Este Governo não cai… – Crónica do quotidiano entre o sério e o frívolo

Este Governo não cai… – Crónica do quotidiano entre o sério e o frívolo

Eça dizia que o governo não caía porque não era um edifício, havia de sair com benzina porque era uma nódoa.

Sobram a este governo condições para merecer o diagnóstico e validar a terapia, mas foi ampliado o arsenal medicamentoso, sem que o País assista à decomposição que o PS, com aprovação prévia do OE/27, e o PR com a obstinação na estabilidade, possibilitam.

É surpreendente que um governo de ministros ligados a negócios imobiliários não tenha uma só ideia para a crise de habitação. A resposta é a repressão com o desejo irrefreável de regular manifestações, depois de ver na rua milhares de jovens que repudiam a nova lei das rendas combinada entre o PSR e o Chega.

O país que ignora investigações ao grupo terrorista liderado por um chefe da PSP, que comandava a polícia municipal de Lisboa, e ao Movimento Zero que a extrema-direita criou no seio da mesma PSP, fica intranquilo com um agente à civil numa manifestação pacífica a empunhar a pistola. Teme que seja agente provocador, temor ampliado pelo achamento de petardos de origem desconhecida no local.

Regresso ao princípio, à eventual queda do governo, para recordar que foram multados três automobilistas por buzinarem no Rossio em apoio dos manifestantes, à razão de 60 € per capita. Sou levado a crer que este governo não cai pelo ruído porque é surdo, há de cair pelo ridículo por ninguém o levar a sério e o País acabar por morrer a rir.

Finalmente, enquanto o PM hiberna e o MAI parece a barata tonta, um juiz decide que uma tenda possa ficar durante a noite, no Rossio, para defender o direito à manifestação.

Só falta agora que, à semelhança de Ivo Rosa, a juíza cuja jurisprudência não agradará a alguns, veja a sua vida privada devassada e o PGR a impedi-la de conhecer o pretexto.


   

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