Nós somos os melhores…

 

Nós somos os melhores…

mas quem sabe são elas!

Por Onofre Varela

Parte do título desta crónica (Nós somos os melhores…) até parece uma daquelas frases que Marcelo Rebelo de Sousa debitava, enquanto presidente da República, elogiando equipas desportivas que arrecadavam medalhas na estranja… mas não! 

É sabido (por quem sabe) que cada um de nós é um digníssimo representante da espécie “Homo sapiens sapiens”, que designa o Homem Moderno… (à atenção dos maluquinhos da modernidade: o termo “moderno” não quer dizer “aquele que veste pela moda italiana mais recente e usa o modelo de telemóvel acabado de ser parido e lançado no mercado”)!… Não, não é nada disso. 

Este “Homem Moderno” designa a espécie que sucedeu ao “Homo sapiens”… e já tem uma porrada de milénios! O termo “Homo sapiens” quer dizer “Homem que sabe”, ao passo que o termo com a palavra “sapiens” repetida, é mais moderna e designa o “Homem que Sabe o que Sabe”, cujo Homem somos todos nós, que temos o cérebro mais desenvolvido de toda a espécie Homo, e somos dotados de inteligência, moralidade e ética (exceptuando Putin, Netanyahu e Trump que, em termos de moralidade e ética… são nulos!… Esses homúnculos ainda se encontram em nível anterior ao dos Neandertalenses).

A espécie que antecedeu o “Homo sapiens” foi a “Homo Neandertalenses”, considerada irmã do “Homo sapiens” com o qual conviveu. Surgiu durante o Pleistoceno Médio na Europa e no Médio Oriente, há cerca de 400.000 anos, e extinguiu-se há 28.000 anos na Península Ibérica. Isto quer dizer que Sapiens e Neandertalenses conviveram e reproduziram-se entre si, o que resultou em descendentes com características de ambos.

E é aqui que entram as “bocas” como sempre acontece na História dos homens.

Na Arte há quem garanta que o pintor El Greco tinha um problema de visão, sendo essa a razão de pintar figuras esguias… e também há quem defenda que o quadro Monalisa, de Leonardo da Vinci, teve como modelo, não uma mulher, mas um rapaz jovem que seria amante do pintor.

Estas “bocas foleiras” nunca podem ser confirmadas por não haver testemunhos da época que o atestem. Talvez por isso seja mais fácil criar pretensas explicações de comprovação impossível sobre personalidades de épocas passadas, do que fazê-lo sobre gente contemporânea de quem há documentação suficiente para se poder desmontar qualquer “invenção biográfica” não autorizada nem comprovada. 

Topei há dias com “informação” de cariz idêntico sobre os homens Neandertalenses que antecederam os Sapiens. Porque as duas espécies coabitaram, há quem defenda ter havido reprodução entre elas… o que se me afigura normal. O que já não é normal é haver quem afirme as razões porque o fizeram, para além da natural atracção sexual e da sua prática sempre tão desejada. Há quem afirme a atracção das mulheres da espécie Sapiens por machos Neandertais, por serem mais robustos e feios… mas, talvez, de uma “fealdade atractiva”. Seriam os Romeus pelos quais todas as Julietas se apaixonam irremediavelmente, levando a que a espécie anterior se diluísse pelos nossos genes de então para cá.

O saber do nosso povo diz que “por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher”, o que quer dizer que as escolhas delas têm bastante mais força do que as escolhas deles (embora eu não acredite que seja Melania quem sopra aos ouvidos de Trump todas as merdas que ele vai fazer… nem ele é um grande homem!). Há vinte anos, numa viagem de autocarro, olhei demoradamente para o rosto de um jovem companheiro de viagem que era o exacto retrato de um Neandertalense. Tinha testa baixa, arcadas supraciliares desenvolvidas, maçãs do rosto proeminentes, nariz pequeno e largo, e queixo diminuído. 

Ó carago!… Eles andam por aí… 

 OV

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