CDS e o “arco europeu”

Paulo Portas defende um acordo interpartidário sobre as matérias do novo tratado inter-governamental europeu que aperta as regras em matéria orçamental. “Os partidos do arco europeu são, tradicionalmente em Portugal, três, deve procurar-se o consenso de todos e isso implica vontade de compromisso da nossa parte, implica disponibilidade para um compromisso por parte da oposição democrática. ..” link
(Paulo Portas, hoje, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo alemão, Guido Westerwelle).

A “inculcação histórica” é um vício da Direita. Simplesmente, como os povos têm memória essas práticas por vezes tornam-se chocantes e aberrantes.


Bem, o CDS/PP tem uma história e, como o Dr. Paulo Portas sabe, esta nova, moderna e aparentemente oportuna narrativa não coincide com a sua tradição partidária e muito menos com a verdade.

O Dr. Paulo Portas, na década de 80, apoiou a candidatura de Manuel Monteiro à presidência do partido (X Congresso) e foi, como toda a gente sabe, o seu mentor ideológico. É exactamente nesse período que o CDS manifesta uma postura política hostil á integração europeia (vivíamos os tempos da CEE) por dois motivos: para afirmar-se como o herdeiro de uma cultura política nacionalista da Direita (Manuel Monteiro aconselhado por Portas repetia à saciedade ser de Direita) e, ainda, para distanciar-se do PSD por motivos de concorrência junto ao eleitorado (de Direita como é óbvio).

A 19 de Dezembro de 1992, o CDS vota na AR contra a ratificação do Tratado de Maastricht (o Tratado fundador da UE). Esta atitutde política teve como consequência - como todos se recordam - a suspensão do CDS do Partido Popular Europeu.

O CDS entrou então em franca oposição à integração europeia (opôs-se veementemente “ao federalismo, à extinção das fronteiras, à diluição dos Estados nacionais, à cidadania europeia", etc.). Isto é, o habitual quadro ideológico conservador/nacionalista muito próximo das concepções da Extrema-Direita. Atitude que só iria mitigar e paulatinamente alterar, com o regresso ao poder (governação), em 2002, pela mão de Durão Barroso (XV Governo Constitucional). Nessa altura, após uma acordo CDS/PDS de incidência parlamentar, Paulo Portas assume a pasta da Defesa e subscreve um programa de Governo onde no capítulo da Política Externa se escreve: “A actuação político-diplomática de Portugal desenvolver-se-á, assim, em torno dos seguintes eixos estratégicos: - o de reforçar o papel de Portugal como sujeito activo no processo de construção europeia…link .
E a partir daí (2002) lavou as suas mágoas e dirimiu as suas incertezas, tornando-se num activo (e oportuno) defensor da União Europeia…

Esta a súmula histórica de um dos partidos que, no dia de hoje, o seu principal dirigente apareceu a reivindicar de – tradicionalmente – pertencer ao “arco europeu”.

Comentários

Falta lembrar a oposição do CDS à moeda europeia.

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