O futuro da Humanidade não é risonho, mas os EUA ficam menos assustadores
O futuro da Humanidade não é risonho, mas os EUA ficam menos assustadores
Hoje o ícone da extrema-direita mundial iniciou a queda do
poder a caminho dos braços da Justiça. Arrastará consigo a confiança dos seus bajuladores,
depois de ter destruído a credibilidade do país e das instituições
multilaterais e a longevidade das democracias.
O mal que fez é irreversível e os EUA não vai reverter o
desprestígio que o mitómano e narcisista Trump atraiu para a ainda maior
potência mundial.
A única consolação, no ocaso do último império, é ver escarnecidos
os que reivindicam o seu magistério e não tiveram uma única palavra de censura
aos desmandos e aventuras de um PR visivelmente instável, contraditório e
demenciado.
Hoje, figuras marginais como Milei, na Argentina, ou o 4.º
Pastorinho, em Portugal, são perdedores cuja desfaçatez do mestre os leva a
enjeitar a sedução que sentiram e o apoio que tiveram.
Regozijamo-nos com a colossal derrota do mais corrupto,
incompetente e detestável PR dos EUA, de sempre, e não podemos sentir-nos
felizes com o mundo que Trump deixou mais pobre, insalubre e instável.
A crise climática, a fome, a poluição e a guerra aumentaram enquanto
se asfixiaram as instituições
multilaterais e a ordem internacional se
subverteu.
É impossível recuperar da destruição ética, económica e
social e reverter o declínio das democracias que progressivamente deram lugar a
autocracias sem que as teocracias e outras ditaduras respeitem os mais
elementares direitos humanos.
Em Bruxelas e Kiev há motivos de satisfação, enquanto em
Moscovo e Telavive reina a incerteza, no último duplamente, e a China continua
na plateia a consistente caminhada para a hegemonia mundial.
A extrema-direita não vai parar a ascensão na Europa, mas os
mais boçais admiradores de Trump, em todo o mundo, ficam mais expostos ao nojo
que despertam.

Comentários