Islamismo – uma questão de reciprocidade

Há 4 anos, Vladimir Putin, perante o pedido do rei da Arábia Saudita para comprar um grande terreno em Moscovo, para erigir uma grande mesquita a expensas sauditas, ter-lhe-á dito que não havia qualquer problema, só carecia de permissão para edificar, na Arábia Saudita, uma grande igreja ortodoxa.

É irrelevante que a isso se tenha oposto o rei desse Estado Islâmico cujo financiamento do terrorismo é esquecido pelos beneficiários ocidentais da sua riqueza de combustíveis fósseis, ao ponto de lhe conferirem alvará de “amigo do Ocidente”. Argumentar que não seria possível pelo facto de a sua religião ser verdadeira, contrariamente ao cristianismo ortodoxo, ou o facto de Putin eventualmente pensar o contrário, é irrisório face ao que estava, e está, em causa.

Neste caso nem a veracidade da notícia seria importante, o que conta é a cobardia dos governantes dos países democráticos em não exigirem a reciprocidade que se impõe na relação entre Estados.

Para quem defende a superioridade moral das democracias e dos Estados laicos perante os totalitarismos, religiosos ou políticos, considero um pressuposto ético a exigência da reciprocidade que Putin alegadamente exigiu ao monarca medieval de um país pária que suborna os líderes pusilânimes de países civilizados. 



Comentários

Jaime Santos disse…
Carlos Esperança, eu pensava que o que caracterizava as democracias ocidentais era a ausência de condições no que diz respeito à liberdade de crença (nos limites da Lei).

Por outro lado, desconheço qualquer tentativa do Rei Saudita de construir uma mesquita em Lisboa. Penso que a que existe serve bem a população muçulmana da capital.

Aqui há uns anos, uma estudante iraniana de um colega chegou à Alemanha, onde ele trabalhava então. Perguntou-lhe se poderia manter o lenço na cabeça, ou se seria melhor retirá-lo. Ele respondeu admiravelmente dizendo que o que caracterizava a Alemanha não era uma obrigatoriedade de não usar o lenço (o que a tornaria parecida com o Irão), mas sim a liberdade de escolha das mulheres em usá-lo ou não.

O anti-clericalismo caracteriza-se por vezes por comportamentos que pensaríamos reservados aos fanáticos religiosos...

P.S. A jovem no final optou por dispensar o lenço... Uma amiga minha iraniana que viveu uns anos em Portugal fez exatamente a mesma coisa...

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