) tivesse nascido outro. Os cortes de estrada e de caminho de ferro ficaram impunes. Depois vieram insultos ao Governo, ao P.R., aos político...

A escalada do preço do petróleo

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Há quem apressadamente tenha visto no neoliberalismo a receita para os amanhãs que sorriem, depois do fracasso dos amanhãs que cantam. Há quem, sabendo pouco de história, tenha decretado que o marxismo morreu, que o imenso material que Engels carreou para a análise económica foi puro desperdício e que a valiosa contribuição de Marx e Engels merece o caixote do lixo. As crises cíclicas do capitalismo continuam a acontecer. Só a sua intensidade, duração e frequência são difíceis de prever. Hoje o barril de petróleo ultrapassou os US $70 em Nova Iorque, com o furacão Katrina a servir de ajuda e de pretexto, com um milhão de pessoas evacuadas de Nova Orleães . A energia baseada nos combustíveis fósseis tem os dias contados. Apenas os interesses das petrolíferas e a leviana postura dos governos se mantêm. Vivemos tempos em que apenas interessa o dia de hoje e os nossos privilégios. Os nossos filhos vão pagar amargamente a nossas incúria e irresponsabilidade.