II Guerra Mundial – 1 de setembro de 1939 (Texto atualizado).
II Guerra Mundial – 1 de setembro de 1939 (Texto atualizado).
Há 87 anos, Hitler invadiu a Polónia, apesar da popularidade
que aí gozava, e iniciou a II Guerra Mundial. O clima político e económico
tinha semelhanças com o atual. As fronteiras e o «espaço vital», hoje trocados
pelos mercados, foram detonadores de uma catástrofe em que, pela segunda vez, a
Alemanha ganhou todas as batalhas e perdeu a guerra.
Dessa tragédia, do desvario belicista, dessa delinquência
nacionalista, a História regista nomes sinistros: Hitler, Goebbels, Bormann,
Himmler, Goering, Eichmann, Ribbentrop, Rosenberg e Rudolf Hess.
Hoje, 87 anos depois, parecem mais confiáveis os principais
entusiastas da corrida ao armamento e mais generosa a justificação. Defender as
fronteiras de um país invadido é bem mais aceitável do que pretender conquistar
um território, mas o entusiasmo de dois alemães causa alguma perplexidade.
Friedrich Merz e Von der Leyen, o primeiro em nome da
Alemanha, e a segunda no da UE, apoiam o país invadido por outro igualmente
europeu, e arrastam a Europa para um confronto que acabará, como todas as
guerras, pela capitulação de um deles ou à mesa das negociações. E surpreende
que, depois de quatro anos e meio de guerra, a UE jamais tenha avaliado um
plano de paz para negociar ou, sequer, aberto uma linha de diálogo com Moscovo.
António Costa foi, aliás, dissuadido com acrimónia por Merz e Macron.
Quem apoiou a desintegração da Jugoslávia e o ataque à
Sérvia, para lhe amputarem o Kosovo, e aceitou a ocupação de 37% do território do
Chipre e a divisão pela Turquia, devia ter maior recato na defesa de uma causa,
ainda que justa, com recurso à guerra.
A política externa da UE confiada a Kaja Kallas só
beneficiou a Turquia e a China, dois países que são a antítese das democracias ocidentais.
Não foi a Rússia, o País invasor da Ucrânia, que virou costas à Europa
Ocidental, foi esta que a escorraçou para benefício geoestratégico dos EUA.
Agora, com os EUA indiferentes à guerra na Ucrânia, a
vender-nos armas para manter a guerra, ainda nos impõe tarifas sem
reciprocidade e exige o sacrifício de 5% do PIB em prejuízo dos apoios sociais.
E a senhora Von der Leyen, parece uma gladiadora a gritar ao imperador Cláudio,
digo Trump, “Salve, César, aqueles que vão morrer te saúdam”.
O mundo mudou e, quando já não há países genuinamente
comunistas, apenas ditaduras e democracias, vemos o neoliberal Trump a disparar
tarifas e o comunista Xi Jinping, a defender o comércio livre e o
respeito pelas instituições multilaterais!
O que dói é ver a deriva belicista e o desvario de Trump
sufragados pela UE, enquanto a China beneficia da guerra na Europa, e os EUA viram
o mundo contra si com a invasão do Irão e o apoio acrítico a Israel.
Com o mundo à beira da destruição, a UE, o mais belo projeto
do pós-guerra, vai sendo remetida para a irrelevância, quiçá a caminho da sua desintegração.
Que raio de gente!

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