PODE-SE SER MAU E INTELIGENTE?

Por Onofre Varela

Hitler era inteligente? E Trump, Putin e Netanyahu, são inteligentes?

Oitenta anos depois da Segunda Guerra Mundial, que terminou com a derrota de Hitler e do Nazismo na Alemanha, o tema da inteligência dos ditadores volta a ser discutido perante a maldade que hoje vemos ser derramada das mentes de quem tem responsabilidades políticas e exerce cargos em governos, mandatados pelo voto popular, como Trump e Netanyahu… já Putin não cabe na mesma lista porque os seus adversários políticos são eliminados fisicamente, impedindo uma disputa democrática nas urnas, e manipulando os resultados eleitorais.

Um acto eleitoral com urnas de voto numa ditadura, é vigarice. Assim foi em Portugal no tempo de Salazar, nas eleições para a presidência da República (1958) que elegeu Américo Tomás, desconsiderando os votos recolhidos por Humberto Delgado.

Hitler chegou ao cargo legalmente liderando o Partido Nazi numa coligação de governo e consolidou a ditadura em Março de 1933, assumindo plenos poderes legislativos no ano seguinte… e deu no que deu!… Conseguiu convencer as massas com os seus dotes oratórios hipnotizando os alemães que depois sofreram a guerra promovida pelo mesmo ditador que os encantou. 80 anos volvidos constata-se que, em todo o mundo, os eleitores não estão atentos à História e os seguidores da ideologia Nazi colhem votos que os mais velhos, com memória da guerra, imaginavam ser uma situação improvável. Os imitadores dos monstros de outrora, estão aí, a conquistar votos em camadas jovens que nem imaginam que estão a alinhar no ódio proferido por Hitler num discurso em 1926: “A única emoção estável é o ódio”.

Hitler encontrou no sentimento ultranacionalista os argumentos de que precisava para construir os seus discursos, dando “sentido” à carreira política que o levou ao assassínio de judeus, ciganos e negros e, no final… ao seu próprio suicídio. Nós, hoje, estudamos História e sabemos disto… mas parece que nem todos o sabem, e votam na mesma ideologia que, se algum dia tornar ao poder, os eleitores que o facilitaram vão sentir-se enganados e traídos pelo mal que vão colher.

Recentemente foi publicado um livro (com o título em espanhol: “Hitler: Verdades y Leyendas”) do francês Claude Quétel, professor de História. Na oportunidade a revista “Historia y Vida” entrevistou-o. Respondendo à pergunta, que ele próprio formulou, “Hitler era inteligente?”, disse que responder categoricamente à questão não é fácil… é, até, bastante difícil. “O personagem é inculto, tosco, maligno e cumpre todos os requisitos da paranoia… mas isto não significa que não fosse inteligente. A sua inteligência era extremamente limitada e a sua crescente perda de sentido da realidade bateu no fundo”. Se é difícil perceber-se por que se deu tanto poder a alguém com este perfil, hoje continua a ser difícil perceber por que se deu tanto poder a Trump! O discurso de ódio contra imigrantes também arrasta consigo a ideia de superioridade do homem sobre a mulher, o que eu imaginava perdido no tempo de quando eu era criança.

Sentir a submissão de um povo ao poder do líder, é o delírio para qualquer ditador. Trump persegue quem não se lhe submete; Netanyahu assassina palestinos com mais “eficácia” do que a que teve Hitler a assassinar judeus; e Putin sonha com a tomada dos territórios que se tornaram independentes depois do desmantelamento da União Soviética por Gorbatchov, invadindo países, destruindo e matando. 

O Ser Humano é facilmente manipulável, quer seja com eleições democráticas ou sem elas… e a guerra é a pior das acções humanas. A maldade latente no pensamento dos ditadores destrói qualquer resquício de "inteligência emocional", por falta de sensibilidade fraterna e Humanismo!… 

OV 

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